O que é ser homem hoje?

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Incrível. Estamos num tempo em que surgiu a pergunta "O que é ser homem hoje?".

Pensem no absurdo disso! É como perguntar "Qual a função de um fósforo?" ou "O que é uma escova de dente?". Ou melhor, é como se fosse uma escova de dente se perguntando: "Como eu faço para ser uma escova de dente?".

Pois é, os existencialistas estão cada vez mais certos. Tudo bem fazer um charme perguntando "O que querem as mulheres?" ou até mesmo "O que é uma mulher?" (coisa que já fiz aqui), mas jogar a pergunta para si mesmo é demais.

O fato é que esse homem "simprão", mais tosco, sem refinamento, desses que não sabem nem o significado da palavra "subjetividade" ou "crise", esse homem, bem, que homem é esse? A identidade masculina foi questionada e a piada é: nós mesmos não soubemos responder direito.

O Dude ensina que ser homem é não se preocupar em tentar ser homem.

Vieram várias respostas. Uns nem tentaram responder, viraram as costas, alisaram o cabelo com chapinha e hoje vivem felizes. Outros ficaram com a pergunta entalada e até hoje guaguejam. E outros arriscaram respostas com suas próprias vidas.

A resposta de Levni Yilmaz

Eu já vi quase todos os vídeos da série Tales of Mere Existence, do genial Levni Yilmaz. O mais recentes, publicado na semana passada, fala sobre o que é ser homem hoje em dia: "How to be a man?".

Ele está certo. Antigamente era mais fácil, as identidades e as posições masculinas eram mais definidas. Hoje a coisa está tão confusa que surgiram vários manuais com dicas de como ser homem:

Link YouTube | "How to be a man?" - Tales of mere existence, de Levni Yilmaz.

A resposta de Contardo Calligaris

Não está bem claro o significado da instrução "Seja homem!". Se o papel de provedor já não nos é exclusivo, o que sobra? Provar a masculinidade trepando por 3 horas sem parar, fazendo musculação, luta, esportes mais próximos da morte?

Perde-se a virilidade quando se acostuma como a vida cotidiana que não tem quase nada de heróica ou aventureira? O que demanda mais destemor? Construir um império transnacional ou ter um filho e levá-lo para a escola todos os dias?

"Talvez os heróis "de uma peça só" (digamos assim) ainda prevaleçam, mas há claros sinais de que o ideal masculino da década que acaba é o do homem corroído ou, no mínimo, arranhado por seus próprios demônios internos.
Na televisão, por exemplo, a década começou com um chefão da máfia tendo que recorrer a uma psicoterapeuta ("Família Soprano", HBO) e acabou com o terapeuta de "In Treatment" (HBO), que é verossímil (e adorável, aliás) justamente por ser tão perturbado quanto seus pacientes. Além disso, tanto o herói de "The Mentalist" (Warner) quanto o de "Lie To Me" (Fox) parecem dever suas aptidões extraordinárias às feridas de seu passado. O mesmo, provavelmente, vale para "House" (Universal).
Em 2009, foi montada, em São Paulo e no Rio, uma peça de minha autoria, "O Homem da Tarja Preta". Pois bem, quando eu a escrevi, cinco anos atrás, parecia-me ousado expor assim a fragilidade do "macho". Hoje, já acho que as dúvidas, os conflitos psíquicos e as fraquezas atormentadas são o equivalente da ferida de Filoctetes, ou seja, quase o fundamento da eventual força do homem contemporâneo. É um progresso, não é?" –Contardo Calligaris

Sobre essas e outras questões, indico uma entrevista, a peça O homem de tarja preta, escrita por Calligaris (na época em que vi, estava em cartaz no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura), e essa resposta dele:

Link YouTube

A resposta de Fabricio Carpinejar

Um escritor gaúcho feio igual ET com unhas pintadas e uma bela mulher ao lado. Ao lado do mestre Xico Sá, Carpinejar vive definindo o macho moderno, criando aforismos sobre mulheres, sexo, amor. Não sei ainda se é um desserviço ou se a coisa presta mesmo. Estou lendo Canalha e Mulher perdigueira para confirmar. Um trecho:

