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29 práticas para iniciar o seu processo de transformação

Ou: o pequeno guia para iniciantes na Ignição

A Ignição é a nossa coluna mão na massa.

Iniciamos esse projeto após a ótima repercussão de uma outra coluna, a Mentoria

Percebemos que havia (e ainda há) uma demanda por métodos, práticas ou desafios que possam estimular a mente, nos ajudar a criar entusiasmo pela vida, desenvolver nossa curiosidade e ludicidade, enfim, nos mostrar um lado de nós mesmos pra além das certezas do dia-a-dia.

Muitas vezes, olhamos para as nossas tarefas cotidianas e entendemos apenas o aspecto prático delas. Ou seja, pensamos mais ou menos assim: “basta levantar, lavar a louça e o banheiro que a casa vai estar no jeito”.

Porém, o ato de levantar pra transformar essa intenção em ação é bem mais complicado. Há todo um processo mental que nem sempre está alinhado. De repente, aquilo é um sofrimento e, quando você percebe, a Netflix já ganhou. Depois, sobra a culpa e a vergonha.

Pode parecer uma bobagem, mas a bagunça literal e metafórica nos afeta e muito, pra bem além de algo puramente individual. Não é raro vermos homens que estão rodeados de um caos tão grande que, de repente, ninguém quer nem chegar perto. Assim, o acúmulo de questões simples se transformam em problemas bem mais complexos como solidão, depressão, ansiedade, etc.

Entramos diariamente em contato com homens nos mais diversos níveis de complicação. A pergunta que mais ouvimos é: por onde começar?

Claro que há casos que envolvem transtornos psicológicos, doenças ou outras limitações que tornam tudo bem mais complexo do que “levanta e faz”. Pra esses, é importante procurar ajuda médica e psicológica. Não vamos esquecer disso.

Mas, por mais debilitados que estejamos, há casos também nos quais ainda há uma fagulha de potência que nos permite agir, mesmo que um pouquinho.

Assim, por mais ridículo que pareça, vamos começar de forma similar a uma pessoa que resolve aprender a tocar violão. Não é que alguém ensina. A pessoa pega o violão e toca errado, sem a menor coordenação e ritmo. Vai se informando com um professor ou amigo, persiste mais e mais, vai ganhando energia à medida que pequenos avanços são feitos, até que em um certo momento, ela junta os pedaços e toca uma música do Legião Urbana. 

A Ignição segue um pouco esse princípio, de que podemos nos fortalecer aos pouquinhos, aprender em atividades simples como cultivar essas qualidades importantes, como compaixão, disciplina, empatia, curiosidade, generosidade, organização, capacidade de gerenciamento e por aí vai.

Nos deslumbramos com os resultados e esquecemos que isso é feito um pouco todos os dias

Então, começamos arrumando a cama e tomando um café nutritivo pra ver a energia propositiva que se forma transbordar para outros aspectos da vida. E, à medida que vamos entrando em uma inércia saudável, aproveitamos pra ganhar mais e mais força como indivíduos e, quem sabe, até poder começar a ajudar quem está ao redor.

Por isso, a nossa resposta ao “por onde começar” é esse artigo contendo uma lista com os artigos já publicados na coluna, separados por níveis, para facilitar quem está chegando agora.

Além disso, também decidi colocar abaixo alguns pontos importantes, para tornar as práticas mais potentes.

Uma nota sobre a nossa noção de transformação

O mote da coluna Ignição é: “Iniciar processos de transformação por meio de atividades práticas”.

Ouvimos aos montes as pessoas saindo para retiros, tendo epifanias ou êxtases, passando por experiências traumáticas ou alucinógenas e, de repente, se considerando transformadas.

E não que essas experiências não tenham seus impactos, mas parece que essa expressão, transformação, está cada dia mais esvaziada, significando mil coisas. Assim, quando alguém usa essa palavra, não necessariamente o outro lado percebe da mesma forma.

