[18+] Squirting: quando as mulheres ejaculam

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Squirt (esguicho, em inglês) foi uma das coisas que marcaram minha adolescência. Não pelo fato de alguma vez ter conhecido uma garota que esguicha, mas pelas eternas e homéricas discussões que rolavam nos grupinhos de amigos. Aquele era o início da década de 90, que se refletiu numa mudança em diversos níveis na indústria do cinema pornô.

Foi na época em que os pelos pubianos femininos escassearam totalmente, gozar na cara da mulher se tornou uma finalização compulsória e o esguicho entrou definitivamente no rol das marcantes cenas dos filmes adultos.

Eu lembro que tinha um amigo que não acreditava de jeito nenhum que uma mulher poderia jorrar daquele jeito. Até hoje, acho que o cara acredita que elas eram pompoaristas, que injetavam grandes quantidades de líquido na vagina para fazer o gran finale molhadinho.

"Depois te conto meu segredo, sou tímida. Vem cá que hoje vou gozar aqui."

Cinematograficamente, o esguicho feminino foi uma bela sacação. Isso porque durante décadas o orgasmo feminino no cinema se dava na base de "Ohhh, oh yess! Oh yessss! Oh God!". Tudo bem, é legal e tudo mais, porém décadas disso aí pode cair no lugar comum.

Como toda indústria, o cinema erótico é marcado por modismos, evoluções técnicas e inovações diversas. Quando surgiram as primeiras mulheres que ejaculavam, a cena ficava registrada claramente e o espectador então podia ter certeza que não era só um gemido falso, mas sim uma real gozada. Eu ainda era adolescente e lembro quando todo mundo ficava impactado de ver umas moças que viravam verdadeiros chafarizes em plena cena de sexo.

O meu grupo de amigos da sexta-série, quase todos virgens, contava com um colega da escola que tinha acesso à coleção de filmes de sacanagem em VHS do pai dele. As sessões eram combinadas em planos mirabolantes de cabulação de aula. E após cada filme desse tipo, os caras lá se dividiam entre os que acreditavam, os que duvidavam e os que não tinham opinião formada sobre o que efetivamente era aquilo.

— É xixi.
— Né nada, cara. Olha lá, é meio gosmento.
— Acho que é óleo.
— É gozo!
— É água! Gozo é branco!

Uns se excitavam com aquilo, outros tinham nojo. Muitos refletiam o preconceito vigente de que, embora o orgasmo fosse para todos (já teve tempo em que se acreditava que só o homem pudesse ter um orgasmo), a ejaculação era uma prerrogativa eminentemente masculina e qualquer coisa fora do esperado "Ahhh, oh yessss!" seria uma aberração que conduziria inevitavelmente a fita para a parte mais baixa da prateleira, onde ficavam filmes como Cachorrinho Bilú e Celina, a gravidinha insaciável.

Cytherea, atualmente uma das rainhas pornôs do squirting.

Como sempre, aparecia um garganta que contava vantagens sexuais como quando transou com uma prima que inundou o carro do pai dele de "mijinho". A gente ouvia atônito, imaginando o dia em que poderíamos testemunhar verdadeiras cachoeiras da sacanagem acontecendo bem na nossa frente.

Tinha também toda uma mitologia que se a mulher ejaculou é sinal que a trepada foi daquelas inesquecíveis e que o cara fodão, o garanhão, é aquele que além do sexo anal faz a mulher virar um chuveiro.

No recreio, sempre rolava uma fofoca sobre as meninas da sétima série e do pré vestibular, aquelas mais avançadas, que fumavam escondido, e que ejaculavam litros no banheiro da escola, o mesmo lugar onde apareceria Joana Dark, a "loura do banheiro", se você chamasse pelo nome dela sete vezes. Minha escola era cheia dessas lendas. Confesso que, entre pensar em louras assassinas fantasmagóricas e meninas pervertidas molhando tudo, eu ficava com a segunda opção e sempre que ia ao banheiro passava demoradamente pela porta do banheiro das garotas na esperança vã de ouvir gemidos lúgubres vindos lá de dentro.

Devo reconhecer também que em minha vida sexual, nunca me deparei com uma Foz do Iguaçu de saias. Porém, não duvido que existam. Aliás, o meu trabalho de procurar "bizarrices na internet" para o meu blog, o Mundo Gump, praticamente me obriga a dar de cara com coisas deste tipo. Eu já vi coisas tão estranhas que perto delas uma mulher ejaculando soa como uma história infantil.

Hoje, eu sei que a ejaculação feminina é algo real mesmo, conhecida desde o tempo de Aristóteles, mas tenho consciência que em alguns filmes eróticos, que deram ao squirt uma categoria própria, truques diversos são feitos para exagerar e dramatizar este momento de clímax.

Embora toda mulher possa, nem todas as mulheres ejaculam e, mesmo as que o fazem, não ejaculam sempre. O fenômeno ocorre com maior facilidade pela estimulação do ponto G. Basicamente, a ejaculação feminina é caracterizada pela excreção de líquidos pelas glândulas de Skene: a substância que sai não está diretamente relacionada ao líquido de lubrificação vaginal e nem à urina.

Fora que certas condições patológicas podem causar uma disfunção que faz com que a mulher perca o controle da bexiga durante o ato, causando uma enorme molhação de urina. Muitas vezes isso acaba sendo confundido com a ejaculação feminina, o que pode contribuir para a estimulação da ideia de que a ejaculação da mulher se trata de um mito.

