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7 dicas para resgatar sua DR do abismo

Uma discussão de relação não precisa ser o fim do mundo

Todo relacionamento amoroso passa por uma DR, seja na fase da paixão, na estabilidade ou na reta final do término. Afinal, como um projeto de vida compartilhada, o relacionamento atravessará fases de pequenos e grandes realinhamentos.

Infelizmente, não fomos treinados para lidar com desalinhamentos sem resultar num misto de arrependimento e desastre. Aquilo que poderia ser proveitoso para o relacionamento sobreviver acaba se tornando um pesadelo. Na hora de discutir a relação, muitas coisas difíceis são colocadas na mesa, a vulnerabilidade dos "negociadores" é exposta e ninguém fica plenamente confortável, quem convoca ou que é convocado.

Depois de mais de 11 mil horas ouvindo pessoas e seus dilemas pessoais e amorosos já ouvi todo o tipo de relato de DR's. Tentei reunir algumas conclusões práticas sobre o que não funciona na hora de fazer o amor fluir em tempos de guerra.

1. Não perca o foco do que realmente está sendo discutido

Pode parecer óbvio, mas não é.

Quando alguém pensa em discutir a relação, uma das primeiras ideias que pode surgir é a de focar um resultado: resolver o cubo-mágico que impede a convivência de fluir. 

Então, o assunto é levantado, mas é importante perceber os aspectos sutis do tema. Por exemplo, uma das partes pensa que, ao conversar sobre dinheiro, está apenas falando do dinheiro, mas na verdade, está falando sobre como lida com o poder, a prosperidade e seus medos a respeito do desejo e suas consequências. 

O objetivo de uma conversa é a reconexão, o tema é secundário a isso.

Entretanto, não quero dizer que toda conversa deva garantir que o relacionamento tenha um final de conto de fadas. Essa expectativa implícita também atravanca o diálogo.

Juntos ou separados, uma conversa precisa ter um destino aberto. 

Levando isso em consideração, tente ficar atento à temática central, pois é sempre uma tentação começar falando sobre dinheiro e terminar falando de família ou começar falando sobre qualquer outra coisa e, no final, seguir atacando o que acontece na cama.

2. Prepare o terreno

Você pediria aumento para o chefe numa semana especialmente problemática e ruim? Imagino que não.

O motivo é que cobrar algo de alguém, num cenário ruim, gera grandes chances de tudo ser mal recebido.

Uma situação bem comum é o casal evitar conversas difíceis nos momentos em que tudo está bem, com medo de estragar as coisas. Mas o efeito colateral é que esse comportamento torna as dificuldades visíveis só quando os dois estão olhando as partes ruins da relação.

Para equilibrar a balança é preciso criar um contexto favorável, ver o quanto o banco emocional da relação está minimamente preenchido. 

Sem algum carinho ou consideração mínima, é sempre mais difícil acessar a vulnerabilidade do outro. 

3. A única ferramenta que temos é a comunicação

A comunicação efetiva é aquela onde o emissor foi claro o suficiente para que o receptor consiga entender.

Supor, deduzir, generalizar. Nada disso funciona. É preciso ser factual, quase textual numa conversa. 

Advérbios como "sempre" e "nunca" raramente são fiéis à realidade e expressam muito mais nosso desejo de vencer a briga do que algo dito com honestidade e abertura.

Uma fala honesta surge de uma base vulnerável, que parte do amor compartilhado, do desejo de expor a sua dor, seu medo e esperança, muito mais do que da vontade de convencer o outro acerca de algo.

Dizer, por exemplo, "você é sempre desatento(a) comigo" tem grandes chances de causar raiva, pois é uma acusação, um tipo de violência.

Mas, por outro lado, algo mais elaborado e verdadeiro, como "eu me sinto triste quando você usa o celular enquanto estamos juntos e tenho medo de que isso me afaste de você com o tempo", tem mais chances de provocar algum tipo de abertura.

Essa composição expõe fatos emocionais, delicados, sensíveis, dolorosos, mas não ofensivos, nem expressam ataques velados. Provocam uma reação de espanto e não revanche.

4. Mantenha a calma e a paciência, mesmo diante de uma má recepção

É muito comum que a reação negativa do outro provoque uma correnteza de sentimentos de injustiça, humilhação e depreciação, por isso, o seu auto-controle é tão importante.

