Gimlet: Dr. Drinks ensina a ficar bêbado com classe

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Sempre prezamos aqui pelo consumo responsável de álcool e pela contemplação do espírito de um drink. Porém, hoje ensinaremos aos maiores de 18 anos, que não são mais meninos, a enfiar o pé na jaca com classe.

Pois é, a condição de bêbado pode ser administrada e até contribuir para seu sucesso, como explico mais abaixo.

Link YouTube | Playlist completa com todas as 32 receitas do Dr. Drinks

Origem do drink

Sabe o que significa Gimlet? Verruma. Uma ferramenta muito antiga que foi substituída pela furadeira nos tempos modernos.

No final do século XIX, General Sir Thomas D. Gimlette (sacou?), médico da marinha inglesa, servia este drink como forma de induzir seus convidados a ingerirem suco de limão, importante fonte de vitamina C, cuja deficiência facilita o aparecimento do escorbuto, doença que ainda assombrava o mundo na época. Dessa forma amigável, o suco de limão "penetrava" no pessoal.

Vamos combinar que existem metáforas bem mais interessantes para penetração, não acha?

Receita do Gimlet ao estilo Dr. Drinks

Para fazer o drink favorito do detetive particular Philip Marlowe, personagem de todos os romances policiais de Raymond Chandler (e do próprio autor), você precisará de:


  • Uma taça de matini

  • Gelo

  • Gin

  • Suco de limão espremido na hora

  • Simple syrup (xarope de açúcar)

Adicione gelo à coqueteleira, 2 doses de gin (a receita clássica é em onças, então 2oz = 60mL) , suco de meio limão (25mL) e 5mL de simple syrup. Bate até gelar a parede da coqueteleira e sirva o drink coado sem gelo algum na taça de Martini previamente gelada.

Os mais puristas recomendam fazer o drink mexido, mas sinceramente prefiro que alguns martinis sejam batidos, pois no caso de estar usando uma base muito forte, o aspecto aerado proporcionado pela batida na coqueteleira deixa o drink mais leve.

Gimlet, direto da bancada de gravação, antes do Gitti meter a mão

A bebedeira é também um estado de espírito

Se gosta de Blade Runner e L.A. Cidade Proibida, se é fã de Tarantino ou ainda se curte de filmes noir como os de Billy Wilder e John Huston (o pai da Anglelica Houston, a Mortiça Adams original), saiba que todos eles foram influenciados por um bêbado de grande valor: Raymond Chandler.

O cara era de um profissionalismo invejável, a ponto da Paramount Pictures por em produção A Dália Azul antes mesmo de ele ter começado a escrever o roteiro. Chandler dizia que "um homem deve ficar bêbado ao menos duas vezes por ano apenas por princípio", então quem sou eu pra dizer que não.

Duas semanas após começarem as gravações do filme, Raymond estava sofrendo de um grave bloqueio criativo para escrever o desfecho da história. Na época, era um alcoólatra em recuperação e já estava sóbrio há algum tempo, então negociou com o produtor do filme uma completa recaída para que pudesse furar o bloqueio.

Eis um pedacinho do resultado:

Link YouTube | Repare na taça perto do rapaz bem alinhado e adivinhe que drink é!

Bêbado com classe

Exceto os abstêmios que leem minha coluna, os quais agradeço imensamente por lerem mesmo sem eu postar tantas receitas sem álcool assim, duvido que a maioria que lê esse post nesse momento nunca tenha perdido a mão na bebida e junto com ela a noção e, obviamente, o copo.

Normalmente ao ficarmos bêbados somos imediatamente reprovados pela sociedade hipócrita e pseudo-moralista que vivemos. Por quê? Porque o pensamento que rege a conduta comportamental do meio em que vivemos diz que não podemos ser fracos, não podemos errar, temos de ter um bom emprego, salário, construir carreira e mais uma série de baboseiras que no fundo querem dizer: seja apenas melhor que seus pais e vá além de onde eles foram.

Link YouTube | Cena inicial de "Trainspotting": afinal, quem decide o rumo de sua vida?

Achei pertinente falar de Chindler neste post, pois ele foi a prova viva de que mesmo bêbado um homem pode ter muito valor, afinal quando ele teve a recaída autorizada para acabar de escrever o roteiro de A Dália Azul, a Paramount disponibilizou equipe médica 24 horas, seis secretárias e limosines para que ele tivesse as melhores condições possíveis para trabalhar.

A câmera escura

Chindler segurou muito bem sua onda mesmo mantendo-se bêbado por dias a fio e escreveu assim um grande clássico do cinema dos anos 40. Isso é um exemplo de que mesmo bêbado um homem (ou mulher, lógico) deve ter responsabilidade e honrar seus compromissos, segurar sua onda. Por isso não acredito muito em desculpas esfarrapadas de embriaguez para justificar determinadas atitudes.

Quando falo em beber com responsabilidade, não falo em beber pra não ficar bêbado, mas falo em beber e ter responsabilidade por seus atos, de ter coragem de admitir seus desvios de caráter mais sombrios que o álcool ajudou a liberar. Ser você mesmo e ter coragem para admitir isso.

A bebida é como um estúdio fotográfico. É a câmera escura de nós mesmos. A cada dose ela vai nos revelando até que chega uma hora que somos totalmente nós mesmos.

E aí, o que você faz nessa hora? Cai bêbado? Chora pela amada(o) que se foi? Perde totalmente a noção da realidade e de si mesmo e deixa a vida rolar? Ou consegue preservar o pouco de dignidade que o álcool não levou embora?

Baladinha Smirnoff Black

Essa noite fui na balada The Kichten: House and Rock. Animal! Promovida por Smirnoff Black no Cartel Club, a proposta é misturar um DJ de house fazendo live PA com músicos de rock (esta noite), Back house (semana que vem) e Samba-eletro-house daqui duas semanas. Gente bonita e 3 drinks exclusivos de Smirnoff nº55 (a Black).

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publicado em 07 de Maio de 2010, 04:50
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Junior WM

Um grande apreciador de história e histórias. Vive a vida de forma que seja lembrada como honrada e humana. Ama os prazeres da vida e sua família. Escreve sobre passar pelo mundo com dignidade e alegria. Contribui com a revolução digital por acreditar em seu caráter humanitário e num mundo melhor.

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