O Efeito Borboleta: antes feia, agora gostosa (Ou a vingança de Kizzy)

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No colégio ela era rejeitada e ignorada por todos. Hoje qualquer um dos seus amigos se casaria com ela sem hesitar. Esqueça a teoria do caos: é a biologia que explica esse outro efeito borboleta.

Conheça a minha história e depois leia 3 depoimentos de garotas que eram feias e agora são maravilhosas.

Adolescência: espinhas, panelas e bullying

Invenção da modernidade, a adolescência é um momento cruel. Rebeldia, impaciência, desconforto, incompreensão dos pais e muitas provas de química, matemática, física... Soa familiar? É a luta contra a espinha que parece um quindim, a guerra com a menstruação que incomoda profundamente, a competição incessante pela popularidade no colégio.

Talvez seja a etapa da vida mais cruel e segregada do ser humano. Grupinhos fechados são formados e, para que haja a absorção de algum membro externo, este tem de ser muito semelhante ao grupo nas vestimentas, na forma de falar e cumprimentar, poder aquisitivo e outras coisas mais.

Até na comunidade dos nerds/geeks é preciso ter algum tipo de habilidade para então poder participar. Você manja de Linux, cara? Você lê Watchmen? Não? Então sinto muito, você pertence aos emos.

Para completar, o bullying é a violência física ou psicológica que acontece com mais frequência nessa época, como bem mostra o polêmico jogo Bully, com toda a sua trama passada no colégio por um adolescente.

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Cyber bullying já causou até suícidio de uma vítima (acima um dos exemplos mais amenos)

A boa nova da adolescência é que ela passa, assim como tudo na vida. O tempo não para, como já dizia o eterno Cazuza na época em que havia o acento diferencial.

Eu tive a sorte de sempre ter jogado bola bem, então fazia parte de um grupo bacana e querido na adolescência, o do time de futebol do colégio. Nunca fui alvo do preconceito sagaz dessa época mas também não era um cara mala que estereotipava e inventava apelidos para todo mundo. Sempre fui um homem sensível nesse sentido.

A rejeição (ou a doce decepção com Kizzy)

Mas então um belo dia, comecei a receber bilhetes na hora do intervalo. Bilhetes anexados ao meu caderno de uma suposta admiradora secreta que se dizia apaixonada por mim. Como eu era um franco-atirador na época, respondia demonstrando interesse e então essa ladainha se estendeu por mais algum tempo sem a garota se revelar. Parei de responder os bilhetes e a suposta admiradora entendeu o recado: ou ela mostrava a cara ou acabaria essa brincadeira sem emoção.

Lembro-me como se fosse hoje, era uma sexta-feira. Combinei de encontrá-la atrás de um quiosque onde os meninos da época costumavam beijar as meninas, escondidos dos inspetores. O quiosque era redondo. Fui contornando-o lentamente enquanto a imagem dela também ia se revelando aos poucos...

Doce decepção. A resistência dela em me ver estava explicada: a garota se chamava Kizzy e era uma das mais feias do colégio. Eu nunca fui um cara escroto, então conversei com ela normalmente, mas naturalmente não a beijei. Como eu estava nutrindo as esperanças dela durante o papo manuscrito às cegas, notei que a minha recusa a deixou bastante decepcionada.

Muitos anos se passaram, aquele ruivinho com dente torto continuava a mesma coisa, o gordinho playboy tinha ficado magro e bonitão depois da lipoaspiração e a menininha cheia de espinhas estava com a pele lisa depois de um bom dermatologista e alimentação sem frituras. Eu? Modéstia às favas tinha mudado para melhor também – não era macaco gordo, mas quebrava um galho.

E foi numa bela noite, num barzinho, que o feitiço se voltou contra o feiticeiro...

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Lembra da fila de garotas feias que você ignorava no pátio do colégio? Então...

O reencontro (ou a vingança de Kizzy)

Na mesa de um bar com os amigos, todo mundo na maior animação com a mesa ao lado com três belas garotas que até então se demonstravam também interessadas por nós. Uma delas em especial era uma gracinha. Alta com olhos claros, pele branquinha, como que vinda do leste europeu.

Um amigo mais cara de pau as convidou para juntarem as mesas e até então sem problemas... Casais formados com três garotas para três caras. Para minha alegria, a que eu achava mais bonita sobrou do meu lado.

Eu: Olá, tudo bem?
Ela: Tudo certo... O quê você faz?
Eu: Eu faço turismo. E você?
Ela: Eu faço moda.

