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A Meia Lata de Leite Condensado

Duas garotas e um leite moça...

Uma dica para ler este conto: imagine duas estudantes do segundo ano do segundo grau. A primeira já despudorada, e a segunda aprendendo a se “despudorar”.

Foi através de boatos maldosos sobre Júlia que Stéfani quis se aproximar dela. Sem preconceitos e com o corpo nunca antes visto por alguém, Stéfani não hesitou.

two-girls
Dá o play.
Mentes curiosas não possuem amarras. Nunca.

Os laços de amizade se estreitaram, naquele ano de 1998, e passaram a conviver com a maldade e a ingenuidade. Nas vestimentas escolares, uma tentava disfarçar os seios despontados, enquanto a outra sabia que o foco, através da camiseta branca, era os próprios.

Depois de quase um semestre juntas, elas já conheciam o corpo uma da outra quando ficavam frente a frente experimentando roupas juntas no mesmo provador de algumas lojas.

Recém neste ano que fui saber, através de Stéfani o que fortaleceu, atormentou e se desenrolou naquela relação que, aos olhos dos outros, podia-se chamar amizade. Numa fatídica noite, adjetivada assim mesmo por Sté, ela convidou Júlia para dormir em seu apartamento. Enfatizou que estaria sozinha e que sua mãe havia deixado meia lata de leite condensado na geladeira...

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Foi um pedido... daquela boca para a minha. Não tive dúvidas, beijei. A curiosidade de tocar em lábios tão femininos me fez perder a noção de quem eu era: outra menina.

Júlia e seus lábios carnudos me faziam companhia naquela noite, onde eu havia esquecido os meus 15 anos e a minha opção.

Quando Júlia deitou-se na cama e encostou o seu corpo, já com formas de mulher, no meu, eu quis desvendar o segredo contido na boca de outra guria. Senti que não ficamos satisfeitas com o “boa noite”, e em meio às palavras senti o gosto de sua saliva. Nem quis pensar no depois. Mas, o “depois” veio e não me deixou mais dúvidas. Era Júlia quem eu queria por aquele momento escuro, intenso e quente... e pele com pele... e úmido... e MOLHADO!

O diferencial era o estar tocando e beijando, digamos, um mesmo corpo. Com seios, pele macia, poucos pêlos e uma mão leve. Esta chegava até minha pélvis e descia quase que involuntariamente, (re)descobrindo um corpo tão parecido quanto o seu próprio.

girlgirlkiss
Hmmm, essa veio
daqui
, para os mais realistas, que tal
essa
...

Cabelos avermelhados, nunca me enganaram, eram a transferência do seu calor. Olhos verdes, agora fechados, querendo olhar o meu corpo só com as mãos. E, elas pareciam gritar: TESÃO, TESÃO, TESÃO!

Sede louca, fome desvairada que me remeteu à lata de leite condensado! "

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Este foi o relato da minha amiga a mim por e-mail. Claro que enviei outro perguntando o que aconteceu depois que ela lembrou da lata de leite condensado. Não houve resposta! Nem o número de celular não era mais o mesmo. Dizem que Stéfani saiu do interior e foi morar em uma cidade grande. Talvez, por achar que nas cidades grandes não haja tantos pudores como em sua cidade natal... talvez, para procurar uma outra menina que também goste de leite condensado.


publicado em 21 de Agosto de 2008, 06:42
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Clarisse Colombo

Jornalista. Geralmente escreve por insights noturnos e jura que seus contos são totalmente fictícios.


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