A concorrência falou mais alto

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Dia 4 de junho foi aniversário do meu irmão. O carinha ta completando 16 anos, o que só me faz pensar o quanto o tempo passou e passa tão rápido. Como de costume em nossos aniversários, meu pai deixa escolhermos os presentes e algum lugar pra jantar.

O bolo nesse caso ficou pra outro dia, quando a família inteira estiver junta. Fomos então com meu pai ao Shopping Dom Pedro, aqui em Campinas, onde ele – meu irmão – escolheu alguns presentes e acabado isso, ficamos na dúvida entre onde comer.

Acabamos optando por comer lá mesmo, em algum restaurante das saídas do shopping. A decisão foi um restaurante no estilo bar americano, com hamburgers gigantescos e pelo jeito o melhor ketchup que eu já experimentei na vida. De fora o ambiente parecia agradável, uma luz não tão forte, com mesas espalhadas por todos os cantos e um balcão central, onde parecia rolar muito chopp. Era ali mesmo que passaríamos o resto da noite.

Ao entrar, tivemos a primeira decepção. Uma mulher e um homem esperavam quem chegava na porta, a qual eles abriam e supostamente deveriam ter um sorriso no rosto seguido de um "boa noite", coisa que não aconteceu. Ao contrário disso, não ouvimos nada, absolutamente nada, a não ser pela pergunta seca da grande recepcionista: "fumante ou não fumante?", "não fumante", "é ali ó, na esquerda", disse ela num tom seco, apontando pro canto do lugar. Corremos os olhos uns aos outros, tentando entender de onde tinha surgido aquela puta recepção calorosa e simpática. Bom, demos crédito, na esperança de o atendimento lá dentro compensar o da porta.

recepcionista
Boa noite rapazes. Mesa pra quantos?

Foi aí que surgiu outra decepção. Um garçom – sem pose nenhuma de garçom – veio até nossa mesa perguntar o que gostaríamos de beber. Como estou sem beber, pedi um guaraná e fui surpreendido com uma cara de m... muito escrota falando "Guaraná?", dando a idéia de, "o que? Eu ouvi direito? Você vai querer um guaraná?", como se pedir um guaraná fosse a coisa mais estranha que ele tinha ouvido em toda sua existência. Eu confirmei, "sim, quero um guaraná". Meu irmão pediu algo que eu não me lembro o que foi, mas lembro que a cara foi quase igual, por parte do garçom. Mas... a gente releva. Meio putos da vida, mas relevamos.

Naquela altura do campeonato, pensei sinceramente que aquilo seria tudo, não haveria mais decepção naquela noite. Foi então que meu pai fez a seguinte pergunta, "vocês têm aquele chá gelado, com refill?", o que é mais do que típico nesse tipo de restaurante bar. A resposta: "ããã? Re... o que?". "Refill, reabastecimento...", "aaaah, não tem isso aí aqui não".

Não demorou nem duas olhadas um para o outro da mesa, e as palavras "vam bora daqui" estavam escancaradas em nossas faces. Foi exatamente isso que fizemos. Agradecemos – não sei porque também – e fomos embora.

Andamos alguns metros e estávamos na concorrência, que segue o mesmo estilo do primeiro restaurante bar, mas com uma diferença gritante: atendimento decente. Logo ao entrar, duas belas recepcionistas nos receberam com sorriso no rosto, e um "boa noite" que eu estava realmente com vontade de ouvir.

clodovil
Eu me satisfaço com um bom atendimento. Mas tem gosto pra tudo.

Como vocês devem estar imaginando, esse foi nosso assunto por vários minutos na mesa. Lá tinha mais gente, o mesmo ketchup e hamburgers parecidos com "o outro ali".

Mas afinal. o que diferencia dois estabelecimentos do mesmo segmento, com o mesmo estilo e no mesmo lugar?

Eu vejo tantos estabelecimentos hoje em dia investindo pesado em marketing, treinando seus funcionários pra satisfazerem seus clientes da melhor forma possível e então me deparo com um que não dá a mínima pra nada disso. O que mais me deixa dúvidas, é o fato daquele estabelecimento ser uma franquia, que existe fora do Brasil também, onde o dono não deve pagar pouco. O cara não paga pouco e deixa que essas coisas aconteçam. É pedir pra fechar as portas, e quando isso acontecer, eu prometo voltar aqui pra contar.

Como diz meu professor de marketing na faculdade, "todo mundo gosta de ser bem tratado". Se todo mundo treinasse seus funcionários para um atendimento de qualidade, seria meio caminho andado. Lembrem-se disso quando forem abrir seus próprios restaurantes – e convidarem a equipe da PdH para um jantar -, que eu vou lembrar quando for abrir o meu.

Agora quero saber de vocês. Já foram mal tratados em algum lugar? Como reagiram?


publicado em 17 de Junho de 2008, 19:21
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Breno Spadotto

(Quase) publicitário e apaixonado pelo comportamento humano. Acredita que as coisas só vão para frente se a causa for abraçada: "Take your risks, live your dreams". Pretende escrever de frente para o mar daqui a alguns anos. No Twitter, /@bnospadotto.


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