Como escolher sua churrasqueira

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Já fui apresentado a uma infinidade de genéricas, autênticas, similares e desengonçadas churrasqueiras. Entende-se por churrasqueira o local ou equipamento apropriado para se assar carne usando carvão ou lenha como calor de preparo. Vamos no popular: um lugar para se fazer brasas sob um apoio para espetos e grelhas.

O churrasco bagual e campeiro pressupõe Fogo de Chão, o autêntico, tradicional e primal. Deve ser feito com lenha, muita paciência e prática. A principal vantagem da carne assada no fogo de chão é a de não se ter a fumaça gerada pelo pingar da graxa nas brasas, impregnando a carne. O sabor é outro! O formato depende da quantidade de carne, desde um canto perto duma cerca, ou muro de galpão, até as grandes com fileiras de espetos especiais inclinados sobre um braseiro de poderoso com muita lenha.

Fogo de chão

Fogo de chão só cabe para cortes inteiros e grandes, costelão, quarto (pernil dos bovinos), paleta. É comum se assar um cordeiro inteiro aberto espetado em X. Churrasco para mais de metro. E tem de ter equipe de confiança para empreitada... Preparar, espetar, fazer fogo e manter o fogo, acertar o ponto, cortar e servir uma plateia de ávidos apetites. Normal!

A Trempe é comum nos CTGs, clubes e estâncias. São grelhas pesadas de ferro com pés altos que permitem assar desde cortes avantajados até a linguicinha enrolada. Em um canto fica a cambona com água chiada para o mate.

Uma churrasqueira muito usada é o Tanque de Tijolos. Vai abem para grandes quantidades de carne, tipo churrascão da empresa, casório, formatura com familião incluso. Fácil de fazer. Para quebrar galho em churrascos maiores nem precisa de cimento, é só empilhar com apuro e acertar a altura em relação ao tipo de carne.

Tanque de tijolos

São comuns também as de tijolos feitas em clubes e campings, com lugar para espetos ou grelha, aconselho porém a instalação de uma pia ao lado.

Tipo especial é a Lareira com lugar para espetos de pé. É rara, encontrada em alguns galpões de estância. Dá para fazer um assadinho caseiro na lareira da sala, mas a possibilidade de fumaça ou de pular alguma brasa no tapete afegão é grande. E assar sentado em um banquinho, para cuidar do assado, ninguém merece.

Umas de minhas prediletas, até por ter sido iniciado na prática do assado em churrasqueiras de este tipo, é a feita com Meio Tonel engastado numa armação de ferro. Proporciona uma churrasqueira ótima para todos os tipos de assado. É a churrasqueira de camping aumentada para se fazer um autêntico assado. Muito prática, pois pode ser mudada de lugar, no caso de de ventos e de chuviscos inesperados.

Meio tonel

Não sei se incluo Churrasqueirinha de Camping, pois só se presta para linguiças, coxinhas e coisas pequenas demais para ser considerado churrasco. Aqui no sul do sul, tem uma parceria que usa para fazer churrasco na praia do Cassino. Não gosto de churrasco perto de areia, mas é a nossa versão da farofa nacional.

A tradicional churrasqueira de Parede é a rainha das garagens gaúchas e de outras plagas. Todavia muito difícil é achar alguma na qual a relação tamanho da boca x profundidade x altura do fogo x apoio de espetos seja adequada. Diz uma regra de construção que a boca deve ter o dobro da área do buraco da chaminé, que deve ser bem alta para ter um bom puxe da fumaça evitando o desagradável rebojo.

Parede

Um dos piores e frequentes erros é a de construir muito funda, desperdiçando do carvão e calor, e ficar um feição ruim de lidar com as brasas. Alguns preguiçosos acoplam um aparato com motorzinho para fazer os espetos girarem. Aí prefiro comer galinha assada em televisão de cachorro, nada a ver.

As churrasqueiras tipo Parilla, são comuns no sul do Rio Grande, padrão no Uruguai e Argentina, de onde foram importadas. Utilizam grandes grelhas inclináveis, o fogo de lenha é feito ao lado ou no fundo, e vai se puxando a brasa para debaixo do assado. O fogo da lenha puxa a fumaça, eliminando seu gosto. Os espetos são desnecessários, mas limpeza da grelha é sempre trabalhosa. É bom conhecer bem o manejo para se aventurar, mas depois é um abraço.

Parilla

Um vivente quer saber sobre assado de acampamento sem apetrechos, só lenha e espetos colhidos na natureza... acho bonito e meio aventureiro, lenha não é difícil de achar, mas para espetos nem toda madeira serve, bambu ainda dá para corte pequenos, mas aí vira churrasquinho de gato!

Fica a sugestão, já que o índio vai levar uma pá para fazer o buraco e a faca tipo Rambo para cortar tudo que vê pela frente, pode roubar a grade do forno do fogão, apoiar sobre algumas pedras e fazer um churrasquito bagual. Só não me saia matando a nossa fauna que já anda escassa como dinheiro no fim do mês.

Buenas e me espalho, e me quedo esperando sugestões e dúvidas dos que se aventuram pelo Papo de Homem laifiestaiu.

Breve glossário


  • Bagual: pessoa simples um tanto grosseira, para os gaúchos é qualidade.

  • Campeiro: acostumado com a lida rural.

  • Cambona: lata de óleo com cabo de arame, na qual se esquenta a água para o mate.

  • Estância: é como os gaúchos se referem às fazendas.

  • Praia do Cassino: dizem que é a maior praia do mundo, na cidade Rio Grande.

  • Puxe: sucção da churrasqueira, se for fraco fumaceia!

  • Rebojo: é o retorno da fumaça.

  • Televisão de cachorro: assadoras de frango giratória, das portas da padocas.

  • Vivente: pessoa.

  • Índio: também pessoa, mas um tanto mais bagual.

  • Quedo: fico, do portunhol.


publicado em 07 de Julho de 2010, 05:56
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Luiz Minduim

Luiz Minduim é artista gráfico, professor, cozinheiro, assador bagual e balaqueiro dos bons! Mora em Pelotas, região do grande Pampa há mais de 30 anos, gaúcho por opção e coração.

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