"Vou só fazer um xixizinho e já volto..."

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Almoço de ontem. Mesa da minha frente. Um cara de terno com uns 45 anos conversa com uma mulher de 30 e poucos. Com foco no meu prato, não ouço nada do papo até que ele empurra a cadeira e fala claramente:

"Vou só fazer um xixizinho e já volto..."

A mulher muda de expressão na hora, como se perguntasse: "Um homem fala isso? Sério mesmo?". Ele não se toca do ruído cósmico que acabou de acontecer. Não sorri como se estivesse imitando alguém. Não finge que foi um espirro, que alucinou ser uma criança por alguns segundos ou que está tendo um ataque cardíaco. E vai ao banheiro como se nada tivesse acontecido.

É desnecessário responder à pergunta silenciosa da mulher. Vou apenas citar Fabricio Carpinejar, em Canalha:

"É pelas expressões que se define a segurança masculina. Sempre duvidei de homem que diz que vai fazer xixi. Xixi é coisa de criança. Eu não represo a gargalhada quando um amigo adulto e de vida feita comenta que vai fazer xixi. Imagino o cara sentado. Infantil como Ivo viu a uva.
Já urinar é muito laboratorial. Prefiro mijar, direto, rápido e verdadeiro. As árvores mijam. Os relâmpagos mijam. Os cachorros mijam para demarcar seu território. Aliás, o correto é não anunciar, ir ao banheiro apenas, para evitar constrangimentos vocabulares."

Carpinejar escreveu isso sobre o xixi porque ele nunca foi apresentado ao "xixizinho"...

Enfim, se você já falou algo assim, saiba que seu "xixizinho" escorre, digo, ecoa até hoje.

Teste: você diria que esse é um lugar para mijar ou para fazer um xixizinho?

publicado em 29 de Outubro de 2010, 08:08
Gitti

Gustavo Gitti

Professor de TaKeTiNa, autor do Não2Não1, colunista da revista Vida Simples e coordenador do lugar. Interessado na transformação pelo ritmo e pelo silêncio. No Twitter, no Instagram e no Facebook. Seu site: www.gustavogitti.com

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