As melhores opções de investimento para render mais que a Poupança

Pergunta: "Caro Dr. Money, tenho uma grana guardada em uma poupança e não pretendo mexer nela por pelo menos um ano,

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Pergunta:"Caro Dr. Money, tenho uma grana guardada em uma poupança e não pretendo mexer nela por pelo menos um ano, mas gostaria de torná-la mais rentável. Quais outros fundos de investimentos valem a pena e quais são os riscos?

Obrigado,

Gus Fune"

Gus, obrigado pelo contato. Sua grana na caderneta de poupança está rendendo, até meados de outubro, algo em torno de 5,7%. É pouco, concordo, e algumas estratégias podem ajudá-lo a melhorar o retorno no futuro. Antes, é preciso entender que risco e retorno são variáveis que caminham juntas. Ambas devem ser muito bem estudadas e trabalhadas, ou você corre o risco de não ganhar quase nada arriscando-se demais.

Ainda sobre a poupança, os mesmos 5,7% também podem ser considerados bons números. Lembre-se de que a caderneta de poupança não tem taxa de administração e nela não há recolhimento de IR. Alguns fundos de renda-fixa e DI renderam menos que a poupança em 2007, portanto pense no risco e retorno com muito cuidado e atenção. O tal melhor investimento não existe.

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Permita-me um breve discurso sobre o risco. Repare que cada um tem um perfil e isso se reflete na aversão pessoal ao risco. Desta forma, não há, e nunca haverá, o melhor investimento, fundo ou produto bancário. A decisão deve refletir as suas expectativas e o quanto você está disposto a arriscar na tentativa de obter lucros e rentabilidades maiores. Será que você já consegue responder essa pergunta? Esse é um primeiro passo importante.

Vou ajudá-lo a pensar nas alternativas. Se você é jovem, está na fase de arriscar. Se você já tem família formada, dependentes ainda sem condições de se manterem sozinhos e(ou) está mais velho e na iminência de passar por eventuais problemas de saúde (por exemplo), não está na fase de arriscar (não muito). Perfil tem a ver com o que você suporta, mas também com a sua realidade financeira e esse é um aspecto importante que nunca deve ser menosprezado.

As Opções

Sabendo mensurar sua aversão ao risco e seu momento de vida, é hora de conhecer melhor alguns produtos. Vejamos, de forma resumida, as opções existentes além da caderneta de poupança:


Fundo de renda fixa:


Os gestores usam seu dinheiro para, com outros montantes de outros clientes, investir em títulos da dívida pública pré-fixados. Bom quando os juros estão em tendência de baixa, como agora. Risco: baixo; Rentabilidade: baixa para média; Cuidados: taxa de administração e alíquota de IR;


Fundo Referenciado DI:


Ao contrário do anterior, aqui os gestores investem em títulos pós-fixados, o que em situação de juros baixos deixa de ser tão atraente. Mas, ainda assim, encontra-se bons fundos deste tipo no mercado. Risco: baixo; Rentabilidade: baixa para média; Cuidados: taxa de administração e alíquota de IR;


Fundo de Ações:


Aqui os gestores usam seu dinheiro para comprar ações na Bolsa de Valores. A carteira e o montante aplicado em cada ativo é uma decisão do gestor e a você cabe analisar o risco do fundo e se existem melhores carteiras e fundos em diferentes instituições.
As carteiras normalmente contemplam empresas que pagam dividendos, small caps (empresas de pequeno porte) e empresas de grande porte (Petrobras, Vale etc). Risco: alto; Rentabilidade: média para alta (longo prazo); Cuidados: oscilação do mercado, taxa de administração, taxa de performance e gestão do fundo (ativa ou passiva);


Fundo Multimercado (ou Misto):


É um produto bancário onde renda variável (ações), câmbio e renda fixa se misturam. A carteira é composta de títulos públicos, privados, ações e moeda estrangeira. Atrativo para os que ainda não estão totalmente prontos para encarar o sobe e desce do mercado de ações, mas já aceitam a idéia de arriscar-se um pouco mais; Risco: médio para alto; Rentabilidade: média; Cuidados: taxa de administração, composição da carteira (maioria em ações, títulos etc) e gestão do fundo;


Tesouro Direto:


Títulos públicos são uma forma do Governo Federal conseguir recursos financeiros para o financiamento da dívida pública e para investimentos em infra-estrutura, educação, saúde etc. Você compra um título, paga o Governo e ele usa este seu dinheiro para financiar ou aplicar no crescimento do país. Risco: baixo; Rentabilidade: baixa para média; Cuidados: momento da compra, pois as rentabilidades variam (de acordo com a Selic);


CDB:


Da mesma forma que o governo emite títulos para conseguir dinheiro, os bancos emitem certificados (os CDBs). Você compra o título privado, o banco usa seu dinheiro e paga um juros anual. Risco: baixo; Rentabilidade: baixa para média: Cuidados: a rentabilidade é sempre atrelada ao CDI. Procure rentabilidade de ao menos 85% do CDI.

Lembrete importante

É importante lembrar que opções ruins de investimento existem em todas as categorias de aplicações e vou terminar com um exemplo: o que faria alguém comprar cotas em um fundo de ações Petrobrás (de qualquer banco) ao invés de comprar as ações diretamente na Bolsa? Puro desconhecimento. E por essa falta de conhecimento, paga-se de 2% a 3% ao ano para o banco. É justo não é mesmo? As ações compradas, o risco e o retorno são os mesmos.

Espero ter colaborado e despertado a vontade de ir mais além no conhecimento destas opções de investimento, especialmente da poupança. Lembre-se de também ler alguns bons livros, investir em educação financeira e consultar periodicamente o Dinheirama.

Dr. Money fica por aqui. Até a próxima.

Abraços.


publicado em 26 de Outubro de 2007, 17:05
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Conrado Navarro

Empresário, Investidor, Educador Financeiro, tem MBA em Finanças pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama.com, autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e "Dinheirama" (Blogbooks). No Twitter: @Navarro.

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