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40 anos sem Hendrix

Há pelo menos quarenta anos o mundo anda carente de gênios.

A cada ano, todo um esforço midiático é feito para encontrar o novo Buda da música, aquele que não só veio para mudar o jeito de fazer as coisas, mas também de senti-las.

Os aspectos sórdidos da morte de James Allen Hendrix em 18 de setembro de 1970 já foram mais do que discutidos. Até hoje, ninguém sabe ao certo o que matou Hendrix. Talvez tenha sido o excesso de comprimidos. Talvez tenha sido a CIA. Talvez tenha sido uma casca de banana.

"Imagination is the key to my lyrics. The rest is painted with a little science fiction." | Arte: Izolag Armeidah.

Dessa forma, prefiro lembrar aqui por que Hendrix é gênio e por que ele faz tanta falta para a música colorida e digital de hoje (eu disse digital, não eletrônica).

Sem delongas filosóficas, vou elencar quatro motivos básicos que constroem (de verdade) um gênio em qualquer campo – ciência, arte e esporte. Com o perdão das limitações desse espaço, essas são características que podem ser encaixadas em outros grandes personagens da história.

1. Síntese de um Tempo: A figura de Jimi Hendrix tornou-se o ícone de uma geração. Assim como a gomalina e o topete para os anos 1950, as calças coloridas e o cabelo grande de Hendrix são símbolos do movimento hippie do final dos anos 1960. O artista conseguiu resumir em seu personagem o sentimento e posicionamento de toda uma juventude que passava por incertezas quanto ao futuro da humanidade.

2. Expressão: A obra de Hendrix é altamente expressiva. Isso significa que ela consegue transmitir amplamente suas intenções e impactar o ouvinte. Consegue provocar emoções. Nesses termos, um riff do negão é capaz de comover mais do que todo o Prêmio Multishow desse ano.

Link YouTube | Começo matador com o wah-wah estourando. A turma do Fresno faz as meninas chorarem, Hendrix fazia as mulheres e as guitarras gemerem.

3. Técnica: A música de Hendrix possui qualidade técnica. Mesmo calcada no Blues, que possui uma estrutura aparentemente simples, Hendrix transcendeu e incluiu elementos que tornaram sua arte mais complexa. As microfonias e reversões (gravar melodias ao contrário, por exemplo) foram inovadoras e são sistematicamente copiadas até hoje.

4. Autenticidade: Solos incansáveis de guitarra eram carne de vaca no final dos anos 1960, começo dos 1970. No entanto, quando Hendrix tocava, todos sabiam que era Jimi Hendrix que estava tocando. Sua música tinha técnica e expressão próprias. Tinha uma certa assinatura melódica e harmônica que eram os temperos de blues, jazz e rock que ele fundia em seu som.

Em vida, Hendrix deixou um claro recado para as futuras gerações. Era o humano reconhecendo o deus:

"When I die, just keep playing the record."
Tradução livre: "Quando eu morrer, mantenham meus discos tocando."

Até o Jamie Cullum levou esse conselho a sério:

Link YouTube | Gênio é assim: até pop bundinha se rende a sua música (ouça na voz de Hendrix).


publicado em 21 de Setembro de 2010, 07:51
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Flaco Marques

Rapaz do interior de SP que vive suas desventuras na cidade grande. Poliglota valente, busca equilibrar o jeito cosmopolita de ser com a simplicidade caipira de viver.


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