Como fazer sua Corrida da Cerveja

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Falamos com a mente maquiavélica por trás do maior evento etílico-esportivo já desorganizado no país, a Corrida da Cerveja de Brasília.

Desorganizado porque foi formatado para conter apenas uma dúzia de pinguços, mas no dia do Big Game mais de 4 mil pessoas apareceram com seus engradados no Eixão. O time ganhador fez o percurso em apenas 30 minutos. É uma garrafa de cerveja a cada 5 minutos caminhando a 6 km/h.

Este artigo de 2007 registrou aqui no PdH a experiência de uma edição bem pequena, com apenas 5 equipes. Há também um vídeo deste magnífico encontro atlético.

Como expliquei ao G1, a ideia é fruto da mente doentia do meu irmão. Ele, por sinal, tem uma cervejeira e uma fábrica de cerveja em casa. Foda.

Bate-papo com Daniel Ribas

Daniel Ribas: Viu a loucura que vocês criaram aqui?

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Pra saber quem está realmente na frente, só olhando quanta cerveja ainda resta | Créditos: Ândrea Possamai

Bender: Nós nada, vocês. Eu fui só a má influência.

Daniel Ribas: Pois é, cara, e que má influência!

Bender: Parabéns pelo sucesso do empreendimento. Tenho certeza que não foi fácil.

Daniel Ribas: Isso porque o nosso começou igual ao de vocês, pra poucos amigos. A internet é foda...

Bender: Eu lancei para o Twitter no momento em que recebi um email com o link do blog oficial. Graças a várias retuitadas, inclusive do pessoal do PdH, rapidinho o pessoal mais fofoqueiro da Internet já estava sabendo do evento.

Que bizarro isso, cara, eu e o Felipe nem Orkut tínhamos, muito menos Twitter. Criamos um Orkut só por causa dessa parada, para gerenciar a comunidade da corrida lá. Sempre fomos os anti-pop da galera e isso acontece logo conosco. Ideia abençoada essa do teu irmão.

Bender: E tem vídeos? Além das fotos do Flickr?

Daniel Ribas: Temos que editar ainda, mas a galera já jogou alguma coisa no YouTube.

Link YouTube

A incrível multiplicação de bêbados

Bender: No início, logo depois do blog, quantos vocês eram para participar?

Daniel Ribas: Esperávamos cerca de 20 pessoa. Cito o primeiro email para nossos amigos: "Se fecharmos 5 equipes a prova rola, se não é melhor deixar quieto".

Bender: Deu certo. A matéria do G1 de sexta dizia que teria mais de 300 participantes. Como pode pular de 300 para 2800 em 2 dias?

Daniel Ribas: Pra você ver como a coisa aconteceu bizarramente rápida. Na quarta, tínhamos em torno de 100 equipes, entre duplas e quartetos, inscritos. Quinta e sexta resolvemos fazer um estande pessoal de inscrição. Pra quê? Foram 4 horas de fila na frente para se inscrever.

Bender: Quando foi que a rádio entrou em contato com vocês?

Daniel Ribas: O primeiro contato deve fazer 2 semanas. Apenas 2 dias depois de lançar o blog. Fui eu quem montou, totalmente tosco e no improviso.

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Após anos de treinamento, um exemplo de superação.
| Créditos: Ândrea Possamai

Pagode do alemão louco

Bender: Quanto tempo durou a prova?

Daniel Ribas: Os ganhadores terminaram em meia hora. A equipe feminina demorou uns 45 minutos, chegaram trocando as pernas.

Bender: É foda terminar, né? Porra, 30 minutos é o novo recorde mundial. :D

Daniel Ribas: A galera que ganhou era pedreira.

Bender: E vocês pretendem fazer o que agora?

Daniel Ribas: Agora é fazer de novo, mas dimensionado pra esse tanto de gente.

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Correr, carregar o engradado e beber ao mesmo tempo: poucos conseguem tal proeza.
| Créditos: Ândrea Possamai

Bender: Quando vai ser isso? Ano que vem?

Daniel Ribas: Aham, só não sabemos quando. Muita gente querendo que seja semestral. Mas vamos ver isso com calma.

Bender: Melhor ser anual.

Daniel Ribas: Pois é, melhorar o prestígio do lance.

Bender: A reportagem da TV Globo foi meio negativa. Logo eu pensei na má repercussão desse evento. Como foi o contato com os patrocinadores? Quantos foram, no total?

Daniel Ribas: A reportagem da Globo no jornal local não teve nada a ver com o evento, falaram que foi cancelado, que serviu de protesto político. Nada disso procede. Os patrocinadores vieram por um produtor de eventos que nos contatou no início.