"Aquele cafajeste de outrora mudou, não é mais o tipo machista e intolerante. Esqueça os personagens de Jece Valadão. Há outro canalha mais perigoso em ação, uma mutação cultural: um canalha caseiro, que não tolera preconceito (aceita ser confundido com gay e entende o chamado como um elogio), que vai fundo no sofrimento para não repeti-lo, gentil dentro das expressões, que ama demasiado os filhos, que se veste com estilo, mas não se importa com o que os outros vão pensar, que encontra a autocrítica no humor, que se aproxima de uma mulher para roubar sua alma (porque o corpo é muito influenciável." –Fabrício Carpinejar

A resposta de Machete

Talvez pela primeira hoje é possível incorporar traços do clássico machão, brincar de ser bruto na vida (do jeito que elas gostam na cama), justamente porque somos livres desse padrão. Dessa brutalidade lúdica podem surgir grandes qualidades, como precisão e impetuosidade.

Um exemplo caricato foi recentemente lembrado no PdH Shots:

Link YouTube

A sua resposta... pode lhe garantir um perfume The Secret.

O Guilherme já fez um post sobre esse perfume. Agora é hora de presenteá-los novamente.

Deixe um comentário com sua resposta para a pergunta "O que é ser homem hoje?" ou "Como ser homem hoje?". Vale contar uma história que exemplifique sua postura, vale falar de uma qualidade que define o espírito masculino, vale uma provocação bem humorada, vale chamar a namorada para vir aqui enchê-lo de elogios, enfim, qualquer coisa que seja autêntica.

Os autores da 10 melhores respostas (de acordo com o time PdH) receberão um perfume Antonio Banderas The Secret em casa. O resultado sai quinta, dia 16/12.

As mulheres podem participar. Nesse caso, basta descrever o que vocês acham que é ser homem hoje e depois presentear um amigo ou o marido.

Abraços!

Atualização (16/12): resultado do concurso cultural

Pessoal, tivemos quase 200 comentários. Escolhemos respostas com visões diversas (sem nos fixarmos a algum referencial do que seria a resposta "correta") e originais. Segue a lista dos 10 ganhadores e seus comentários.

Se ganhou, envie nome e endereço completo para pablo@papodehomem.com.br

Alex de Ávila:

"Ser homem hoje é ser: um Cap. Nascimento para a falta de caráter alheia, um Tony Stark para curtir a vida, um Jeffrey Lebowski para os próprios problemas, um Obi-Wan Kenobi para os filhos, e um Don Juan com a parceira."

Zombie:

"Eu definitivamente não sei o que é ser homem. Mas, ao mesmo tempo, eu tento descobrir. Fugindo do clássico "arcar com responsabilidades, controlar emoções e dar conta do recado", convenhamos... Isso é o minimo que um ser humano consciente busca fazer. Acho que a coisa toda reside na autencidade, na verdade. Pouco importa o que você parece, tem ou sei lá o que, sendo autêntico, o mundo sorri para você, seus amigos te respeitam, você se aceita, as coisas acontecem e aquela guria bacana se sente leve ao seu lado. E, pensando bem, a autencidade é uma caracteristica feminina marcante, também. Então, deixando a analise de lado, ser homem é transitar por todos os mundos, sem deixar sua essência de lado. Bem, acho que é isso."

Graziela Grazieadio:

