[18+] Bom Dia, Lucas Casarini

O Lucas foi fotografado pelo Rafael Carvalho de Albuquerque

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Nota editorial: estamos em busca de Bom dias com homens e com mais diversidade de corpos e peles — aqui explicamos em mais detalhes o contexto atual da série, suas origens, obstáculos e nossa visão de futuro para ela. Se você é fotógrafo(a) ou tem um ensaio que deseja publicar, fale conosco pelo jader@papodehomem.com.br .

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Fui “patinho feio” a vida toda, com o perdão do clichê. Passei despercebido na adolescência e, num colégio como o meu (particular, cidade de interior, cheio de playboyzinhos supostamente milionários), acho que foi, no fim, positivo.

Sabia que não era bonito, magrelo demais, e me resignava à posição de marginal, não pertencendo a nenhum dos grupinhos que concedem status a um moleque de 16 anos num ambiente como esse. Não preciso comentar qual era minha relação com as mulheres (meninas) naquela época. O colégio acabou, saí de Marília e fui começar a minha vida no Paraná. Esse tipo de mudança pode ser muito positiva pra alguém nessa idade. Nada como a oportunidade genuína de se reinventar.

Acho que soube aproveitá-la.

 

 

Passei a me conhecer melhor e a dar importância às coisas que realmente me fazem feliz. Devagar, fui percebendo que não ter participado das panelinhas da escola foi uma coisa muito boa. Aprendi a pensar por mim mesmo, entendi que o que o meio espera de nós nem sempre é a melhor coisa pra gente. Aliás, quase nunca é.

Há quem chame isso de estilo, personalidade.

Independente da maneira com que se adquire essas duas coisas importantíssimas na vida de qualquer pessoa, elas são, acredito, o primeiro passo para aprender a amar a si mesmo. E com o tempo fui finalmente me sentindo bonito, entendendo a beleza que tenho. A vida da gente muda quando isso acontece, e a mudança traz a famosa autoconfiança, que por anos eu só ouvia falar.

Em 2014 conheci o trabalho do Rafael Carvalho, que fotografa meninas fora dos padrões de beleza. Sabia que ele era um cara disposto a experimentar e o perguntei se ele estava a disposto a me fotografar. O cara curtiu a ideia e disse que já pensava em fotografar homens também. Foi estranho, mas foi muito bom. O resultado consolidou minha autoestima e, independente da repercussão, me ensinou: eu sou bonito.

Ainda marginal, magrelo, mas bonito à minha maneira.

As fotos são do Rafael Carvalho de Albuquerque.

 

 

 

 

Boa semana a todos.


publicado em 20 de Fevereiro de 2017, 00:00
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Lucas Casarini

Mariliense, 26 anos, vive em Curitiba. Atualmente tem tentado escrever. Formado em Publicidade, aspirante a estudante de Letras, investe mais do que devia em cerveja.


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