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Alguns erros não foram feitos para serem corrigidos

Uma nova perspectivas que propõem que nossos erros são apenas um momento no tempo

A essa altura você, leitor assíduo do site, já deve ter percebido que nós temos uma quedinha pelo Jason Fried. O Medium dele está na lista de leitura de boa parte da nossa equipe, nós admiramos o trabalho que ele faz e até usamos alguns de seus produtos na nossa própria rotina.

Foi assim, ocasionalmente, que encontramos este belo e curto artigo publicado originalmente em inglês e traduzido para o português por Julia Barreto. Ele nos apresenta uma nova perspectiva sobre os erros que cometemos. Perspectiva que achamos, no mínimo, interessante e gostaríamos de apresentar para introduzir uma conversa.

Te vejo nos comentários para debatermos nossas impressões a respeito.

Um erro é só um momento no tempo

Alguns verões atrás passei cerca de uma hora passeando por uma galeria não convencional especializada em tapetes do povo Navajo. Na verdade, era mais do que especializada. O colecionador, um curioso personagem chamado Jamie Ross, gostava de colecionar tapetes dos Navajo que tinham palavras, letras ou idioma inglês costurados no design.

Eu estava intrigado com alguns dos designs, então perguntei a ele sobre a história de algumas das peças. Jamie é o tipo de cara que transforma uma pergunta rápida de dez segundos em uma resposta lenta de dez minutos. O que era ok por mim, já que eu não tinha que estar em nenhum outro lugar.

Jamie Ross em sua casa/galeria em Mineral Point, Wisconsin. Fotografia por Tom Jenz.

Ele explicou bastante coisa. Falou sobre sua fascinação por letras e palavras e porque ele gostava delas especialmente quando apareciam em tapetes dos Navajo. Ele também falou um pouco sobre colchas malucas, outra de suas obsessões.

Mas uma coisa que ele disse realmente me pegou. Perguntei a ele porque vários dos tapetes pareciam ter erros nos padrões costurados. Distorções óbvias nas estampas, linhas tortas, ou uma figura que parecia um pouco estranha quando comparada com as outras da peça.

Ele disse que há muitas explicações. Uma das populares é que os Navajo teciam intencionalmente erros em seus tapetes para lembrá-los que o ser humano não é perfeito. Essa sensibilidade pode ser vista também na arte Wabi Sabi no Japão.

Mas ele preferia outra explicação. Ele disse que os erros não eram intencionais. O que era intencional era o desejo de não voltar atrás e consertá-los.

Ele disse que os Navajo viam erros como momentos no tempo. E já que você não consegue mudar o tempo, porque tentar mudar um erro que já aconteceu? O erro já está costurado no tecido do tempo. É bom ser lembrado disso quando você olhar para trás.

Depois, ele comparou isso com o processo de subir uma montanha, se você escala uma montanha, é claro que você vai pisar em falso algumas vezes. Mas você continua. Você não para e começa de novo se você tropeça ou pega o caminho errado. Você continua. Você não pode apagar o tropeço. Acontece, e faz parte da subida. E quando a subida acaba, você terminou. Desde que tenha chegado no topo, você não chama a subida de equivocada.

Se o erro que cometer escalando uma montanha não provocar sua morta, siga em frente.

Da mesma forma, os Navajo não chamam um tapete com alguns pontos estranhos de errado. Se ele foi terminado, é um tapete bem-sucedido e, mais importante, um tapete com alguns pontos errados é um tapete honesto.

Agora, eu não sei se isso é a interpretação pessoal de Jamie, ou algo que estudiosos (ou os próprios Navajos) podem confirmar, mas isso não importa para mim. Eu amo a ideia independentemente.


publicado em 04 de Dezembro de 2016, 00:05
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Breno França

Editor do PapodeHomem, é formado em jornalismo pela ECA-USP onde administrou a Jornalismo Júnior, organizou campeonatos da ECAtlética e presidiu o JUCA. Siga ele no Facebook e comente Brenão.


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