"Meu homem reclama que eu não o deixo pagar as contas, que estou sempre preocupada em dividir as despesas e que isso, às vezes, o constrange. Meu homem diz pra eu não reparar na bagunça que ele deixa na casa, pede desculpas porque está tudo uma zona, tanto que mais um pouco nem eu me acharia pelos cômodos. E justifica seus desleixos, distrações e defeitos sempre com aquela frase manjada: "sabe como é, eu sou homem!".
Meu homem, um dia, me confessou que não sabia direito seu papel na sociedade, porque desde que as coisas se inverteram e as mulheres viraram bichos independentes, é como se ninguém no mundo fosse capaz de precisar dele.
O que ele não sabe é que, para mim, ele descobriu o segredo de como ser homem hoje em dia. Faz de seus defeitinhos um charme, e mesmo naquelas pequenas coisinhas que me incomodam transparece uma essência maravilhosa, de alguém que sabe o que quer e não deixa o supérfluo ser mais importante que o resto. Alguém que quer fazer a diferença e quer poder oferecer colo, proteção. Alguém que, mesmo adorando filmes violentos, de vez em quando me acompanha nas películas águas-com-açúcar porque sabe ceder. E que mesmo sabendo que, hoje em dia, a mulherada faz questão de dividir a conta, ainda é imprescindível e insubstituível na hora de matar uma barata ou abrir um vidro de picles.
Pra mim, ele parece mais forte naquelas raras ocasiões em que se abre sobre suas idéias e sentimentos. E cumpre seu tão desejado papel de macho provedor, aos meus olhos, quando me traz aquele bombom salvador no meio de uma crise braba de TPM, ou quando me ouve choramingar os meus pepinos, e ouve tudo com aquela coragem de um soldado prestes a ir pra guerra. E depois de aguentar meus murmúrios, me manda calar a boca, me pega de jeito e faz com que eu finalmente não me importe com mais nada. Enfim, sendo desta forma ele consegue ser destinatário, da minha parte, de um respeito de pai, um carinho de irmão, uma preocupação de filho, um tesão de amor eterno.
O que meu homem não sabe é que eu tenho um orgulho dele tão grande, mas tão grande, que até me incha o peito quando eu o chamo de MEU. Ele cumpre seu papel de homem na relação, sendo o chão pra eu sair do ar, sendo o fogo pra minha vida não secar.
O que, afinal de contas, é ser homem hoje em dia? É, a par de toda a modernidade e a tecnologia, e à revelia de todas as inversões de valores presentes, conseguir ser aquela criatura do cavalo branco, que as mocinhas esperam. Viril, másculo... mas ao mesmo tempo, compreensivo, companheiro, parceiro. Enfim: mesmo diante de todas as lacunas que o mundo moderno trouxe, é ser capaz de ainda completar alguém."

Kkohyeah:

"homem pra mim é aquele que se conhece, que sabe onde quer chegar e faz, busca sempre a exelência (não a perfeição) em tudo que faz. homem é aquele que faz, não perde tempo lamentando a sua falta de sorte. homem não tem zona de conforto, tem objetivos e é feliz na busca deles (não só no alcançá-los em sí). e quem fica resmungando que o carro que o pai deu é muito velho e que a faculdade (particular) tá apertada é menino velho."

Shâmtia Ayômide:

"Homem é aquele que está desenvolvido a ponto de saber penetrar em qualquer meio, tanto faz ele estar na China de 3000 anos atrás ou em Nova York ele seria o mesmo."

David Alexandre:

"Ser homem hoje ou em qualquer época é ser seguro o suficiente a ponto de não ter que pensar muito quando lhe fazem uma pergunta dessas. É não ter que perguntar "foi bom pra você", por se saber que foi sim. É não ter que se preocupar até que ponto você é fruto da sua criação ou de outras quinhentas mil influenciazinhas, porque no final o homem de verdade sabe que ele é o que as ações e decisões dele o tornaram."

Alison:

"Para mim, a identidade do homem começa no momento em que você se desliga de seus pais e passa a ser 125% responsável pelos seus atos. E a identidade se consolida quando define seu propósito de vida, alinhando suas ações rumo a esse propósito.
O homem também nunca se acomoda na vida, está sempre aprendendo algo, no seu limite, sempre com desafios e obstáculos. Lembra-se constantemente da sua morte, por isso não perde tempo com atividades medíocres e sem sentido.
Sua maior virtude é a generosidade. Oferece o que tem de melhor aos seres a cada momento sem esperar nada em troca. Apenas segue."

Eduardo Nani:

"Ser homem é tomar todo o conhecimento do mundo e transformá-lo em postura para agir."

Gabriel:

"A história nos dá muitos exemplos de homens, de grandes homens, e o que sempre achei interessante é que alguns possuíam características diametralmente opostas as de outros também considerados homens.
Não defino um homem por um conjunto de características pré-estabelecidas, mas sim pelo que vi em todos os homens que conheci, eles tinham um objetivo maior que eles mesmos e dedicaram suas vidas a cumpri-lo. Pra mim um homem é alguém capaz de não viver a vida apenas para si mesmo, é em ultima instancia tentar entrar para a historia, e isso não muda com o tempo."

Luis-Diana:

"Conseguir ser marcante como o MarlboroMan sem fumar, implacável como Clint Estwood sem sua Magnum44, romantico como Frank Sinatra sem saber cantar, conquistador como José Mayer sem ser ator da Globo, inteligente como Einstein sem inventar teoria nenhuma."

publicado em 13 de Dezembro de 2010, 11:42
Gitti

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com

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