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5 coisas fodas que eu perdi na vida e você não pode deixar passar

Eu adoraria: saber tocar guitarra, andar de skate e desenhar. Eu sei: baixar vídeo no Youtube.

"Nunca é tarde para começar”.

Quem nunca ouviu essa? A oração motivacional permeia ironicamente nossa consciência desde sempre. É como se fosse um aviso, dando a entender que, independente de suas escolhas, em algum momento você vai sentir falta de algo.

A função da esperança é justamente nos manter caminhando. É justa, muito justa. É uma segunda chance eterna, nos rejuvenescendo a cada conclusão ou andamento de tarefa desejada.

É, eu tenho pensado muito nisso. Daqui pouco mais de 30 dias completo 30 anos. Fiz as contas e, veja só, estamos falando do ano onde completarei metade da vida percorrida no século passado. Quinze anos lá, quinze anos agora.

Fiz muita coisa legal nesses 30 anos? Poxa, fiz sim. Ainda há espaço e tempo para outras tão interessantes e gratificantes quanto. Só que, sei lá, mudou tudo.

Sabe? Não é como os vinte e poucos anos. Os vinte e poucos anos nos permitem errar, exagerar e até acreditar que é possível salvar o mundo - que com o tempo você descobre que sozinho não tem como. E aí eu resolvi listar e falar pra você, amigo que tá com lá com seus vintinho, refletir.

São coisas fodas que eu perdi na vida e você não pode deixar passar.

Zerar 007 no Nintendo 64

Fui de Atari pro Mega Drive. Depois Nintendinho, Snes e Playstation 1. Fui o único brasileiro vivo a ter um Sega Saturn. Comprei no dia que apresentei minha monografia da faculdade o Play2. Em 2011 o Xbox360. E há 10 dias adquiri o XOne.

O Nintendo 64 não me pegou. Mas GoldenEye 007, tá, ele meio que me encantou quando paguei R$3,00 pra jogar 50 minutos na locadora (antiga Bumerang Games, em Cuiabá). Não tinha como zerar o jogo na locadora, você há de concordar.

Conheço pessoas incríveis que elogiam muito o GoldenEye 007, com Cambi é uma delas. Tenho vontade de baixar o Rom e finalizá-lo, mesmo sabendo que não teria o mesmo controle, nem a mesma TV de tubo.

Jovem, não deixe os bons jogos passarem. Eles são cada vez mais raros.

 

Viajar com a faculdade para um Congresso

Comecei a estagiar logo no primeiro semestre de faculdade. Não lembro, confesso, se havia flexibilidade para conseguir uma liberação. O fato é que opções existiram, mas eu nunca entrei num ônibus da faculdade e parti para um congresso acadêmico. Daqueles no Espirito Santo ou na Paraíba.

Aliás, eu vou expandir essa coisa foda: aproveite o seu tempo de faculdade. Divirta-se mais. Se tiver condições, evite arrumar um estágio antes do segundo ano. Utilize a estrutura da universidade para estudar, participe desses congressos e conheça pessoas legais. As lembranças da faculdade são algumas das mais fortes que você vai levar pra vida.

Ter uma banda

Eu tive um grupo de pagode chamado 100 Vergonha (assim mesmo, com o numeral. E se fosse hoje seria com o adendo hashtag: #100Vergonha).

Tocava pandeiro. Ainda toco pandeiro socialmente, não sou usuário. Fizemos apresentações em inauguração de praça pública e nos antigos showmícios, algo já proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral. Tinha pouco mais de 17 anos e era uma maneira de ficar próximo dos amigos, uma vez que eles levavam a sério o grupo. Eu só queria ficar na rua.

Era, no máximo, um hobby bem mal feito. Estou longe de ser músico.

Não ter uma banda de garagem é uma frustração, ainda mais achando que realmente eu levava jeito pra isso.

Eu me vejo muito nessa gurizada

Assistir uma final do seu time no estádio do adversário

A sensação de ser um inimigo na casa deles é indescritível. Você entre mil iguais e outros 30 querendo que seu domingo seja o pior possível. As armas? Somente a própria confiança.

Tentei muito ir a Grenal de final de Gauchão no Beira Rio. Mas sempre esbarrei na precaução e insegurança do meu pai - justíssima, diga-se de passagem. Mas faltou, faltou essa ~rebeldia~ quando morei em Porto Alegre.

Da lista, essa é a única coisa foda que tenho vontade de concluir. Talvez até, mesmo que por algumas horas, reencarnando o espírito irresponsável de um adolescente. Mesmo que seja loucura.

Um pouco de loucura é bom para o futebol.

Bônus: Jamais leve um livro ao estádio de futebol 

Entrar numa briga

Nada justifica uma agressão.

Mas a vida nos coloca situações que as vezes a melhor coisa a se fazer é sentar a chinela na orelha de alguém.

Talvez não mude nada. Talvez você apanhe. 

Mas talvez te faça bem. 

Guardem isso.

Não existe idade que sirva de desculpa para impedir um recomeço ou concretização de algo solto no passado. 

Mas a gente muda. Evoluiu. Ao evoluir, perde uma certa ingenuidade que deixava tudo mais sensível. 

Aproveite a inocência. Um dia ela se esgota. E você conhece um outro mundo de coisas fodas para aproveitar com a experiência de quem não quer deixar mais nada para trás. 

Não é que era melhor. Só era diferente. 


publicado em 27 de Setembro de 2015, 17:49
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Fred Fagundes

Fred Fagundes é gremista, gaúcho e bagual reprodutor. Já foi office boy, operador de CPD e diagramador de jornal. Considera futebol cultura. É maragato, jornalista e dono das melhores vagas em estacionamentos. Autor do "Top10Basf". Twitter: @fagundes.


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