Eu poderia falar mais desse assunto de squirting aqui, mas seria um pecado não contar um macabro episódio que envolveu um conhecido meu e a tentativa de obtenção do squirting.

Clique para ver como fazer uma mulher ejacular (mas por favor não torne isso uma obsessão, apenas experimente eventualmente). Olha a carinha dela no final.

A busca pelo squirting perfeito

O cara é o tipo que a gente chama de "dodói". Ele não é lá muito bom da cabeça, embora tenha virado funcionário publico com um salário atraente. Mas bastam dois minutos de conversa pra ver que ele não bate bem da bola. De tal maneira, que se fizesse uma biografia, ele provavelmente teria que contar que sua mãe, que acabou internada em hospício, colocava remédio tarja preta na mamadeira dele quando o cara ainda era bebê (ele me contou isso no dia que nos conhecemos).

O fato é que ele tem (eu acho, nunca perguntei) uns 48, 50 anos. Desde que se entende por gente, toma medicamento tarja preta. O cara é uma figuraça. Basta você falar de uma doença, ele tem, já teve ou certamente vai ter. O meu conhecido não é necessariamente um hipocondríaco, mas nunca vi uma pessoa que gostasse tanto de remédio como ele. Certo dia, numa mesa de bar, o assunto naquela fase em que você já fala qualquer merda, começamos a falar sobre medicamentos para síndrome do pânico. Me espantei ao ver o sujeito citar de memória pelo menos uns vinte remédios diferentes, dizendo posologia, efeitos colaterais e princípio ativo. Obviamente, tomou todos. Ele comentava dos remédios como se fossem drinks.

Você deve estar se perguntando o que este sujeito doido tem a ver com squirting. O lance é que ele é um desses caras que baixa coisas compulsivamente na internet e num dia desses baixou lá um tal de Manual do squirting.

Ficou obcecado por fazer a mulher dele a se tornar a foz do rio Amazonas (acredite, esse cara é casado com uma dona que é mais maluca que ele). Daí que o meu amigo começou a praticar toda sorte de manipulação sexual nela. Sem efeito.

Os dias se passaram e nada da dona ejacular.

A coisa havia virado uma obsessão. Em busca de realizar a fantasia, o cara acabou num fórum da internet. E parece que foi lá que disseram a ele (essa parte não sei detalhes porque quando ele contou, eu tinha ido ao banheiro do bar) que a mulher teria um orgasmo sensacionalmente "molhado" se ele fizesse sexo oral nela com uma bala Halls na boca. A fonte teria sido o PdH nessa dica do Dr. Love?

Não exagere, Zé Ruela.

Naquela noite, o cara foi até a padaria para comprar o Halls. Foi ali que se deu primeiro conflito daquela noite. Existia no guichê do caixa uns seis tipos de Halls diferentes, fora os genéricos.

Ele teve que ficar imaginando que sabor teria cada Halls durante o sexo oral. Sem saber que combinação daria o melhor gosto, optou pelo famigerado Halls preto de refrescância máxima.

Horas depois, já nu, com a patroa, deitadão na cama king size, preliminares rolando, o cara saca o drops e explica pra mulher dele que aquele era o passaporte para um universo de delírio e tesão inimagináveis. Animada, a senhora do cara abriu as pernas ao máximo e segundo ele, os dois mandaram ver!

Pois já se passavam mais de seis minutos de investidas orais e... nada. Dez... Nada. Vinte... Nada.

Ele disse que a mulher o interrompeu para comunicar que não sentia nada de tão sensacional.

E foi então que ele teve o insight de que talvez fosse culpa do Halls, que não estava refrescante o suficiente, embora fosse a mais potente das balas. Meu amigo então enfiou mais duas balas na boca e retornou à atividade.

Aí sim, a mulher dele começou a dar gritinhos de prazer. Empolgado, ele resolveu tornar aquele momento algo único. Então ele abriu todoo drops e enfiou todas as balas na boca. E pôs-se a chupar a mulher dele com vontade, na espera da famosa cachoeira de prazer.

Tudo ia bem até que inadvertidamente o cara "perdeu" uma das balas na vagina da patroa.

A bala foi imediatamente sugada lá para o fundo e a mulher desatou a gritar desesperada.

— Ahhhhh!

Ele disse que nos dois primeiros berros achou que era um orgasmo, mas quando ela começou a bater nele e espernear na cama, o cara chegou à conclusão que algo tinha saído ligeiramente errado.

— Tira! Tira! — Ela gritava se sacudindo na cama.

Meu amigo, tão logo entendeu o que se passava, tentou enfiar o dedo na mulher para "pescar a bala" mas apenas empurrou mais o Halls preto lá pro fundo.

Em desespero, ela correu ao banheiro e usou o chuveirinho pra ver se com um jato dágua, a ardida bala desceria, mas só quem já bebeu água após chupar Halls preto sabe a hecatombe nuclear que se sucedeu naquela vagina. O meu amigo contou que os gritos da mulher dele foram ouvidos a quilômetros.

Infelizmente, eu não sei como eles pescaram o Halls de dentro da dona, porque o meu celular tocou, depois ele foi embora e eu nunca tive coragem de perguntar a ele como que terminou aquele episódio.


publicado em 17 de Fevereiro de 2011, 14:58
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Philipe Kling David

Psicólogo por formação, já trabalhou com 3D e efeitos especiais, bonecos, jogos de videogames e miniaturas de chumbo. Foi professor de escultura, diretor de curta-metragem e até ufólogo. É um grande contador de histórias. Desde 2006, escreve no blog Mundo Gump, que já virou livro. No Twitter, @philipe3d

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