5 aprendizados, proposições ou, indefinições para gente refletir sobre nossa sexualidade em 2018

Porque é bom olhar para si, se conhecer melhor e, claro, lembrar de transar melhor

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Este é o segundo ano que eu tenho a honra de fazer um texto falando sobre resoluções sexuais de fim de ano. Ano passado o desafio foi se desapegar da noção de que mais sexo faz de você uma pessoa mais bem rankeada no status quo.

Durante o ano inteiro, a equipe do PapodeHomem se dedica a trazer textos, conversas e debates pra gente poder crescer juntos e, quando chega dezembro, a gente tem a oportunidade de fazer um balanço, se orgulhar dos nossos avanços e pensar em como melhorar. Juntando o caminho do site a tudo que a gente pode trocar de experiências pessoalmente no Homens Possíveis, juntei aqui 5 aprendizados, proposições ou, porque não, indefinições para gente refletir sobre nossa sexualidade em 2018.

2. Bora cultivar os prazeres do corpo para fora do erótico

Quando nosso prazer sensorial fica exclusivamente ligado às nossas genitálias, a gente cimenta um caminho muito estreito, que limita demais. O Sidnei DiSessa, psicólogo que trabalha com sexualidade masculina, falou no Homens Possíveis e destacou como essa genitalização do sexo vai, aos pouco, atrapalhando nossa trajetória sexual. Ele diria, assim de chute por experiência, que "90% dos homens que focam muito na genitália, no gozar, vão sofrer de alguma disfunção ao longo da vida."

A sugestão que ficou, e que serve pra todo mundo independente do gênero, foi passar mais tempo no banho, percebendo e tocando nosso próprio corpo.

Não precisa ser nada erótico. É um exercício de amor próprio e descoberta. Segundo o Sidney, 10 minutos, todo dia, e depois de um mês a gente conversa da diferença que isso vai fazer na sua vida sexual.

A intenção aqui é se abrir para descobrir prazeres para fora do sexo: pode ser na hora de comer um bolinho dos deuses, de pegar um vento na cara, ou de curtir aquela adrenalina correndo na veia depois da academia. Isso tudo pra aumentar nossa capacidade de perceber e de sentir o bom. Essa brincadeirinha pode transformar pra melhor vários pedaços do nosso dia a dia entediante. E, naturalmente, todo esse exercício de vida deve acabar potencializando nossas sensações eróticas na hora do sexo.

3. Vamos contrariar o roteiro

Papo vai, papo vem, e a gente volta a ter que falar sobre o Pornô. Não é o pornô enquanto transa filmada em si, mas o roteiro cansado que se repete na tela e nas nossas vidas. Spoiler alert: estamos fazendo uma matéria sobre homens também fingirem o gozo e, no meio dessa pesquisa, a gente pode perceber que o motivo é sempre o mesmo: "já podia acabar e não queria ter que dar explicações sobre não gozar".

Talvez a gente apele para o roteiro que já é de costume porque parece ser o caminho mais "seguro", sabe? É como se a gente soubesse que indo naquele conjuntinho de práticas, você pode até não surpreender, mas também não corre o risco de ser julgado.

Em 2018, fica o convite pra gente ser um pouco do contra e experimentar mudar roteiro das coisas. Aqui a gente não tá nem falando em experimentar coisa doidas (mas se quiser pode), é só uma proposição para quebrar as regras de sempre.

Eu sei que algumas dessas coisas não parecem natural. Não é mesmo. A gente quer tocar no outro, por exemplo, mas eu diria que, de vez e muito em quando, vale a pena a gente se esforçar pra ir na contra mão. É porque o roteiro acaba sendo bem confortável, mas não permite que a gente a procure e encontre outras vias mentais e físicas de prazer: fazer um sexo sem penetração, nenhuma; ou, por exemplo, combinar uma transa em que ninguém pode gozar; ou que não se toque nas genitálias, ou uma pessoas em que um não pode tocar no outro, só vale falar ouvir e se auto estimular

4. Escolhe uma coisa que te mete medo, repensa e faz

O Lam Mattos falou sobre os padrões de gênero e travas que a gente ainda tem em relação à sexualidade no Homens Possíveis e deixou uma ótima missão para cada um de nós: pensa no que é intocável para você e tenta abrir. Pode ser algo em relação ao seu corpo, sabe o clássico "no meu cu ninguém mexe"?

Mas também pode ser aqueles desconfortos emocionais: fazer uma pergunta mesmo que a resposta te der medo, olhar no olho no meio da transa, abraçar um amigo sem medo de ser julgado, tirar uma foto de pau mole. Medo, insegurança, a gente tem de monte, então o primeiro passo é começar escolhendo um, o mais simples, e ir enfrentando ele aos poucos, pasito a pasito, pra ver como isso vai refletir na nossa vida.

5. Faça algo sem a pretensão de chegar a lugar nenhum

Uma das coisas mais sensuais que eu já li foi a descrição de um oral feito por uma senhora de 60 anos, interlocutora do livro de João Ubaldo Ribeiro, A Casa dos Buda Ditosos. A magia da cena está na despretenSão e na demora. Ela descrevia multissensorialmente o prazer de estar ali, saboreando alguém, como quem não fosse chegar a lugar nenhum.

Isso me fez pensar em todas as vezes em que eu me flagrei me preocupando em entender o timming para ir ao próximo passo. Estou aqui para chegar ali. E, no fundo, todo mundo acaba preso nessa estrutura em sequência. É, de novo, a assombração do roteiro, mas sobre outro ponto de vista.

Vamos deixar nesse item a promessa de não se comprometer com futuros. De, pelo menos uma vez, parar na carícia presente – no beijo no pescoço, na lambida no pé, na massagem na mão – e se demorar sem querer chegar em nenhum outro lugar. Só se derreter ali mesmo.  

1. Não tem linha de chegada

Se a gente está junto nessa missão de se ajudar e progredir na vida, é bom ter na cabeça que o trabalho nunca estará terminado.

A gente se junta aqui por causa da vontade de melhorar, de entender a sexualidade, a nossa e a do outros; de buscar uma vida emocional e sexual mais saudável, mais gostosa, mais gozada e menos reprimida. Vira e mexe a gente para e percebe como as coisas mudaram, como o nosso eu do passado era bobo e limitado. Isso é foda de gostos, é de encher o peito de orgulho. Mas a gente também precisa entender que isso não é um processo que termina em algum ponto. A gente pode alcançar nossa metas, se orgulhar do nosso progresso, mas é bom e talvez também seja necessário cultivar a humildade de poder perceber quantas coisas a gente ainda tem a aprender com os outros e com nós mesmos.

E aí, que experiência você gostaria de tentar nesse 2018? Pode ser uma dessas ou qualquer outra, puxa uma cadeira e conta pra gente.

Mecenas: Natura Homem

Natura Homem acredita que existem tantas maneiras de exercer as masculinidades (e a sexualidade) quanto o número de homens que existem no mundo. Apoiar o Homens Possíveis, onde parte dessa discussão sobre sexualidade mais lúcida aconteceu, foi uma das maneiras que encontramos para caminhar lado a lado com vocês ao longo de 2017. Até 2018!

Seja homem? Seja você. Por inteiro.

Natura Homem celebra todas as maneiras de ser homem.


publicado em 26 de Dezembro de 2017, 00:05
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Gabriella Feola

Jornalista, viajante, apaixonada por músicas latinas e acredita que sexo deveria ser tão conversado quanto esportes.


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