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[18+] Bom Dia, Epa Neto

O Epa é designer e foi fotografado pelo Felipe Watanabe

Nota editorial: estamos em busca de Bom dias com homens e com mais diversidade de corpos e peles — aqui explicamos em mais detalhes o contexto atual da série, suas origens, obstáculos e nossa visão de futuro para ela. Se você é fotógrafo(a) ou tem um ensaio que deseja publicar, fale conosco pelo jader@papodehomem.com.br .

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Foi numa mesa de bar que eu disse "topo".

Conheci o Felipe Watanabe no trabalho, e depois de descobrir sobre seu lado fotógrafo, passei a acompanhá-lo no Instagram. Sempre achei os ensaios incríveis, e nunca perdi a oportunidade de perguntar: "Mas, quando vai ter ensaio de homem, Wata?".

Quando marcamos a data na mesa de bar achei que a ideia iria morrer, mas quando a coisa tomou forma, bateu o medo. Realmente iria fazer isso.

 

 

 

 

 

Minha relação com o corpo passou por muitas transformações. Crescendo numa cidade de praia como Salvador, o culto ao corpo sempre foi algo muito forte. Ir para a praia era motivo de vergonha na infância e adolescência, onde eu procurava esconder o corpo com bermudas e camisetas para não ouvir as piadinhas sobre a minha magreza. Os primos foram criando corpo, comparando músculos, enquanto eu só enxergava a minha corcunda e costelas.

Tentei várias vezes começar uma academia, mas nunca me senti à vontade. Não era o que eu queria, não sentia prazer em fazer aquilo. Era muito mais uma cobrança de entrar no padrão do que realmente cuidado com o corpo. Em paralelo fiz artes marciais por muitos anos, algo que realmente me dava prazer, mas não músculos.

Quando mudei sozinho para São Paulo a vida mudou. Eu era independente, numa cidade em que ninguém me conhecia. Fiz amigos que me ajudaram a assumir a homossexualidade, evento que foi primordial para que eu me sentisse bem com meu corpo. No momento em que me senti desejado por outras pessoas, descobri que estava tudo bem. Ser desejado faz diferença. É quase como um recibo assinado com o termo 'tá tudo bem com você'.

Meu corpo ainda é algo frágil. Aos 31 já tenho hérnias e desgastes por causa da altura. Mas esta é uma fragilidade física, que com um bom acompanhamento médico não vira um transtorno. A fragilidade emocional é muito mais perigosa, pois ela mexe com nossa capacidade de ser feliz. Hoje olho para o espelho e me sinto seguro. Me assumir gay foi um grito de "posso ser quem eu quiser". Entrar em paz com meu corpo também.

As fotos são do Felipe Watanabe.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Boa semana a todos.


publicado em 18 de Dezembro de 2017, 00:00
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Epaminondas Neto

Game designer, programador e gamer. Troca fácil um bar por receber amigos em casa pra beber jogando Mario Kart e dançar ao som das mesmas músicas de sempre.


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