Estamos procurando um autor para escrever sobre saúde do homem no PdH! Topa? Mais informações aqui.

A queda do Brasil de 1982, há 25 anos

O dia cinco de julho de 1982 vai ficar para sempre marcado na memória dos admiradores do esporte bretão, especialmente os brasileiros.

O local era o acanhado estádio Sarriá, na cidade de Barcelona, Espanha. O cenário, a Copa do Mundo de 82, na qual uma certa seleção sul-americana encantava o mundo com seus craques.

Verdadeiras demonstrações de um futebol bonito e vistoso, buscando sempre a vitória. Neste dia, o mundo iria assistir a queda de um escrete julgado imbatível, mas que não resistiu a um só homem. Paolo Rossi.

O início

A seleção brasileira de 1982 chegava à Copa do Mundo creditada por uma turnê vitoriosa na Europa no ano anterior, com vitórias convincentes sobre adversários como a Alemanha. Nosso técnico, o saudoso mestre Telê Santana, mesmo com a seleção voando, sofria com críticas por não jogar com um ponta direito especialista.

A partida de estréia contra a União Soviética começa mal, com o goleiro Valdir Perez engolindo um frangaço. Felizmente a seleção se recompõe com dois golaços, de Éder e Sócrates, e vira o jogo.

Outro susto no jogo contra a Escócia, mas em grande reação comandada por Éder e Zico, este no auge de sua forma, o Brasil faz 4 x 1. A pobre Nova Zelândia nem viu a cor da bola, com direito a gol de bicicleta de Zico. A seleção encantava a todos.

Brasil x URSS - Gol de Sócrates

Brasil x URSS - Gol de Éder

Gols do jogo Brasil x Escócia

O melhor ainda estava por vir na segunda fase. Caímos num grupo com a nossa tradicional rival Argentina, com um tal de Diego Maradona, e a Itália, que veio se arrastando na primeira fase, sem ganhar nenhum jogo. Itália e Argentina jogaram primeiro, e a disciplina tática dos italianos falou mais alto, 2 x 1. Isto significava um Brasil x Argentina. Que é sempre uma guerra.

Guerra que o incrível futebol da seleção fez parecer um baile de tango. A Argentina não viu a cor da bola, Zico marcou um e deu passes para outros dois gols, e todo o time parecia uma orquestra sinfônica. Nunca desde 1970 uma constelação de craques tão grande se juntava com a camisa amarela, talvez exceção feita a Valdir Perez e Serginho. Placar final de 3 x 1, Maradona expulso e a seleção partia com toda a moral rumo ao sonhado tetracampeonato.

Brasil x Argentina

Veio então o fatídico dia. Brasil x Itália se enfrentariam no Sarriá. O empate favorecia a Seleção Brasileira. O que não estava nos planos dos brasileiros era o despertar de um certo jogador.

Envolvido num escândalo a respeito de fraudes na loteria e resultados arranjados em 1980, o centroavante italiano Paolo Rossi foi suspenso por três anos do futebol. Sua pena foi revogada para um ano, e ele estava um tanto quanto inativo às vésperas da Copa de 82. Passou em branco na primeira fase, e o técnico italiano Enzo Bearzot sofria pressões para retirá-lo do time.

Para nossa falta de forte, o técnico italiano foi teimoso o suficiente para manter Rossi como titular.

Aos cinco minutos do jogo, a estrela de Paolo brilhou num cruzamento na área brasileira, fazendo o primeiro gol da partida.

Ora, nosso time era talentoso, dava para correr atrás. Zico estava sendo caçado por Gentile, que até rasgou sua camisa.

Num lance genial, Zico dribla Gentile e rola para Sócrates, que entra na área e vence o goleiro Zoff. 1 x 1, e novamente estávamos classificados.

Uma desatenção na defesa, Rossi entra, rouba a bola e fuzila Valdir, 2 x 1 Itália. O Brasil pressiona, mas assim termina o primeiro tempo.

O segundo tempo é pressão pura do Brasil, apesar da Itália ter um gol anulado. A defesa italiana contém as sucessivas tentativas do ataque brasileiro. Mas numa jogada genial do ataque brasileiro, Falcão domina a bola, Cerezo distrai a marcação, Falcão traz para o meio e dispara, sem chance para Zoff. 2 x 2, alívio geral, e agora a certeza da classificação com o empate.

Um escanteio bobo, uma bola mal cortada, um chute fraco para dentro da área... Que encontra justamente... Paolo Rossi. O italiano não perdoa e coloca a Itáloa à frente com três gols. Aquela seleção que encantava o mundo estava prestes a voltar para casa.

No último minuto, uma cabeçada de Oscar é disparada rumo ao gol, mas as mãos de Dino Zoff acabam com o sonho do Tetra. Como diria Paolo Rossi em seu livro, anos mais tarde: “Ho fatto il Brasile piangere” (Fiz o Brasil chorar). O futebol-arte acabara de sofrer um golpe duríssimo.

Brasil x Itália

Aquela tarde jamais será esquecida pelos amantes do futebol. Criticou-se a seleção por sempre querer a vitória, poderia ter segurado o empate. Foi o início de uma onda de futebol resultado, um jogo priorizando a marcação e a violência, em detrimento do craque.

O próprio Telê Santana adotou um esquema mais cauteloso em 1986. Era o prelúdio do futebol brucutu.

Hoje temos que aturar uma seleção completamente sem imaginação, a cara de seu treinador, Dunga, que ao contrário daquela brilhante geração, ganhou uma Copa (créditos ao Romário). Ironias do futebol, que o tornam ainda mais apaixonante.

O Estádio Sarriá, talvez por maldição dos deuses do futebol, não existe mais. Foi demolido em 1997. Assim como vimos com a Hungria de 54 e a Holanda de 74, foi demolida a história de uma seleção inesquecível e sua queda.

Aconteceu há 25 anos. A chamada “Tragédia do Sarriá”!


publicado em 06 de Julho de 2007, 04:37
7375567d0f2c379b7588ce618306ff6c?s=130

Mauricio Garcia

Flamenguista ortodoxo, toca bateria e ama cerveja e mulher (nessa ordem). Nas horas vagas, é médico e o nosso grande Dr. Health.


Puxe uma cadeira e comente, a casa é sua. Cultivamos diálogos não-violentos, significativos e bem humorados há mais de dez anos. Para saber como fazemos, leianossa política de comentários.

Sugestões de leitura