[18+] Bom Dia, Marina Borges

A Marina foi fotografada pelo Nilton dos Anjos

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Nota editorial: estamos em busca de Bom dias com homens e com mais diversidade de corpos e peles — aqui explicamos em mais detalhes o contexto atual da série, suas origens, obstáculos e nossa visão de futuro para ela. Se você é fotógrafo(a) ou tem um ensaio que deseja publicar, fale conosco pelo jader@papodehomem.com.br .

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Já dizia Nelson Rodrigues: “Toda nudez será castigada”. E foi assim que eu cresci, ouvindo algumas pessoas ao meu redor dizerem que o nu é feio e obsceno, que estar nu é algo permitido apenas entre você e seu companheiro, de preferência entre quatro paredes, com a luz apagada e que qualquer exposição, além disso, seria imoral.

De certa forma esse discurso nunca entrou na minha cabeça. Sempre busquei construir uma relação muito íntima entre eu e o meu corpo, essa frase pode soar estranha, mas há quem não conheça seu próprio corpo, há quem não se olhe no espelho e tão pouco se toque.

Foi uma caminhada longa até eu me livrar de todo tabu em torno do ato de se estar nua; esbarrei com muitas mulheres que estavam se auto descobrindo e também se apoderando dos seus corpos, cada uma a sua maneira, o que ajudou na minha desconstrução de preconceitos.

Foi no meio desse processo que conheci o Nu em Pele e duas coisas no projeto me chamaram a atenção, uma foi a ausência quase total de retoques e tratamentos nos corpos das modelos e a outra foi o conceito dos ensaios, de se fazer tudo da forma mais natural possível, sem erotização e fetichização, a intenção era fazer arte.

Essa foi, de longe, uma das melhores experiências da minha vida e foi a primeira envolvendo o nu. Trabalhar o meu amor próprio me fez ver o mundo e a mim mesma por outros ângulos, me fez amar cada centímetro em mim, cada curva, pinta, mancha e cicatriz do meu corpo.

 Hoje eu entendo que estar nua não é só tirar as roupas, é muito mais que isso. É estar nua de preconceitos, nua de machismo, de pressões e estereótipos.  Envolve libertação e luta, acima de tudo é poder  exercer o meu direito de ser apenas eu.

Boa semana a todos.


publicado em 29 de Fevereiro de 2016, 00:00
Marina

Marina Borges

25 anos, feminista e capricorniana. Apaixonada por Belchior, seriguela, cerveja e futebol.


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