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A hora certa de revelar seu relacionamento aberto

Sempre que falo dos dilemas de viver uma relação aberta, alguém comenta:

"Tá vendo? É por isso que não dá certo!"

Mas, na realidade, nada dá certo. A gente vive um dia de cada vez e, no fim, todos morremos e o sol explode. Relações abertas são difíceis mas a monogamia é inviável e intolerável.

Um dos principais dilemas é o seguinte.

O poliamor não é só suruba, como pensam alguns. Também tem a putaria e a sem-vergonhice.
O poliamor não é só suruba, como pensam alguns. Também tem a putaria e a sem-vergonhice.

Aprendam: tentar juntar amigos nunca dá certo

Reuniãozinha na minha casa, Teresa conhece Luiz Guilherme. Ela, solteira e a procura; ele, num casamento aberto e a procura. Vi que estava rolando um clima, fui lá, apresentei um ao outro, dois amigos queridos sobre os quais eu só tinha coisas boas a falar. Mais tarde, vieram os dois falar comigo, ambos empolgados um com o outro.

E eu disse pra ele:

“Bem, agora só falta contar pra ela que você está num casamento aberto, não?”

“Ué, ela não sabe?”

“E como ela iria saber?”

“Pensei que você tinha contado.”

“Eu? Jamais. Seu casamento é seu problema. Você que conte pra menina que é casado. Acha que vou me meter nessa roubada?”

“Putz, e eu todo feliz achando que ela já sabia...”

“Nada disso.”

O poliamor não vem de ontem. É mais antigo que andar pra frente e transar pro lado.
O poliamor não vem de ontem. É mais antigo que andar pra frente e transar pro lado.

Um importante dilema ético

Em que momento revelar que, apesar de termos companheiro fixo, também podemos nos envolver com o parceiro em potencial?

Existem várias teorias. Se a revelação vier muito cedo, pode assustar a maioria das pessoas:

“ih, não me mete nesse rolo, não!”

Se vier muito tarde, a pessoa pode se sentir traída:

“e você esperou até depois do sexo pra me contar isso, seu canalha?!”

Na minha experiência, a melhor hora é quando já aconteceu algo concreto que solidifica o interesse (um beijo, um toque, uma promessa específica de sexo, etc), mas nada ainda de muito sério ou que possa significar compromisso (sexo, boquete, juras de amor eterno, etc).

Tenho uma amiga que acha que mesmo isso é demais. Que se sentiria enganada de beijar um cara e depois saber que ele é casado – ainda que casamento aberto. Pode ser, mas é necessário haver um ponto convencionado para essa revelação. Não é viável que eu, na hora em que conheça cada pessoa, passe um cartão dizendo:

“Olá, meu nome é Alex e, olha, caso você queira me beijar, saiba que vivo uma relação aberta!”

Link YouTube | Amor só dura em liberdade | O ciúme é só vaidade | Sofro, mas eu vou te libertar... | Se esse amor | Ficar entre nós dois | Vai ser tão pobre amor | Vai se gastar...

Final anticlimático no qual ninguém gozou

Luiz Guilherme e Teresa marcaram de se encontrar outro dia. Antes do encontro, Luiz Guilherme fez a revelação por telefone, Teresa brochou na hora, fim da história.

E eu perguntei a Teresa:

"Mas e daí que o homem era casado? Pra começar, o casamento é aberto mesmo, isso eu garanto. E você não tem esses moralismos, é solteira, livre, leve e solta, e ainda por cima, nem quer compromisso, porque está indo morar no exterior mês que vem. E estava interessada nele e ele em você. Qual foi o problema?"

"Ah, sei lá, Alex. Não é racional. Homem casado, pagodeiro, evangélico, essas coisas me brocham na hora."

Paciência.


publicado em 22 de Agosto de 2011, 15:34
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Alex Castro

alex castro é. por enquanto. em breve, nem isso. // esse é um texto de ficção. // veja minha vídeo-biografia, me siga no facebook, assine minha newsletter.


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