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17 discos não ocidentais para ampliar seu repertório musical

O ‘Nexo’ conversou com músicos e DJs para fazer um levantamento de grandes discos que dão a dimensão do que está sendo feito na Ásia, Leste Europeu e África

Há muita música de qualidade sendo feita em todas as partes do mundo. O problema é que, normalmente, nosso consumo musical fica restrito a só uma parte: o Ocidente. Principalmente à Europa e aos EUA.

Músicas africana, asiática ou do Leste Europeu normalmente ficam de fora do radar musical da maioria das pessoas. DJs e pesquisadores, no entanto, têm trabalhado para divulgar essas obras e fazer as pessoas dançarem na pista sons de bandas iugoslavas, tailandesas ou etíopes.

Nexo pediu a quatro deles que indicassem discos não ocidentais que dão a dimensão da qualidade musical produzida em diferentes cantos do mundo. São eles:

  • Ramiro Zwetsch, jornalista, sócio da loja de vinil Patuá Discos, DJ residente da festa Entrópica e editor do site Radiola Urbana.
  • Maurício Fleury, produtor, compositor, guitarrista e tecladista da banda Bixiga 70 e DJ no Veneno Soundsystem.
  • Ágatha Barbosa, DJ na Voodoohop.
  • Dago Donato, DJ, curador musical e sócio da casa de shows Breve.

Leste Europeu

1. Ljupka (Iugoslávia)

Maurício Fleury Quando tocamos em Maribor, na Eslovênia, para um festival no ano passado, foi um dos poucos lugares onde tive tempo para visitar uma loja de disco, a Gramophonoteka. Domen, o dono da loja, foi muito atencioso em me mostrar alguns grooves da antiga Iugoslávia e essa foi a faixa que eu mais gostei de ouvir, lógico que trouxe o disco e tenho tocado sempre nas minhas discotecagens. Ljupka é uma cantora pop dos anos 70 na antiga Iugoslávia e esse som é muito bom, uma mistura de folk com funk e algo meio latino, brasileiro, não sei, o legal é que ela chega nesse lugar difícil de classificar.

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África

2. Bcuc (África do Sul)

Maurício Fleury  É uma das últimas coisas que descobri, fuçando na internet. Punk rock, reggae, funk, batidas africanas, tudo misturado de um jeito bem único, só baixo, vozes e percussões, fiquei em choque com esse vídeo e imagino que o show desses caras deve pegar fogo, quero muito ver ao vivo.

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3. Orchestre Poly-Rythno de Cotonou (Benin)

Ramiro Zwetsch Essa coletânea é um ótimo cartão de visitas da obra desta entidade sônica do Benin, que gravou mais de 500 músicas entre 1970 e 1983. Sua música se baseia nos toques do Vodun (manifestação religiosa muito difundida no país) em impressionantes fusões com jazz, soul e psicodelia. Este disco foi lançado em tiragem limitada de 500 cópias por um selo brasileiro, o Goma-Gringa, e já encontra-se fora de catálogo.

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4. God Over Everything - Patoranking (Nigéria)

Dago Donato Patoranking é um artista de dancehall da Nigéria e um dos mais interessantes da atual safra pop do país. Seu disco lançado esse ano faz a ponte África-Jamaica e traz participações de nomes de peso dos dois lados do Atlântico, como os nigerianos Wizkid e Olamide, o ganense Sarkodie e os jamaicanos Elephant Man e Konshens.

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5. Mulatu Astatke - Mulatu of Ethiopia (Etiópia)

Ramiro Zwetsch A música de Mulatu Astatke ganhou visibilidade no Ocidente com a série de coletâneas "Ethiopiques" e com a trilha sonora do filme "Flores Partidas" (de Jim Jarmush). É um mistério. O compositor encontrou um estilo único na fusão da escala etíope de cinco tons com o jazz e segue como algo sem precedentes. Pela proximidade da Etiópia com a Arábia Saudita, o ouvinte identifica paisagens sonoras do Oriente Médio e a audição deste disco é sempre um enigma.

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6. Tinariwen (Mali)

Maurício Fleury Tinariwen já é uma instituição, esses guitarristas do deserto ficaram mais conhecidos quando participaram de um show do Santana, ainda nos anos 70. Pudemos ver o show deles aqui no Sesc Vila Mariana [São Paulo] e foi uma experiência transcedental, pouco depois, em Tilburg, na Holanda, dividimos o palco e conversamos um pouco com esses mestres no camarim. Essa música é do último disco deles, que foi lançado agora no fim de 2016.

