Acabou a Copa

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O clima dessa segunda-feira, depois do término da Copa foi imperativo. As pessoas deram os primeiros passos com aquela sensação de que o ano começa para valer. Mesmo os mais politizados sentiram o baque do pós-festa eufórica que representou a Copa do Mundo.

De modo geral, existem duas vertentes de pessoas em relação ao clima festeiro-adoro-feriado-tupiniquim: as que chafurdam e as que criticam. Mas, nesse Mundial, o que se viu foi que, de um jeito ou de outro, todo mundo foi invadido por uma sensação comum.

Lembra daquele seriado que você acompanhou episódio por episódio e sofreu com cada movimento do personagem? A ressaca pós-Copa deu a mesma sensação de fim de temporada. E o que a vida de meio de temporada e Copa tinham de tão especial?

Pense no clima que foi criado. As pessoas tinham a sensação de receptividade global, sentiam como os estrangeiros adoravam sua terra até então semi desprezada. Ao mesmo tempo, cada um sentia a euforia como quem luta por um movimento maior que si mesmo de confraternização dos povos. Além disso, havia o próprio estado de espírito competitivo em que cada um sabia quem era o inimigo e o aliado e qual o caminho seguir.

Mesmo com os altos e baixos da Copa e da Seleção Brasileira, havia uma narrativa clara que se construiu para que cada um adorasse ou odiasse  personagens óbvios como Felipão, Fred, a FIFA, a Dilma ou a politicagem. Esse tipo de mentalidade em que tudo é claro -- ainda que esteriotipado -- é muito fascinante de se viver, afinal, não suportamos andar no vazio, com ambiguidade, sem saber qual é o alvo certo contra o qual atirar ou a meta que devemos atingir.

A ressaca pós-copa esfrega a vida na nossa cara, onde não há garantia e nem mocinho e nem vilão. Nessa hora, é difícil encarar a teia complexa de relações entre estruturas sociais, pessoais que se conflitam externa e internamente e onde tudo parece nebuloso e sem cores definidas. Nessa hora, queremos de volta a desobrigação dos feriados esportivos e aquele calor gostoso de saber por quem torcer e para onde ir e confraternizar.

Agora são só lembranças vistas pela televisão
Agora são só lembranças vistas pela televisão

Não digo que tudo deveria ser cinzento ou colorido, mas ver a vida como o script de um seriado cria inevitavelmente essa climão de luto por dias que escorrem pelo meio dos dedos. Agora é cada um com seu espelho e sua vida, a sua própria Copa que ninguém ganha no final.


publicado em 14 de Julho de 2014, 14:28
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Frederico Mattos

Sonhador, psicólogo provocador, autor dos livros "Relacionamento para Leigos" e "Como se libertar do ex". Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas cultiva a felicidade, lava pratos, oferece treinamentos online em A Mente Humana e escreve no blog Sobre a vida.


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