As 10 Qualidades do Homem Guerreiro - Parte I

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Se pudéssemos abrir a mente de um homem destemido, não encontraríamos nada. Ele não guarda pensamentos ou teorias. É inteiro ação, postura, corpo.

Portanto, tive de observar os grandes homens que fizeram algo pelo mundo para deduzir algumas qualidades por trás de suas atitudes. Elas não são descritas como substantivos, pois o guerreiro não as possui. Ele apenas usufrui dessas qualidades impessoais – disponíveis a qualquer um a todo momento – e se posiciona no mundo.

Para quem quiser viver como um guerreiro, eis abaixo algumas sugestões.

1. O guerreiro lidera ao servir às habilidades dos outros

Não pense que o líder é aquele que se destaca ou o que possui mais competências. O bom líder é aquele que vê potencialidades nos outros e age para que suas habilidades encontrem espaço no grupo e se desenvolvam. Ele une o melhor de um com o melhor do outro. Sabe como fazer todos sonharem e conectarem seus know-hows a um projeto significativo.

Em vez de retórica, sua arte é outra: ele é mestre da escuta. As pessoas não servem ao líder, mas ao sonho em comum e aos projetos derivados. Para que isso aconteça, o líder não faz, pois sempre há alguém que faça melhor. Ele também não manda fazer, apenas abre espaço.

2. O sucesso do guerreiro inclui o fracasso

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Não se pode vencer todas

Em livros de auto-ajuda, só se fala no sucesso e suas leis e segredos. Em todos eles, o fracasso é sempre visto como uma das etapas para se atingir o sucesso. O homem guerreiro sabe que não pode confiar em um sucesso que pode dar errado. O sucesso vendido por aí traz mais frustração do que felicidade. O autêntico êxito não pode estar baseado em ideais de sucesso. A ousadia do guerreiro afirma que nosso sucesso tem de ser atingido mesmo se falharmos completamente em todas as nossas investidas.

Parece loucura, mas basta alterarmos nossa meta: em vez de dinheiro, fama e poder, podemos buscar diretamente o que pensamos que vamos conseguir com dinheiro, fama e poder. Em vez de tentar alterar as configurações externas para nos sentirmos bem, treinamos nossa mente e cultivamos uma felicidade, uma consciência e uma presença cuja estabilidade independe do que acontece ao nosso redor.

3. O orgulho, para o guerreiro, é uma forma de distração

Um mestre de meditação certo dia lançou o seguinte desafio a quatro alunos experientes: ficar em silêncio absoluto por um mês. Todos estavam indo bem, até que no último dia um deles começou a tossir incansavelmente. O aluno do lado tentou se conter, mas acabou falando: "Não tínhamos que ficar em silêncio completo?". O terceiro imediatamente disparou: "Por que vocês dois quebraram o silêncio?". Um pouco de silêncio e o último não resistiu: "Aha! Eu sou o único que não falou!".

O guerreiro faz seu melhor. Sem olhar para trás com orgulho. Sem olhar para os lados pedindo aprovação. Sem olhar para frente gerando expectativas. Sempre que desvia o olhar de sua ação presente, ele se distrai, perde tempo e arranja complicações desnecessárias.

4. O guerreiro está sempre disponível

É claro que nossos projetos muitas vezes tomam todo o nosso tempo. Entretanto, ser disponível não significa ter tempo, mas ser capaz de, a qualquer momento, arranjar tempo. Se nos fechamos em nossas pequenas revoluções pessoais, não estaremos preparados para quando uma grande revolução passar ao nosso lado. O mesmo raciocínio vale para trabalhos, projetos e, obviamente, para mulheres.

Estar disponível é sinal de compaixão e liberdade. Compaixão, já que o guerreiro está sempre aberto às confusões humanas. Liberdade, pois o guerreiro pode mudar de direção a qualquer momento, sem preparação, sem avisos.

5. A religião do guerreiro só tem um nome: liberdade

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Um autêntico Guerreiro
Masai

Qualquer pratica espiritual só faz sentido se aumenta nossa liberdade diante das configurações do mundo, das imposições dos outros e, principalmente, diante de nossos condicionamentos e energias de hábito. O guerreiro treina aumentar a espacialidade para que, em qualquer situação, sempre haja saídas e caminhos alternativos. Para ele e para os outros.

De fato, o sofrimento surge da contração, do fechamento. Um homem se suicida quando seu espaço de ação é totalmente reduzido e não lhe sobra alternativa além de um tiro na boca. Ele não vê saídas. Sabendo disso, o guerreiro está constantemente ampliando o espaço de possibilidades em seu mundo e nas vidas de todos ao seu redor. Ele vê saídas para os problemas dos outros e assim consegue ajudá-los. Sua presença aberta está sempre apontando a liberdade em tudo, para todos.

Aguardem a segunda parte com as últimas 5 qualidades do Guerreiro.

Dedico esse texto a Lama Padma Samten, Chogyam Trungpa, Carlos Castaneda, índio Don Juan, Miguel Ruiz, Pema Chodron e Charlotte Joko Beck, mestres na arte de viver como um guerreiro.

Gustavo Gitti é formado em filosofia e passa a vida tentando meditar, tocar bateria e dançar salsa, samba e tango. É autor do "Não Dois, Não Um", um blog sobre relacionamentos lúcidos (para homens e mulheres).


publicado em 01 de Novembro de 2007, 07:37
Gitti

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com

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