AIDS: tudo o que você precisa saber

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Olá, pessoal, esse é meu artigo de estréia da coluna sobre saúde, Dr. Health.

Aqui falaremos de inúmeros temas, como isso é Papo de Homem acima de tudo, o enfoque será na solução de quaisquer dúvidas e problemas que possam estar atrapalhando sua saúde ou que impeçam seu corpo de alcançar 100% de seu potencial.

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Conheçam o Dr. Health, nosso grande Maurício Garcia

Também quero deixar este espaço aberto para tirar dúvidas dos leitores. Qualquer dúvida que o leitor tenha, fique à vontade para uma “consultinha” aqui na coluna, mandando um email para drhealth@papodehomem.com.br .

Não sei se conseguirei responder a todos na coluna, vai depender da demanda e de tempo disponível, afinal, este diploma não me tornou rico e eu tenho outros compromissos também, sempre correndo atrás. Mas prometo me esforçar para esclarecer a todos.

Antes, deixem eu me apresentar: meu nome é Maurício Garcia e sou formado em Medicina há 7 anos, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e sou muito grato pela sólida base clínica que a UFRJ me deu, que me permite estar aqui escrevendo sobre saúde.

Minha área de especialização é a Ortopedia/Traumatologia, que concluí há 3 anos, também pela UFRJ. A faculdade me conferiu um gosto extremo pela pesquisa e pelo conhecimento, que mesmo fora de minha área específica, nunca é demais. E para tornar a consulta o mais abrangente possível, conto com a minha rede de contatos médicos nas mais diversas especialidades. Não só espero ajudar a todos, como um enorme crescimento pessoal também.

Bom, chega de papo, mãos à obra! Para começar, quero abordar um tema que causa calafrios em muita gente. Uma tal de AIDS. Façamos um breve resumo com o que você precisa saber sobre essa entidade envolta numa nuvem de preconceitos. E começo com uma frase polêmica : AIDS NÃO MATA.

Calma, explico abaixo

A Síndrome da imunodeficiência humana, causada pelo vírus HIV, tornou-se uma grande praga da humanidade. Seus mecanismos comprovados de transmissão são:

A. Contato sexual sem proteção;
B. Inoculação de material contaminado (seringa usada, transfusão de sangue contaminada, transmissão de mãe para filho durante o parto).

Importante: Aperto de mão não transmite... abraço não transmite... Beijo na boca? Bem, a transmissão não foi provada até hoje. Picada de mosquito também não transmite...

O que a Aids faz

aids
Entenda o que é. É melhor do que se juntar ao esquadrão da ignorância.

O vírus destrói aos poucos células chamadas linfócitos T. Essas células são como as coordenadoras da defesa do organismo. Sem defesa, o organismo fica vulnerável a doenças que normalmente não temos. E sem defesa, essas doenças podem ser fatais. E são.

Não é a AIDS que mata, são as doenças que aparecem secundariamente. Outra distinção importante é Soropositividade e AIDS. O soropositivo é o paciente que é portador do vírus, mas clinicamente é normal. O termo aidético, se refere ao paciente que já tem manifestações clínicas da doença, normalmente aqueles em estágio terminal.

Porque o preconceito?

Porque o aparecimento inicial da AIDS se deu principalmente entre a comunidade gay e os usuários de drogas.

Mas atualmente o grupo no qual a doença mais cresce são os heterossexuais. Era comum nos hemofílicos, portadores de deficiência da coagulação, que precisavam de transfusão, em época sem controle – Exemplos: O cartunista Henfil e o sociólogo Betinho, que morreram em conseqüência da AIDS, pega em transfusão.

Muitas crianças também são contaminadas no parto. Ainda existe muita desinformação à respeito da doença. Existe a visão de que AIDS é coisa de drogado e bicha, e que quem pega AIDS está condenado à morte. Veremos que não é bem assim.

Alguns fatos sobre a Aids:

arrependida
Na hora do tesão ninguém quer saber de camisinha. Não adianta chorar depois.

1. AIDS não mata. O que mata são as doenças causadas em consequência da imunidade baixa

2. O risco de transmissão no sexo anal é maior. Este foi o principal motivo do surgimento inicial da AIDS na comunidade gay. Deve-se ao fato que a mucosa anal tem menos defesa e além disso, ainda sofre micro-rachaduras durante a transa.

3. Você pode ter AIDS e nem saber. O início da doença é sem sintomas. Pode levar anos até começar a manifestar.

4. Um paciente com AIDS pode ter vida normal. Vou entrar aqui no tratamento. O que ocorre é que avaliam-se dois parâmetros. A carga viral (que é a quantidade de vírus circulante) e a carga de CD4 (que é o tipo de linfócito T atingido). Quanto menor a carga viral e maior a quantidade de CD4, melhor.

Um vírus como o da AIDS só se reproduz dentro da célula. Ao terminar, ele destrói a célula, e as cópias vão invadir outras. O coquetel age aqui. Ele impede a reprodução do vírus. Ou seja, o vírus está lá, mas não se reproduz, não arrebenta a célula, e não vai pro sangue contaminar outras. Logo, a carga viral permanece baixa.

E a carga de CD4 se mantém, impedindo a queda da imunidade. Portanto, se a replicação do vírus for controlada indefinidamente, a pessoa pode levar uma vida produtiva e normal. Magic Johnson, há 15 anos com AIDS e vivíssimo, que o diga!

Só não pode haver falha no uso do coquetel, senão o processo recomeça e ainda pode ocorrer resistência do vírus ao medicamento.

5. A chance de um homem pegar AIDS em relação com mulher é menor que o contrário. Isso porque o tempo de contato da mulher é maior, já que o sêmen permanece lá dentro. Já o homem, tirou, acabou.

6. Em presença de alguma outra DST(doença sexualmente transmissível), o risco de contágio aumenta muito. Além da ulceração diminuir a proteção da pele, costuma-se dizer que as DSTs andam juntas.

7. Gozar na boca ou engolir esperma transmite sim. Já na pele, só se tiver ferida.

8. No sexo oral o risco existe, não vou mentir. Por isso existe camisinha de língua. Mas advoga-se que a saliva mata o vírus. São necessários maiores esclarecimentos da ciência.

O Diagnóstico

Feito por exame de sangue. São necessários dois testes diferentes e positivos para certeza. Entro aqui num assunto estatístico, porque existe uma propriedade inerente aos exames de sangue chamada valor preditivo.

Em grupos de alto risco, um exame negativo tem grande chance de estar errado. Sim, os exames podem falhar, existe uma taxa de falha prevista. Assim como numa pessoa de baixo risco, um exame positivo pode estar errado também.

Aqui vai um grande conselho a quem não usa drogas injetáveis, e raramente faz sexo sem camisinha. Se por um acaso você fizer um anti-HIV e der positivo, você TEM que fazer outro exame. Você pode ser vítima do valor preditivo, eu já vi isso acontecer. Por isso que o diagnóstico de certeza da infecção pelo HIV se dá com DOIS TESTES POSITIVOS, porque aí não tem erro.

A Prevenção

Sexualmente falando, só existem duas maneiras : Abstinência e uso de preservativo. Não tem outro jeito, amigos.


publicado em 18 de Outubro de 2007, 15:57
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Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.

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