A Pílula do Dia Seguinte: tudo que você precisa saber.

Tudo sobre a pílula do dia seguinte, riscos e alternativas disponíveis.

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Pergunta: "Olá Doutor,

Infelizmente, numa relação com minha namorada, a camisinha se rompeu sem que percebessemos e houve ejaculação intra-vaginal. Assim, após uma hora, ela (que não toma pílulas anti-concepcionais) ingeriu (pela 1ª vez) a primeira dose da pílula Dia D, e o fará novamente em 12 horas.

No entanto, pesquisando na internet, encontrei referências de pílulas do tipo "dia seguinte", mas de dose única, chamadas de "dose pronta", como Postinor Uno (Laboratório Aché) e Pozato Uni (Laboratório Libbs), que teriam maior eficácia (99,9%).

Gostaria de saber se, agora que ela já ingeriu a primeira dose de Dia D, faria diferença tomar também algum desses medicamentos de dose única e suposta maior eficiencia.

Muito obrigado,

Everson"

Olá, Everson,

já recebo dúvidas a respeito de contracepção de emergência há tempos. Mas nunca me dignei a fazer um artigo sobre. No seu caso, resolvi sair do limbo quanto ao assunto, pois este é o verdadeiro intento do uso da pílula do dia seguinte. Como o próprio nome diz, é um método para ser usado em emergência, como foi o seu caso, pois houve falha de um método menos agressivo como é o preservativo.

Meter a pílula naquela garota que você acabou de comer sem camisinha não é emergência, e sim, imprudência total.

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Isto posto, vamos falar de contracepção de emergência.

Que bicho é esse?

Trata-se de métodos que visam impedir a ocorrência da gravidez no pós-coito. O mais clássico deles é a chamada pílula do dia seguinte. Existe outra variante que é a colocação de um DIU (Dispositivo intra-uterino) em até 5 dias após o coito, o que é mais efetivo ainda que a pílula, e pode ser deixado lá quieto, prevenindo novas gravidezes.

Falemos sobre a pílula do dia seguinte, que é o método mais comum. Ela consiste, a grosso modo, de uma alta dosagem hormonal que visa impedir a ovulação, ou a fertilização ou possivelmente a implantação de um embrião no útero (nidação). Esta última gera toda a polêmica (puramente filosófica no meu entender), que a pílula do dia seguinte é um método abortivo, mas isto é outro assunto.

Classicamente, a pílula do dia seguinte é tomada em duas doses, sendo que para obtenção de eficácia plena, a primeira deve ocorrer em até 12 horas após a relação desprotegida, e a segunda, 12 horas após. Mais recentemente, comprovou-se que o uso das duas doses simultaneamente ou então os novos medicamentos de dose única (que foram citados pelo leitor) têm o mesmo efeito. Em tese, a vantagem da dose fracionada é que reduz-se o risco da ocorrência de efeitos colaterais.

Não é verdade que a dose única tem eficácia maior que a dose separada, elas são equivalentes, e os dois usos são conhecidos como “dose plena”. A diferença é em relação à chamada “dose combinada”.

A dose combinada

Também conhecida como método Yuzpe, pode ser utilizada na impossibilidade de se fazer a dose plena (seja a dose única ou a em duas doses). Consiste no uso de pílulas comuns em doses maiores. Com as chamadas pílulas de baixa dosagem (Nordete, Microvlar, Levordiol), faz-se uso de 4 comprimidos logo após o coito, e 4 comprimidos 12 horas após. Com as pílulas de média dosagem (Neovlar, Evanor e Normamor), são 2 comprimidos, mesmo intervalo.

A eficácia da dose plena é de 99,9%, contra 96,8% da dose combinada. Tal eficácia é inversamente proporcional ao tempo de início de uso. Até 72 horas da relação, a eficácia mantêm-se alta. Após 5 dias, é mínima.

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Mas lembre-se, a pílula não te protege de outros extras beeem mais indesejáveis. fonte

Algumas considerações adicionais sobre o método:

1. Não é um método para ser usado com freqüência, só em situações de emergência, pois usado regularmente ou com repetição pode desregular o ciclo menstrual e facilitar uma gravidez. Quando tomado regularmente tende a falhar mais que os outros contraceptivos de uso regular.

2. Não funciona para as relações sexuais mantidas depois que for tomada (só protege das anteriores). -> Pode parecer besteira isso, mas é uma dúvida que acontece.

3. Caso ocorram vômitos até duas horas após sua ingestão, é preciso repetir o uso da dose. Se o vômito se repetir a pílula pode ser colocada dentro da vagina para absorção direta.

4. É aconselhável tomar os comprimidos sempre junto com a ingestão de leite e/ou alimentos para evitar náuseas, enjôos, vômitos ou dor de cabeça.

5. Depois de tomar a contracepção de emergência, é preciso usar a camisinha em todas as relações sexuais até a menstruação vir, pois ela não protege para a frente, só da relação sexual que já ocorreu. A menstruação pode adiantar ou atrasar alguns dias da data prevista.

6. Os comprimidos podem causar efeitos colaterais leves como: náuseas, vômitos, tontura, desconforto nas mamas e dor de cabeça.

SOBRE A DÚVIDA DO LEITOR

Everson, partindo da premissa que a dose única nada mais é do que a concentração ainda maior de hormônios, o que você estará fazendo com sua namorada, trocando a medicação, é dando a ela uma dose absurda e a meu ver, desnecessária de substâncias que mexem profundamente no metabolismo dela. Conduta que servirá somente para aumentar a chance de um efeito colateral mais intenso.

Como já coloquei aqui, não importa se a dose é única ou separada, a eficácia é a mesma. Portanto, use o comprimido restante que vocês já tinham, OK?

Dr Health, surpreso com o fato que idéias simples estão à nossa frente, bastando descobrí-las. Não tinha noção que o DIU pudesse ser um contraceptivo de emergência, e ainda por cima, mais eficaz que a pílula.


publicado em 06 de Julho de 2008, 16:03
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Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.

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