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6 roteiros para filmes indie um pouco mais realistas

Quem sabe, quando morrer, vão fazer um filme sobre você, né?

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Desde o olhar perdido do protagonista em "Hora de Voltar" até a família correndo atrás da kombi em "Pequena Miss Sunshine", muito da visão de cinema da nossa geração foi marcada pelo chamado "cinema indie" - ainda que ele em muitos casos não seja tão independente assim, Zack Braff fez Scrubs e o Steve Carrel fez The Office e essas não são exatamente webséries que só seu primo assistia, mas não vamos entrar nessa discussão.

Mas mesmo nesses filmes, que buscavam ser um pouco mais realistas e intimistas do que o seu blockbuster americano padrão, ainda é possível notar que, ao contrário da vida real, às vezes tudo ainda é muito "cinema". 

As pessoas são um pouco bonitas demais, o mocinho se livra dos problemas fácil demais, é um pouco rápido demais o processo de colocar uma família toda dentro de um veículo em movimento.

Por isso ficam aqui as nossas sugestões de roteiros para filmes indie que, ainda que talvez não tão emocionantes, seriam bem mais realistas.

1.

​Protagonista larga seu emprego medíocre e seu relacionamento disfuncional e viaja para uma cidade exótica do outro lado do mundo, onde em seis meses já conseguiu encontrar outro emprego medíocre e outro relacionamento disfuncional porque o problema sempre foi ele e não o lugar ou as outras pessoas.

2.

Morte de um membro da família obriga o protagonista a retornar para a cidade onde cresceu e lá ele revê sua ex-namorada de colégio — que não se lembra dele, porque já faz muito tempo — e o reencontro com seus parentes faz com que ele se lembre de todos os motivos que o levaram a se mudar para longe desses mesmos parentes.

​​3.

Após um término conturbado, o protagonista conhece, de maneira aleatória, uma garota inteligente, interessante e engraçada que apresenta vários livros e músicas, mas quando ele manifesta segundas intenções ela diz que tem zero interesse, tá ali de boa pra trocar ideia mesmo, ele diz que tudo bem, na verdade a terapeuta tinha dito que ele deveria mesmo primeiro tentar entender o que deu errado no relacionamento anterior antes de procurar um novo.

4.

Transferido para um novo projeto em seu emprego, o protagonista se vê obrigado a residir, durante meses, numa cidade isolada do interior onde todas as casas parecem estar sempre vazias e os poucos moradores do local evitam seu convívio. Mas não existe mistério nenhum, é apenas que a crise econômica levou muita gente a sair dali e ele não é exatamente uma pessoa carismática, na verdade ele é realmente bem inconveniente e mesmo na sua cidade original as pessoas costumavam evitar conviver com ele. Na verdade ele foi transferido por causa disso.

​5.

Após receber como herança uma antiga casa de família, o protagonista encontra, escondida no porão, uma misteriosa caixa, que não parece ser aberta com nenhuma das chaves localizadas na casa. Após semanas de busca pela chave ele decide finalmente arrombar a caixa, encontrando dentro dela apenas um monte de papel mofado porque as pessoas na família dele claramente não sabiam como conservar documentos. Elas também eram desatentas ao pagamento de impostos, tanto que a casa tem anos de IPTU atrasado e em poucos meses é retomada pela Caixa Econômica.

6.

Um grupo de amigos decide marcar uma reunião de dez anos de sua turma de faculdade. O filme seria apenas duas horas de rolagem do histórico de um grupo de Whatsapp com uma pessoa dizendo “dia x eu posso” e outra respondendo “mas eu não, eu só posso dia y”.

* * *

É.


publicado em 10 de Julho de 2019, 16:16
Selfie casa antiga

João Baldi Jr.

João Baldi Jr. é jornalista, roteirista iniciante e o cara que separa as brigas da turma do deixa disso. Gosta de pão de queijo, futebol, comédia romântica. Não gosta de falsidade, gente que fica parada na porta do metrô, quando molha a barra da calça na poça d'água. Escreve no (www.justwrapped.me/) e discute diariamente os grandes temas - pagode, flamengo, geopolítica contemporânea e modernidade líquida. No Twitter, é o (@joaoluisjr)


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