Se seu cachorro de estimação morde sua perna, a reação seria apenas de afastar seus dentes, mas não julgar seu caráter.

Precisamos ter esse tipo de auto-controle numa DR, para entender que a pessoa reage negativamente simplesmente porque se sente pressionada a reagir e a não ficar por baixo.

Há pessoas que tem uma absoluta inabilidade para lidar com críticas, principalmente aquelas que tem fundamento.

Quanto mais verdadeira uma crítica, que exponha a pior faceta dela, pior será a reação numa conversa difícil.

Portanto, pare de encontrar intenções malignas nas reações diante de uma crítica, provavelmente é um condicionamento que você também tem, de proteger sua identidade da inferioridade.

Ah, e leve em consideração que pode ocorrer uma reação ruim, para manter a calma na conversa.

5. Empatia

Colocar-se no lugar de alguém é ir fundo naquilo que há de melhor e pior no outro.

Ao falar algo difícil, imagine como seria doloroso ver seu castelo de auto-importância ruindo diante do seu nariz.

Quando somos atacados, um sistema de defesa vem ao nosso socorro, uma pessoa mais madura terá um mecanismo refinado, uma pessoa mais individualista reagirá como uma fera.

Portanto, descubra o que a pessoa está defendendo durante a conversa.

Respirar, dar pausas, olhar no olho, segurar nas mãos, tudo isso ajuda nesse processo.

É um lutando pelos dois e não um contra o outro.

6. Não seja um professor chato

Toda DR é uma conversa que oscila entre várias temperaturas emocionais. Você precisa ser uma espécie de roteirista de cinema para que o expectador não fuja da sala.

Repare nas expressões da outra pessoa, oscile o drama com um pouco de riso, alivie a tensão no meio do caminho, recue, aproxime quando necessário, coloque-se na berlinda um pouco, use um pouco de "autoacusação" para equilibrar as coisas. 

Lembre que toda relação carrega pontos-cegos das duas partes e imaginar que só uma delas é a vilã é de uma ingenuidade sem fim. 

Portanto, adeque-se, use seu lado divertido, tente ser mais aberto e relaxe.

7. Ajude o outro

Entramos num relacionamento para, acima de tudo, facilitar a felicidade de ambos. Para isso, liberdade e o empoderamento são fundamentais.

Uma pessoa sem voz, sem vida, sem autonomia e sem importância fará a relação naufragar mais dia ou menos dia.

Algumas pessoas não reagem bem quando são apontadas, mas têm uma reação melhor quando são convocadas a ajudar. Se todo apontamento difícil vier acompanhado de um pedido gentil, ela consegue respirar fundo, ganhar fôlego e reagir à própria passividade.

Bônus: evite maiores danos e mude

Se uma situação é extremamente difícil, qual seria o melhor jeito da conversa acontecer sem que a outra pessoa saia derrotada? Qual o discurso que ela vai contar para si mesma ao final da conversa? Ela ainda terá dignidade? Conseguirá seguir admirando você? Ou estará imaginando que sua conversa a esmagou?

Se ela vai ter que dar o braço a torcer, precisa de força para fazer isso. E um incentivo nunca fez mal a ninguém.

Portanto, vá aos poucos e, caso necessário, considere dividir o assunto em partes. Não adianta querer arrancar o tatu do buraco. A força contrária que ele fará vai machucar você e o pobre bicho acuado.

Numa "negociação" delicada, ambos precisam tomar fôlego. Afinal, mesmo quando uma conversa venha a ser favorável a você, é bem provável que o resultado positivo acabe cutucando também o seu lugar de conforto.

Com sorte, talvez o resultado da conversa seja tão bom que você também tenha de se mexer para acolher a felicidade decorrente.

* * *

Conversar é uma forma de rearranjar vidas. Achar que é só uma questão de opinião, de ganhar ou perder, leva as DR's para o abismo. Para resgatá-la de lá é preciso um pouco mais de alma e muito menos de ego. A escolha é sempre sua.

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publicado em 24 de Setembro de 2015, 17:18
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Frederico Mattos

Sonhador, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, oferece treinamentos online em A Mente Humana e escreve no blog Sobre a vida.


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