Os 10 piores escudos do futebol brasileiro

  • Nossos atuais Mecenas:
  • Selo jockey

Primeiro foram os mascotes nonsense. Agora, seguindo a progressão natural das coisas, apresentamos os dez piores escudos do futebol brasileiro, provando que a cultura em torno do esporte mais popular do planeta é mesmo um poço sem fundo de ideias de jerico.

É compreensível que fundadores de um clube queiram criar um brasão marcante e estampar seus pavilhões com um símbolo inesquecível de valor e tradição. Mas não é porque entendemos que vamos deixar de dar risada.

Para elaborar essa lista, defini alguns critérios, sem os quais seria virtualmente impossível reduzir a dez o número de #fails no denso universo dos escudos do futebol.

Primeiro: só valem times ainda em atividade, por qualquer divisão de qualquer federação nacional. Segundo, e mais importante: só entraram escudos cuja concepção inicial é fundamentalmente descabida, e não a execução. Isso significa que ideias razoáveis prejudicadas por carência de recursos estão perdoadas.

Dito isto, deleite seus olhos nas dez piores tentativas de insígnias futebolísticas do Brasil.

Começando por...

10. Araguaína (Araguaína-TO | 1ª Divisão)

araguaina

O nome completo do clube é Araguaína Futebol e Regatas, e podemos ver claramente que a parte de regatas ganha seu lugar ao sol na forma de um bonequinho de banheiro em segundo plano no escudo. O bonequinho mostra-se aflito, transpirando, porque, em suas andanças de canoa, deparou-se com um touro feroz, o protagonista da cena.

É uma historinha tão completa que faz pensar porque alguém se incomodou em elaborá-la. Tem até título! “O tourão do norte”, como se lê ali embaixo.

9. Moreninhas (Campo Grande-MS | 2ª Divisão)

moreninhas

Olhe para este escudo e me diga se a primeira coisa que vem à sua cabeça não é “circo itinerante de baixo orçamento”.

Tem de tudo: a inscrição premeditadamente torta, a estrela socada no espaço que sobrou, o leão equilibrista... A combinação de elementos é tão tosca que parece um trabalho de colagem feito por alguém que não tinha cola.

8. Sousa (Sousa-PB | 1ª Divisão)

sousa

Criador do Escudo: “Aqui está”

Presidente do Clube: “Hmm, gostei da proposta do dinossauro, um bicho feroz, forte... Mas ele está meio grandinho, não?”

Criador do Escudo: “É que eu adooooooro dinossauros!”

Presidente do Clube: “Claro, nada contra, mas é que o nome do clube ficou muito espremido, mal dá pra ler. Talvez se a gente só reduzisse o espaço do dinossauro um pouco...”

Criador do Escudo: “NADA DISSO EU QUERO DINOSSAURO ELE TEM QUE SER GRANDE E EU AMO DINOSSAUROS!!!!!”

Presidente do Clube: “Tudo bem, como quiser! Mas abaixe essa faca!”

7. Atlético Colatinense (Colatina-ES | 1ª Divisão)

atletico

Desenhar uma parte representativa da cidade no escudo é uma forma de mostrar a identificação do clube com o local. É bacana também quando a cidade desenhada é a mesma à qual o clube pertence. Os responsáveis pelo Atlético Colatinense falharam em perceber esse detalhe e preferiram usar o Rio de Janeiro, como se vê pelo Cristo Redentor e a ponte Rio-Niterói.

Mas talvez tenha sido de propósito, afinal de contas duvido que Colatina tenha algo de especial para ser reconhecível só pela silhueta (e, com esta frase, estou oficialmente banido do Espírito Santo pelos próximos anos).

6. Lagartense (Lagarto-SE | 2ª Divisão)

lagartense

Talvez a intenção tenha sido transmitir sofisticação e requinte, mas fazer um monograma já é demais.

Imagino que o uniforme do Lagartense seja um roupão de veludo, uma calça de tweed xadrez e um par de chinelos felpudos e macios, e que os jogadores tenham frequentemente um cachimbo no canto da boca, uma xicará de chá nas mãos e uma das sobrancelhas erguidas.

Sem falar no fato de que não se consegue destinguir as letras, de tão emboladas que estão. Podem ser tanto as iniciais do nome do clube quanto uma prescrição médica.

5. Espigão (Espigão do Oeste-RO | 1ª Divisão)

espigao

Não basta ser infame, há que parecer infame. Ou seja, batizar o time com um nome um tanto quanto fálico não é o suficiente. É preciso também construir uma referência viril no escudo. Nada como uma reta em perspectiva crescente para frente e para cima, com uma terminação arredondada e levemente mais grossa no topo.

Sacamos a dica, é um time de machos. De onde eu venho, chamamos isso de “compensar”.

4. Aimoré (São Leopoldo-RS | 2ª Divisão)

aimore

Este escudo seria perfeitamente aceitável se não fosse pela frase de promoção de biscoitos logo abaixo do cacique garoto-propaganda com cara de quem não podia estar se lixando menos.

Mesmo assim ele parece que poderia quebrar todos os ossos do seu corpo com um mero olhar caso você se atreva a não “entrar nessa (sic) tribo!”. Eu, por via das dúvidas, sou Aimoré desde criancinha, viu chefe?

3. Força (São Paulo-SP | 3ª Divisão)

forca

Só o nome “Força” já é bem palerma, sejamos sinceros. Se você precisa usar uma palavra de efeito para batizar o seu time, é muito provável que você tenha alguma coisa pra provar (ver o caso do Espigão, mais acima).

Como chegaram ao conceito da flor murchinha é uma explicação que desafia qualquer raciocínio lógico. Talvez eles queiram dizer que os adversários vão acabar como aquela pobre flor quando ousarem se colocar no caminho do time, mas isso não me convence. Até minha irmã consegue esmagar uma flor, e ela ainda assiste High School Musical.

2. Jaraguá (Jaraguá-GO | 3ª Divisão)

jaragua

OK, mas o que diabos é isso? O clube foi interditado pela polícia esotérica, é o que querem dizer?

Ou será que descobriram que o terreno onde está construída a sede é na verdade um solo sagrado? Pode ser também uma homenagem dos fundadores à terra natal do clube, mas eu me recuso a cogitar que Goiás tenha algo de lendário. Este é claramente um daqueles casos em que a explicação só piora o lado do responsável.

1. Esporte de Patos (Patos-PB | 1ª Divisão)

esporte

(suspiro) É, é o Pato Donald no escudo de um time da cidade de Patos.

Tire suas próprias conclusões.


publicado em 10 de Outubro de 2009, 13:09
A5788f9c5ed16f58a767726581f01cf6?s=130

Guilherme Oliveira

Guilherme Oliveira é um zé-ninguém que assina qualquer coisa como "Grato, Guilherme" por algum motivo desimportante. Quando não está cometendo textos e outras delinquências menores, passa seu tempo convivendo com pessoas que são educadas demais para saírem de fininho.

Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há oito anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura