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15 lições de vida que aprendi viajando

Lívia Aguiar deu a volta ao mundo e, no caminho, aprendeu sobre tempo, medos, vontades, sorrisos e sobre si

Nove meses de volta ao mundo mudaram minha vida. A volta para o Brasil foi dolorosa no sentido que tive que me reacostumar a ter uma casa, amigos que via regularmente, trabalho fixo… mas ao mesmo tempo foi ótimo voltar e perceber o tanto que aprendi enquanto viajava! Cresci muito, reestabeleci prioridades, mudei algumas atitudes – e ainda estou tentando mudar outras.

Para começar 2015 com o pé direito, compartilho com vocês algumas lições de vida que aprendi viajando e que tento seguir sempre:

15. Se você está gostando muito, não deixe para depois

Fazer planos de voltar é quase sinônimo de deixar para trás, especialmente quando se está na estrada. “90% dos clientes que dizem que vão voltar depois nunca voltam”, estatística de um vendedor do Mercado de Especiarias de Istambul. Isso vale também para histórias com pessoas: sabe-se lá o que vai acontecer enquanto você estiver longe.

Seja uma pessoa com quem começou a viver uma história ou uma peça de artesanato incrível a um preço que você pode pagar. É importante saber avaliar quando é hora de seguir com os planos originais e deixar o destino correr seu curso (quem sabe vocês se encontram de novo?) e quando vale a pena ficar um pouco mais ou levar com você para a próxima aventura.

14. Quanto menos coisas, melhor

Bens materiais fazem volume, pesam, geram apego. Quanto mais temos, mais medo dá de sermos roubados e isso nos deixa desconfiados. Cria a necessidade de trancas, grades e muros. Já ensinou o budismo que reduzir os pertences ao essencial para o próprio conforto nos faz pessoas mais tranquilas, abertas ao desconhecido, menos indecisas (sobre o que usar, quando usar). E também mais portáteis.

Quando me mudei de volta pra São Paulo, todas as minhas coisas (inclusive minha bicicleta) cabiam em um taxi – descobri isso do pior jeito possível, quando tive que sair às pressas de um apartamento por causa de uma ex-roomie louca.


13. Na dúvida, pergunte

A gente não precisa saber tudo. As pessoas do lugar sabem muito mais sobre ele do que nós, forasteiros. Mesmo se eles não puderem responder, darão uma pista para procurar saber mais depois ou seguir perguntando. Isso vale para um país novo ou um bairro da sua cidade que você não conhece bem.

Mas atenção que às vezes as pessoas dizem qualquer coisa ao invés de admitir que não sabem. Quando quero pedir ajuda para encontrar um lugar, por exemplo, sempre pergunto para quem trabalha ali. É mais provável que elas saibam indicar com precisão.

12. Existem mais pessoas boas do que más no mundo

Ao contrário do que os jornais fazem parecer, a maioria das pessoas do mundo estão aqui querendo ser melhores – com elas mesmas e com os outros. No fundo, estamos buscando as mesmas coisas: amor, atenção, uma vida material e espiritual melhor. Saber disso ajuda a compreender certas atitudes e nos torna mais tranquilas diante de situações novas.

Cuidado porque que isso é diferente de quando alguém insiste em colaborar contigo mesmo sem você ter pedido – especialmente em lugares turísticos, esse tipo de “ajuda” é provavelmente um golpe pega-turista.

11. Sorrir para estranhos não é estranho

Não quero dizer que é preciso sorrir pra qualquer um em qualquer circunstância, mas um sorriso para aqueles cruzam seu caminho as aproxima de nós, abre um canal de comunicação (ou nem tanto se a pessoa estiver mal humorada, hehe). A partir do sorriso você pode fazer um amigo, conseguir a ajuda que precisa ou simplesmente espalhar um pouco de simpatia pelo mundo.

