Bom dia, Valentina Piras

O Bom dia de Hoje tem uma pitada de violência, sadismo e diversão. Tudo o que o Quentin Tarantino aprovaria. Isso, claro, além da Valentina Piras, a delicinha da semana.

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Antes de mais nada, pare absolutamente tudo o que está fazendo e assista a esse vídeo em tela cheia, com volume alto. Faça o grande favor de ver tudo cuidadosamente -- de cabo a rabo -- até o terminar dos créditos. Vai lá. Vai valer a pena.

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Ah... pequena Valentina e seus olhos convexos de vendedora de sonhos. Enquanto deus, o acaso ou a vida bandida deu pra essa menina todos os traços pueris de uma delicadeza singular, quis ela apinhar no batom vermelho forte uma carga de iniquidade que transforma, dentro da cabeça dos menos desavisados, uma batalha eterna e maniqueísta que obviamente só vai criar mais confusão.

O resultado é uma paixão instantânea e estúpida que leva homens ao encontro da sua infância e, mais pra frente, do seu "eu" primal. Mas aí já é por conta da história.

Pulp Fiction, na definição inicial do próprio filme de 1994:

1. Uma macia, úmida e disforme massa da matéria.

2. Uma revista ou livro contendo um assunto escabroso e caracteristicamente impressa em papel áspero ou inacabado.

São nas histórias mais despretensiosas que se escondem as verdades mais absolutas. No caso do nosso Bom Dia de hoje, está oculta a proximidade entre o sexo e perversidade. Há quem goste do tratado angelical da fusão de corpos, mas é na sujeira que se encontra a cerne do tesão. Existe o prazer em machucar, em humilhar, em ser alvo da violência alheia.

Ela se mostra, de início, uma garota inocente, quase que usada para as tarefas mais desprovidas de intelectualidade. Como uma comandada fiel, ela lava, faz com alegria o que lhe é aparentemente mandado. Só que, apertando, aguardando e provocando, o final nos mostra uma faceta violenta e sádica. Ela gosta de machucar. A dor, a desconstrução da cordialidade gratuita.

Essa Terra em que viemos parar não possui alguém que não sinta um pingo de culpa e vontade incontrolável de apertar o gatilho dela, de pagar pra ver até onde ela pode chegar.

Somos todos perversos e culpados. Somos todos tarados e torpes.

Tá aí a diversão toda.

Mecenas: Loja do Prazer

Ano novo, vontades novas. É só entrar no site da Loja do Prazer pra descobrir apetites que você nem sabia que tinha.


publicado em 04 de Fevereiro de 2013, 08:33
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Lançou, nesse ano, seu primeiro livro de contos, o Ela Prefere as Uvas Verdes e outras histórias de perdas e encontros.

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