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Amélia: ser ou não ser, não é a questão

Li um bando de textos em resposta ao texto da Ruth Manus no blog do Estadão. Bons pontos, os da mulherada, mas acho que passaram longe do maior problema do desabafo.

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Primeiro que, vamos combinar, a luta da jornada carregada não é novidade. Faz algum tempo que muitas de nós estão lutando entre trabalhar pacaraí e chegar em casa, cuidar das crianças, da louça, do cabelo, da unha, do macho. Tem que fazer tudo, e fazer tudo direito.

Segundo que o que a Ruth fez, ao meu ver, foi nos tirar de um estereótipo e nos prender a outro. Mulher foda e de sucesso é aquela que engrossa a voz no banco de investimento onde trabalha, ganha uma grana preta, viaja, compra o que quer, não sabe a diferença entre alvejante e água sanitária e não, não quer ganhar um liquidificador de presente.

É, mesmo?

Não é a sociedade, os homens que estão confusos (querendo uma mulher que seja foda profissionalmente e ainda tenha os dotes estereotipicamente femininos da cozinha em casa). Nós estamos. Gravitando entre duas possibilidades: a Amélia e a mulher-macho fodástica que rejeita a Amélia com todas as forças.

Mas a real é que não é Amélia ou não-Amélia, gente. Não é masculina ou feminina. Vamos nos encontrar na escala gigante de cinza que existe quando nos libertarmos de verdade das referências estereotipadas.

* * *

Nota dos editores: esse é um post despretensioso, um formato rápido com o qual pretendemos experimentar para compartilhar com vocês ideias e recomendações que valem sua atenção.


publicado em 26 de Junho de 2014, 13:21
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Anna Haddad

Acredita no poder de articulação das pessoas e numa educação livre e desestruturada. Entrou em crise com o mundo dos diplomas e fundou a plataforma de aprendizagem colaborativa Cinese. Tá por aí, nas ruas e nas redes.


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