Tem gente que me acha “simpática demais”, mas pra mim isso não é defeito! Faço mais amigos, me divirto mais e acabo chegando a lugares que nunca iria sem um convite.


Bigodón #retratosanonimos #arribamex #eusouatoa

A photo posted by Lívia Aguiar (@eusouatoa) on

10. Em caso de perigo, é melhor falar do que calar

Deixe o orgulho de lado e não sofra em silêncio! Ao fazer com que as pessoas à sua volta saibam que você tem um problema, você pode encontrar gente disposta a te ajudar a resolvê-lo.

Lição aprendida na Índia: ao contrário do que geralmente fazemos, se um cara passou a mão em você na rua, faça com que todo mundo à sua volta saiba disso. É provável que o agressor se intimide diante da atenção pública e leve a lição pra casa (tomara!). Se estiver em um lugar meio vazio e se sentir insegura, grite ainda mais.

9. Desesperar-se e perder a cabeça não adianta em nada

Quer seu problema resolvido? Seja firme, mas educada. Quando alguma crise acontecer, tome seu tempo para recobrar a calma e resolver a situação com a cabeça mais fria possível. A raiva impede que vejamos soluções para os problemas e também cria antipatia com quem está em volta e poderia nos ajudar.

Não tem nada mais feio do que alguém gritando irracionalmente, reclamando sem sentido ou xingando a esmo. Tira a paciência e afasta quem está por perto, a reação contrária à que você precisa se está com um problema.

8. Admitir estar errada é o melhor jeito de encontrar a resposta correta

Ao invés de ficar às voltas com as próprias teorias tentando descobrir onde cometi um erro para tentar conserta-lo, que tal apenas jogar a toalha e procurar a resposta em outras pessoas/livros/internet?

Sou taurina, né, teimosia é meu segundo nome. Eu vivo uma luta diária para ser menos assim e busco sempre dizer “você tem razão, eu estava errada” quando isso acontece.

7. O tempo passa diferente para os outros

Nem todo mundo vive no nosso ritmo. Eu, como uma pessoa da cidade, estou sempre acelerada, querendo tudo pra ontem. Mas nem todos são assim, há culturas em que o tempo é super alongado, especialmente quando os costumes são mais ligados à natureza. Entender isso é essencial para não enlouquecer diante de uma espera longuíssima (tenha um livro) ou aprender a contornar a demora e conseguir o que precisa num tempo mais curto (quando possível).

No México existe a expressão “ahorita”, medida de tempo que pode demorar de 3 minutos a 3 dias. Quando preciso de alguma coisa para AGORA, o que faço é argumentar sobre a importância daquilo naquele momento e não largo o pé da pessoa até que ela o faça.


Celebração à virgem de Guadalupe #arribamex #eusouatoa

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6. Os erros dos outros são lições para nós

Ouça atentamente, seja simpática à dor deles e, também, saiba distinguir entre o que saberia evitar se fosse você na mesma situação e os erros que você não precisa cometer.

Todo mundo tinha me dito que não era pra trocar dinheiro na praça de Yangon, mas eu estava por lá e acabei trocando algumas notas de US$100 – para depois descobrir que haviam me roubado o equivalente a 70 dólares! Fui arrogante ao pensar que não conseguiriam engalobar uma brasileira experimentada nas ruas de São Paulo e pã – conseguiram.

5. Dizer sim pode te levar a lugares inesperados

Sou contra essa de “diga ‘sim’ sempre”, porque tem vezes que você simplesmente não quer ceder à situação que lhe é oferecida. Mas se você curtiu a proposta, está se sentindo segura e tem o tempo/dinheiro necessário, por que não aceitar?

Escrevi este post sobre a maravilhosa experiência de me hospedar na casa de uma família de beduínos na Jordânia – tudo porque disse sim a uma mulher num ônibus!