Então, aqui vai o esclarecimento: o que chamamos de transformação é um processo pra vida inteira que, não necessariamente, é linear ou mesmo fixo. Não delimitamos qual é o ponto final, mas acreditamos que podemos compartilhar do caminho, nos tornar parceiros em nossas aspirações e, sim, nos ajudar.

Sabemos que há tropeços no caminho, recaídas e aprendizados que vamos precisar revisitar. E tudo bem. Nada disso é uma tragédia. Pelo contrário, fazem parte e são bem vindos.

O que menos queremos é criar uma nova regra, um novo papel no qual, de repente, você vai ser obrigado a atuar.

Além disso, recomendamos também que procure ajuda e aprofunde seu processo de transformação. Seja por meio de terapia ou indo a um centro budista, não importa muito, desde que você saia da superfície e encontre seu caminho. A verdade é que a Ignição, sozinha, não vai muito longe.

Sempre que possível, vá acompanhado

Na nossa experiência, somos muito, mas muito frágeis. Nossas aspirações não duram muito e basta um dia ruim pra desistirmos. Além disso, uma boa parte das tarefas envolvem um certo nível de desconforto e, diante de uma possibilidade de satisfação imediata, as chances de deixarmos nossas práticas pra lá são enormes.

Por isso, recomendamos bastante que, se você tiver com quem compartilhar o caminho, não pense duas vezes. Chame um amigo ou amiga, fale sobre seus processos, diga o que está sentindo, não esconda as dificuldades. Ouça quando o outro também tiver algo a compartilhar.

Essa é uma das formas mais ricas de criar vínculos e pode tornar uma amizade meio superficial em algo muito mais profundo.

Temos relatos até de pessoas de diferentes partes do Brasil que estavam combinando de viajar para se verem pessoalmente, depois de compartilharem seus percursos com a Ignição.

Portanto, se puder, vá acompanhado.

Pra facilitar um pouco isso, criamos um grupo de WhatsApp da Ignição. Você pode enviar um e-mail para luciano@papodehomem.com.br com o assunto "Quero entrar pro grupo da Ignição", contando um pouco da sua história e como acha que pode contribuir por ali. Em algum momento (que pode demorar, portanto, paciência comigo), eu vou entrar em contato.

Como funciona a separação por níveis?

É muito simples.

Listamos as práticas levando em consideração o tamanho do investimento emocional, de tempo e de disciplina.

Práticas rápidas, que demandem pouco tempo e que são fáceis de manter, vão pro nível introdutório. Um exemplo seria manter o seu quarto arrumado.

Práticas que envolvem arranjos emocionais e preparações mais complexas (e alguma possibilidade de frustração), como agradecer ao seu pai por tudo que ele fez, vão para as práticas de nível difícil.

E as que estão no meio do caminho vão para as práticas intermediárias.

Não há uma obrigação de que as práticas sejam feitas linearmente, mas pode ser útil, caso você precise ganhar fôlego antes de tentar alguma mudança mais complicada.

Nível Introdutório 

Intermediário

Difícil

Até aqui, manter essa coluna tem sido uma experiência das mais satisfatórias. É maravilhoso ver o entusiasmo de quem vem chegando e como as pessoas narram o efeito positivo que ela vem gerando nas suas vidas.

Agradecemos demais o apoio de quem vem nos incentivando a mantê-la.

E você, tem alguma experiência positiva com a coluna? Quer começar agora a praticar? Que tal nos avisar aqui embaixo, nos comentários?

Nota sobre os comentários: já há algum tempo viemos passando por problemas técnicos com a nossa área de comentários que não funciona no desktop. Felizmente, isso já está quase no fim. Mas, por agora, enquanto não subimos as modificações, avisamos que você pode comentar utilizando a versão mobile. Em breve voltaremos à normalidade.


publicado em 20 de Janeiro de 2020, 08:36
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Luciano Ribeiro

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Instagram.


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