[+18] Namio Harukawa, sadomasoquismo e redenção

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Podiam ser apenas desenhos de gordinhas maltratando homens. Mas, porra, é claro que você enxerga muito mais que isso.

Namio Harukawa é um artista japonês, já na casa dos 65 anos, que tem como paixão o desenho erótico. Mais precisamente, desenhos de mulheres dominando homens das formas mais intrigantes e desesperadoras possíveis.

Fetiche com colegialzinha: mudando conceitos?
Ao mesmo tempo, Namio possui aquele traço oriental que mistura delicadeza e fúria, usando poucas ou nenhuma cor e todo e qualquer risco encaixa perfeitamente no contexto, não havendo erros, exageros ou falta de maturidade. É um tipo de desenho que atrai o olhar no primeiro segundo e perturba qualquer admirador repentino que fica entre o asco da cena desenhada e a maravilha de um desenho deliciosamente bem feito.

E aí, o mais apressadinho vai dizer no comentário aqui embaixo que "ah, mas são só desenhos de gordas maltratando homens. Que tem demais nessas gravuras?"

E daí, colega mantenedor de abrigos para javalis, que esses desenhos mostram uma caralhada de coisas interessantes. A começar que trata-se de um tema mais que recorrente na obra do artista, o que pode deixar sua cabeça fritando por alguns bons momentos sobre desejos diversos (de prazer, de dor, de poder), trauma, pedido de socorro, alerta ou puro conforto no que se faz bem.

Daí podemos observar o que ele faz: desenha grandiosas (e grandes) mulheres extremamente voluptuosas dominando e humilhando pequeninos homens indefesos, geralmente sem rosto ou identidade. Ora bolas, sabemos que no Japão as mulheres são vistas ainda nos dias de hoje como pequeninas, frágeis e submissas.

Japonesas pequeninas e mandadas: mudando conceitos
Então me chega o Harukawa e retrata uma realidade completamente deturpada, uma distopia de grandes mulheres, imersas em suas feições de tranquilidade e poder, sobrepujando homens mirradinhos como se isso não fosse nada demais. São situações de humilhação que agradam cada uma das mulheres pintadas por Harukawa.

Seria uma forma de suprir todas as frustrações das mulheres do seu país? Seria uma forma de tentar fazer os homens entenderem que é exatamente isso que eles sempre fizeram, mas invertendo os papéis – e, como sempre disseram os mais entendidos, "não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você"?

Só que daí a cabeça dá nó, porque todos os caras retratados nos desenhos do Namio estão, certamente, tendo um tesão absurdo. Não se coloque no lugar deles, a não ser, claro, que você seja adepto do sadomasoquismo e vertentes. De resto, são homens que estão no ápice do seu prazer. Se invertermos os papéis, são as pequenas da ilhota japonesa que curtem a submissão e tudo o mais?

Tantas questões em apenas um desenho erótico, não? Punheta que é bom, ninguém pensou.

Repara então, agora, nas feições seguras dessas mulheres e no desprezo que cada uma delas tem para com aqueles que supostamente devem, por obrigação, dar-lher prazer.

Sodomizando "like a boss"
 

Bad, bad boys...
 

Desprezo e tesão num equilíbrio perfeito
 

Tem gente no QG do PapodeHomem que curtiria fazer uma dessa
 

Lambidas e prazeres mútuos
 

Depois de tudo isso, durmam bem

publicado em 17 de Janeiro de 2012, 08:12
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Lançou, nesse ano, seu primeiro livro de contos, o Ela Prefere as Uvas Verdes e outras histórias de perdas e encontros.

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