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7. Marijata - This is Marijata (Gana)

Ramiro Zwetsch Marijata faz um afro-funk de uma potência assustadora. Formada por três integrantes dissidentes do Sweet Beans (o baterista Kofi "Eletric" Addison, o organista Bob Fischian e o guitarrista Nat Osmanu), a banda traz também baixo e sopros. Os arranjos de metais são impressionantes e os berros do vocalista não escondem a influência de James Brown 1976.

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8. Ambassadeur International - Mandjou (Guiné)

Ramiro Zwetsch Esse é pra viajar pelos desertos africanos sem sair de casa. Que som! Há uma vocação ao transe na música de Mali que é muito específica: as guitarras parecem encadear um ciclo de notas e acordes que imitam os movimentos de uma serpente na areia. A Ambassadeur International revelou o guitarrista Salif Keita.

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9. Gqom Queen, Vol 1 - Babes Wodumo (África do Sul)

Dago Donato Gqom é um estilo de bass music abrasiva, surgida em Durban, na África do Sul. Babes Wodumo reivindicou para si o rótulo de rainha do movimento adicionando uma pegada pop ao gênero e ganhou as paradas do país com o hit "Wololo". Para quem quer conhecer o gqom na sua essência, vale ir atrás da coletânea Gqom Oh! The Sound of Durban.

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10. Os Tubarões - Tchon Di Morgado (Cabo Verde)

Ramiro Zwetsch Há algo de brasileiro na música cabo-verdiana muito além da língua portuguesa. Às vezes, o som se associa ao chorinho; em outras, nos faz lembrar da lambada paraense. É incrível como a descoberta dos teclados pelos músicos da Ilha conferem um ingrediente de psicodelia ao transe das batidas tradicionais. Os Tubarões é uma das principais bandas de Cabo Verde e, nesse disco, destaca-se o balanço da faixa "Patrice Lumumba".

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11. Sahelsounds (Saara)

Ágatha Barbosa Indo para África, Sahelsounds apresenta uma coletânea incrível do resultado de uma expedição que cruzou o deserto do Saara para coletar as músicas nos cartões de memória de telefones celulares de quem anda por lá.

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12. Silt (Sudão)

Ágatha Barbosa Caminhando para o sul, mas ainda no mundo árabe, Alsarah traz um canto profundo que ecoa no Ocidente ao desenvolver seu projeto em NY com sua banda, The Nubatones, entre parcerias com Debruit e outros músicos.

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13. De Última à Primeira (Angola)

Ágatha Barbosa Titica! A transexual que vira Angola do avesso com seu kuduro extravagante e corajoso.

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Ásia

14. Mustafa Ozkent (Turquia)

Maurício Fleury Mustafa Ozkent é um guitarrista turco e essa faixa é do seu famoso “disco do macaco”, que foi sampleado pelos Beastie Boys no disco "Check Your Head". O disco é inteiro instrumental e cheio de balanço. Eu ouço muita música turca já há um tempo, principalmente graças ao meu amigo Baris K, grande DJ e produtor que tem feito um trabalho lindo de remixes e re-edits de produções turcas dos anos 70. Vale a pena conferir a série de discos "Istambul 70" que ele lançou pela Nublu Records, de Nova Iorque.

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15. The Paradise Bangkok Molam International Band (Tailândia)

Maurício Fleury Essa banda tocou logo antes da gente no festival Glastonbury e eu fiquei muito feliz em ver, pois já conhecia o trabalho deles de relançamento de discos do ritmo tailandês conhecido como “molam", pelo selo Zudrangma Records, que também é uma loja de discos em Bangkok. A banda é formada por jovens músicos e por dois senhores que tocam os instrumentos tradicionais de lá (o Khene, de sopro e o Phin, uma espécie de guitarra). Por coincidência, pegamos um trem juntos depois do festival e pudemos conversar mais, espero que um dia eles venham ao Brasil.

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16. Savage Imagination (Japão)

Ágatha Barbosa Trouxe aqui o experimentalismo ao mesmo tempo delicado e frenético do Japão com Dustin Wong e Takako Minekawa, e o global bass que chegou do outro lado da Terra no flow da Tigarah que já fez parcerias com Tropkillaz e Deize Tigrona.

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17. Baba Zula (Turquia)

Ágatha Barbosa Com uma sonoridade mais ancestral tem Baba Zula, uma banda que tive o prazer de me derreter ao vivo sob sua psicodelia que vai do rock progressivo aos ritmos tradicionais de Stambul.

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Nota da edição: para dar mais leveza nessa sexta-feira, que tal aumentar seu repertório musical de partes do mundo que a gente geralmente ignora? Achamos justo a proposta e pinçamos este artigo que esclarece o assunto produzido pela Tatiana Dias como segundo texto do ano na parceria com o jornal digital Nexo.

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publicado em 20 de Janeiro de 2017, 12:49
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