Conversa vai... Conversa vem...

Eu: Desculpas, mas não perguntei o seu nome, como se chama?
Ela: Eu me chamo Kizzy, lembra de mim, Rodrigo?

Às vezes eu acho que quando uma mulher não aceita nossas desculpas de que fizemos alguma coisa errada porque estávamos bêbados, ela está certa. Pois é incrível com o efeito do álcool some de uma hora para outra dependendo da situação.

Eu: Kizzy? Esse nome não me é estranho. Kizzy do colegial?
Ela: Eu mesma...

Enfim não vou descrever o diálogo inteiro mesmo porque vocês já sabem o final correto? O final é que eu sou pegador mesmo e nunca levei um fora na vida, e ela ficou comigo rapidinho...

Errado, vocês estão certos, o final é que eu levei um fora delicado, assim como o fora que ela recebeu de mim anos atrás.

Esse é o efeito borboleta, caro amigo. A menina era horrível quando mais nova e agora está parando o quarteirão. Aquele gordinho que ficava comendo solitariamente o seu rocambole no intervalo, agora está por aí andando de Mustang com uma modelo do lado. Aquele nerd, que ficava o dia inteiro no computador, fundou o Google e virou magnata.

Eu sei que ninguém é obrigado a fazer caridade no presente beijando o trabuco e esperar que a pessoa vá ficar atraente, mesmo porque tem gente que fica feia a vida inteira, mas quando o contrário acontece dá uma vontade de voltar no passado...

Quem nunca viu os famosos exemplos das celebridades que se diziam feias no passado e agora estão no ponto? Cristiana Oliveira, Sienna Miller, Giselle Itié, Jennifer Lopez, Cláudia Raia, Jennifer Aniston etc.

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A feiura é apenas um teste.
Não precisa esperar o tempo passar, v
ocê tem de ver através.

3 garotas falam sobre o efeito borboleta

Como o nosso mundo não é o das celebridades, coletei o depoimento algumas garotas normais que eram feias e rejeitadas na adolescência e que agora estão bonitonas e fiz duas perguntas:

1. “O bonitão que te desprezou no passado, tem chances no presente, continuando bonitão?”
2. “O feio que te beijou no passado, tem chances no presente, continuando feio?”

Veja os comentários delas e divida conosco a sua experiência na adolescência, vale para os homens também, é claro.

Paloma (26 anos)

O bonitão que te desprezou no passado, tem chances no presente, continuando bonitão? Por quê?

Nuuuunca! Porque para mim o que importa é conteúdo. Se ele me desprezou no passado sem conhecer meu conteúdo só por causa da aparência, hoje que estou diferente menos ainda ele vai querer saber do meu conteúdo. E um cara que faz isso provavelmente também não tem conteúdo nenhum.

O feio que te beijou no passado, tem chances no presente, continuando feio?

Sim, se beijei no passado e não me importei com a aparência, não me importaria agora, pois com certeza se eu o beijei é porque algumas outras coisas além da aparência me chamaram atenção.

Bruna (24 anos)

O bonitão que te desprezou no passado, tem chances no presente, continuando bonitão? Por quê?

Não fico. Muitos que me desprezaram e me tratavam mal vieram querer ser amigos e tentar outras coisas. Eu sequer deixo criar amizade.

O feio que te beijou no passado, tem chances no presente, continuando feio?

Bem, se ele me pegou só porque eu era a única que ia dar bola para ele, e hoje ele quiser de novo, eu não aceito. Até porque não ia querer pegar o feioso de novo, sendo que estou bonita e posso ficar com uns mais bonitos. Agora se ele tivesse ficado porque realmente sentia alguma coisinha por mim, eu até poderia pensar. Mas mesmo assim acho que não, porque posso ficar com outros.

Natália (24 anos)

O bonitão que te desprezou no passado, tem chances no presente, continuando bonitão? Por quê?

Oportunidades não aproveitadas são desperdiçadas mesmo com as chances retornadas.

O feio que te beijou no passado, tem chances no presente, continuando feio?

Se ele tinha outras qualidades que me atraiam antes e que continuam me atraindo agora... Eu fico! Se eu te mostrar a foto do meu ex-namorado você chora.


publicado em 15 de Setembro de 2009, 09:58
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Rodrigo Carlomagno

Rodrigo Carlomagno é publicitário dono de 7 multinacionais e 2 mineradoras. Explora mais de 2000 filipinos ilegais que moram no Brasil sem passaporte. Precisa de mão de obra barata? Fale com ele.

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