Sobre o BBB: meu amigo está sendo muito agressivo e grosso com a sua companheira. O que faço antes disso piorar?

A partir das discussões levantadas na edição do Big Brother Brasil deste ano, podemos pensar sobre o nosso papel enquanto homens na prevenção de violência contra mulheres.

Na noite de ontem, no programa Big Brother Brasil, o apresentador  Tadeu Schmidt fez uma importante fala refletindo sobre o relacionamento dos participantes Gabriel e Bruna .

 

A partir disso podemos refletir: como falar com um amigo sobre violência contra mulheres? Como superar o medo e o constrangimento de puxar esse papo? Como identificar sinais de que a situação está perigosa?

“Mas ela nem pediu ajuda! Além disso, sou amigo dos dois, vai ser muito chato isso…”

É importante considerar que essa pessoa pode estar com culpa, vergonha ou nem estar se dando conta da gravidade do que está acontecendo.

Neste caso envolvendo Gabriel e Bruna, a conversa veio ANTES de violências mais sérias acontecerem, diminuindo os riscos de um crime ou uma tragédia. E é justamente por nos importarmos com as pessoas envolvidas que precisamos falar com elas sobre o tema de maneira clara e direta.

O Tadeu nos deu um bom exemplo de como desenvolver essa conversa:

  • foi claro e direto

  • foi calmo, sem agressividade

  • demonstrou preocupação com o bem estar de ambos 

  • falou que há limites que não podem ser ultrapassados

  • falou que a situação precisava parar

Esse foi um exemplo prático de como ser um homem aliado da mudança.

Conversar é prevenir – e não significa reduzir a pessoa a um ato

A ação preventiva pode parecer desconfortável e dolorida. É difícil mesmo, mas lembre-se que você não está reduzindo a pessoa a um relato de "abusador" ou "abusadora" – ao falar ANTES de algo pior acontecer, você está apontando uma ou algumas ações e posturas que precisam parar. E isso é para o bem de todas as pessoas envolvidas na situação de violência.

Violências vêm de homens e mulheres comuns, como nós...

Violências em relações são cometidas por pessoas comuns, que também acreditam que nunca seriam capazes de fazer isso. Há violências físicas, verbais, psicológicas, morais e patrimoniais. O tema é complexo e com muitas nuances, pedindo que um olhar acolhedor, direto e sincero se volte às pessoas envolvidas (ou potencialmente envolvidas) na situação.

Que tal baixar nosso guia prático sobre como conversar com homens sobre violência contra as mulheres?

Você pode baixar o nosso livro "Como conversar com homens sobre violência contra as mulheres?", feito com o @institutoavon

Lá explicamos de modo didático e bem visual:

  • O que é o Ciclo da Violência e como quebrá-lo?

  • Quais são os sinais de que uma relação está se tornando problemática?

  • Como conversar com quem sofre o abuso?

  • Como conversar com quem comete o abuso?

  • Como superar a hesitação em ter essas conversas difíceis?

  • Como montar um plano de ajuda para quem está preso numa relação violenta?

Recomendamos, principalmente, a leitura das páginas 28-39 nas quais o assunto é abordado de forma mais específica.


publicado em 24 de Janeiro de 2023, 18:52
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Andrio Robert

Mestre e doutorando em Educação no PPGE- UFPR. É pesquisador de corpo, gênero e masculinidades. Suas investigações estão inseridas na linha LICORES - Linguagem, Corpo e Estética na Educação, no grupo de pesquisa Labelit - Laboratório de Estudos em Educação, Linguagem e Teatralidades (UFPR/CNPq) e na Diálogos - Rede Internacional de Pesquisa.


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