Link Globo.com

Daniel Ribas: Foram 3 patrocinadores e 2 apoiadores. Uma choperia, um paintball e uma pizzaria. Apoiadores foram a produtora do cara que arrumou os patrocínios e a Jovem Pan.

Bender: E os patrocinadores gostaram da brincadeira?

Daniel Ribas: Os patrocinadores ficaram vidrados na coisa toda, querendo expandir pro ano que vem, fazer uma coisa enorme.

Bender: Mas um evento melhor organizado sai mais caro. Que inclua limpeza e mais fiscais.

Daniel Ribas: Claro! A limpeza eu conversei com o superintendente do SLU e ele me explicou o procedimento certinho. Na próxima teremos um custo muito mais alto, mas também podemos aumentar um pouco a inscrição pra cobrir isso, já que 5 reais por pessoa é bem baixo.

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Essa foi a única foto que achamos para mostrar o tamanho da fila de inscrição.
| Créditos: Ândrea Possamai

Bender: Por que foi escolhido o Eixão?

Daniel Ribas: Porque é um símbolo da nossa cidade. Quase todo moleque que cresceu na região central da cidade já foi domingo no Eixão andar de bicicleta, brincar ou correr. Fazer uma corrida da cerveja lá contrasta com isso e com a ideia da galera que acorda cedo pra ir fazer um exercício e cuidar do corpo.

Bender: A corrida realmente começou às 10h? No Twitter, eu vi gente dizendo que tinha acordado tarde e perdido a brincadeira.

Daniel Ribas: Cara, começou perto das 11h. Às 10h25, a fila de cadastro tinha 1 km de comprimento, foi quando resolvemos mandar todo mundo pra largada sem cadastro mesmo. Fizemos um cordão humano com os seguranças e alinhamos todos no local indicado, daí começamos a gritar e tocar umas buzinas pra incitar a galera e saímos da frente.

Quem acha que 300 é um filme legal não viu a nossa largada.

Dicas para quem quer fazer a sua Corrida da Cerveja

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Daniel Ribas (à direita) e demais organizadores. | Créditos: Ândrea Possamai

Bender: Na tua opinião, por que esse evento de Brasília deu certo? O que tu recomendaria para aqueles que querem fazer algo parecido em suas cidades?

Daniel Ribas: Acho que deu certo por vários motivos. Primeiro que Brasília carece de eventos desse tipo, só o que temos são boates e shows de sertanejos. Então quando aparece algo diferente o pessoal adora. Segundo por que onde tem cerveja tem gente. E terceiro por que é uma coisa simples, que dá margem pra galera se divertir de várias formas, seja correndo pra competir, se fantasiando ou fazendo seu churrasco.

Se for fazer algo desses em outras cidades, primeiro recomendo o planejamento prévio para dimensionar o evento ao número de pessoas esperado, além de procurar todas as orientações possíveis dos órgãos competentes.

Bender: Até que horas foi a confusão?

Daniel Ribas: Cara, a gente saiu de lá às 13h e a coisa ainda estava animada. A prova tinha acabado, mas a galera tava toda bebendo na linha chegada, banda de pagode, som de carro, chuva de cerveja...

Bender: Pelas regras, não precisava levar o engradado e era permitido rodinhas. Algum motivo em especial para não seguir as (toscas) regras originais?

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Boa a estratégia da toalha, mas cadê o engradado?
| Créditos: Ândrea Possamai

Daniel Ribas: Rodinha não era permitido na nossa também, nem rodinha e nem arrastar. Mas abrimos a questão do engradado por que muita gente nos mandou emails falando que gostariam de levar latas.

Bender: Sim, sim, essa é uma boa ideia.

Daniel Ribas: Mas frisamos que a originalidade da prova era levar o engradado. Por isso também que separamos prêmios maiores para quem levava um só recipiente por equipe, em vez de várias mochilas ou sacolas térmicas.

Bender: Essa eu acho que é a diferença entre a MaraToma e a Corrida da Cerveja.

Bender: Na MaraToma, os caras não precisam levar a bebida chacoalhando e esquentando. É o tipo de coisa que forma o caráter de um homem.

Daniel Ribas: Isso! Num dos programas que cobriram o evento, o repórter pergunta a um grupo de loucos: "Mas a cerveja de vocês tá quente, como que vocês vão beber?" Aí o cara olha meio puto "Vou beber quente, que mais eu faria com a cerveja?".


publicado em 19 de Dezembro de 2009, 03:00
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Daniel Bender

Tolo pagão, ex-estivador e boxeador nas horas vagas. Montou uma loja voltada para machos convictos ("Mulher, Cerveja e Futebol") e seu blog é um verdadeiro milagre do Mobral.

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