4. Você é a sua melhor companhia

Amigos, família e namorado são ótimos e adoro estar cercada por eles, mas também é uma delícia tirar um tempo para estar sozinha, cozinhar para mim mesma (ou jantar sozinha), ouvir a própria música, ler um livro, fazer uma caminhada enfim: desfrutar dos meus próprios pensamentos. Esses momentos à sós são essenciais para nos organizarmos e descobrirmos o que é prioridade para o nosso coração.

Ninguém está vivendo sua vida além de você, por mais que as pessoas em volta sejam importantes e a companhia delas seja muito gostosa e desejável, você tem que se curtir em primeiro lugar.

3. Experimentar é o melhor jeito de saber se você gosta ou não

Deixe os preconceitos e medos de lado e vá em frente! Abrir-se para sabores e experiências novas podem te levar a descobertas interessantes – quem sabe a um novo prato favorito? Se o que você experimentou é ruim, basta comer apenas o primeiro bocado e dar o resto pra alguém. Se é horrível, encontre um lugar para cuspir discretamente. Se é bom, peça mais! Mas atenção: isso não quer dizer “deixe seu senso se segurança de lado”, claro. Siga a sua consciência.

Já provei de tudo: insetos fritos, sopa de pé de galinha, sanduíche de sorvete com arroz e feijão, milk shake de maconha, destilado de arroz com escorpiões em conserva dentro. Alguns deles foram bons, outros nem tanto. Ainda estou viva. Aliás, cada vez mais viva por causa dessas experiências :).


2. O que vale é obedecer as próprias vontades (não as dos outros)

Ok, experimentar é super importante. Mas depende da sua curiosidade e da sua vontade de experimentar, é claro. Ninguém pode te dizer o que você tem ou não tem que fazer, nem seus pais (depois que já estamos independentes deles, claro. Até lá, eles podem nos mandar ir à escola ou escovar os dentes, rs). Algumas pessoas nos mandam fazer certas coisas pelo nosso bem (como estudar e ter a boca sempre limpa), mas é preciso avaliar por nós mesmos. Saber o que nos faz bem ou mal, o que queremos para o futuro, onde queremos chegar. Às vezes concordamos com algo que não é exatamente o que queremos pelo bem de um grupo, para que não pensem que somos assim ou assado, para parecermos mais legais. Mas você é a única pessoa que precisa agradar! Não quer? Pule fora.

Eu, como blogueira de viagens e exploradora, estou argumentando que experimentar comidas estranhas é interessante, mas você precisa ser convencida disso para mastigar o primeiro gafanhoto :).

1. É preciso saber quais medos existem para serem superados e quais nos protegem do perigo

Estou sempre desafiando meus medos e me tirando da zona de conforto, mas nem todo medo é ruim, se em doses moderadas. Ter medo de altura nos afasta de desfiladeiros, por exemplo. Medo do escuro nos faz ir por caminhos melhor iluminados. Medo de multidões nos faz ficar atentas à bolsa dentro do metrô lotado. Medo de ter infecção alimentar nos leva a comer em restaurantes que parecem mais seguros. Medo de avião faz com que viajemos mais por terra, conhecendo o caminho por onde passamos. Mas medo demais pode ser paralisante, nos impede de viver experiências que seriam completamente seguras se tomadas pequenas precauções.

Meditação e autoconhecimento são necessários para encontrarmos nossos limites e saber quais são as situações em que o medo deve ser ignorado para irmos em frente – e em quais é melhor ficar onde nos sentimos confortáveis.


publicado em 21 de Janeiro de 2015, 00:05
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Lívia Aguiar

Mineira de Belo Horizonte, feminista, mochileira, jornalista e especialista em redes sociais – assim, nessa ordem. Gosta de viajar, fotografar, cozinhar, ler contos de fadas e de escrever sobre todos esses temas. Em 2012, largou tudo para ver o mundo com os próprios olhos e nunca mais parou de viajar. Escreve em Eusouatoa.com.


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