Vivemos numa geração meio mariquinha

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O Alexandre Matias pinçou, lá no Trabalho Sujo, um teco do texto escrito pelo Clint Eastwood que foi publicado na Piauí desse mês.

“Vivemos numa geração meio mariquinha, todo mundo diz: “Vamos lidar psicologicamente com isso?” Naquela época, você simplesmente sentava o pau e resolvia na porrada. Mesmo que o cara fosse mais velho e fortão, pelo menos você era respeitado por encarar a briga, e te deixavam em paz.
Não sei se dá para dizer exatamente quando começou essa geração mariquinha. Talvez tenha sido quando as pessoas começaram a se perguntar sobre o sentido da vida.”

Definitivamente o Clint Eastwood é um cara fodão. A gente já falou sobre ele mais de uma vez e já refletimos sobre as afirmações grosseiras e completamente pertinentes que ele lança, já na fase passada dos 80 anos.

Aqui no PapodeHomem, o Guilherme já afirmou que, em matéria de embate profissional, um murro na cara não dá demissão. Por aqui, amigo não acostumado com uma boa briga entre lenhadores, a chapa esquenta, o bicho pega, a giripoca pia, a casa cai, a porra fica séria.

Num mundo normal, corporativo, ideias seriam debatidas como quem come um sorvete de melancia, cheio de meandros, de cuidados para não escorrer, de como seria a forma mais perfeita de comer um gelado, como  obter a tal explosão de sabores. Ao final, uma nova reunião seria marcada para decidir o que foi apresentado na reunião anterior. Um papo mariquinha, feito por mariquinhas com o intuito de ter um trabalho tranquilo e marica.

Que? Você não gosta de sorvete de melancia? Acho que esse texto não é pra você. Tenta esse aqui do Gitti.

O lance é que, hoje, a violência é rechaçada pela sociedade. Não que devêssemos agir de modo contrário e fazer to nosso entorno um verdadeiro Mad Max. Mas, aparentemente, parece que ultrapassamos o limite de negar a violência e adentramos numa linha de pensamento anestesiada, em que qualquer ruptura do equilíbrio emocional é caracterizado como bruto, selvagem, retrógrado, bestial. Fomos criados por mulheres e esquecemos como pode ser útil e produtivo levantar a voz, mandar alguém tomar no cu, bater o pau na mesa e defender uma opinião, um sentimento, uma ideologia.

Temos que ser delicados, temos que debater em ordem, com parcimônia, deixar o outro falar, ouvir calado e transformar um revés em algo positivo. Nos instruíram, basicamente, a fazer da nossa vida e de todos a nossa volta um cobertozinho quentinho, fofinho e confortável. Tudo é uma white fluffy cloud esperando bundas macias e afáveis para aconchegar-se. Tudo errado.

Não tô defendendo a ogrice gratuita. "Há que endurecer, mas sem perder a ternura" (ou algo que valha).

Pensar é justo. Digo, é obrigatório. Mas pensar demais cansa e agir de menos engorda, amolece. Eu pensei e pensei por anos a fio enquanto mofava num cargo de banco. Quando parei de pensar e comecei a agir, virei editor do PapodeHomem e abri um hostel, o Santa Maloca.

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Dizem também que ler é mais "inteligente" que ver apenas uma figura.

Eu acho que tem gente que fala demais e, claro, faz de menos. O Clint Eastwood fala pra caralho e faz pra caralho. Taí algo de grande valor.

E cê acha que o mundo está mesmo dominado por "mariquinhas"? Ou temos, hoje, a maior quantidade da história de homens de respeito?

Obs: O texto publicado na Piauí foi, originalmente faz parte de uma entrevista dada à revista Esquire, em 2008, com o título de What i've Learned (ou, em bom portuga, "o que aprendi").


publicado em 23 de Maio de 2012, 07:01
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Jader Pires

É escritor e editor do Papo de Homem. Lançou, nesse ano, seu primeiro livro de contos, o Ela Prefere as Uvas Verdes e outras histórias de perdas e encontros.

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