Aprendendo a enxergar | 40 pinturas que tornam o mundo um lugar fantástico

Antes de apresentar as pinturas aos senhores, se faz necessária uma pequena reflexão:

Comecemos com um desafio: diga, de memória, qual é a cor das paredes e dos portões das 4 casas mais próximas a sua.

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Muito provavelmente você não se lembra, correto?

Isso não quer dizer que sua memória é ruim, mas que seus olhos foram ficando destreinados ao longo da vida.

Ao contrário do que pensamos, nossa visão, ou melhor, a percepção dela, é extremamente social e seletiva. Normalmente enxergamos apenas o que estamos acostumados a querer ou a precisar ver.

A disposição social e a importância emocional

É um dia normal e você está andando de carro em uma avenida comprida. Com certeza ela tem faróis e certamente você parou em todos que estavam no vermelho e seguiu em todos que estavam no verde. Agora, se eu te perguntasse qual destas esquinas tinha a vista mais bonita, seria bem razoável que você não fizesse ideia e nem ao menos lembrasse muito bem como eram algumas delas.

Resumindo, seus olhar detectou com mais precisão, clareza e rapidez as informações que seu "eu social" precisava para seguir em frente, sobrevivendo, enquanto eliminou o que não julgava relevante para isso.

Quanto menos tempo você tem e mais cansado está, mais seu olhar te ajuda a descansar, fazendo com que enxergue somente o que é extremamente necessário para a manutenção do seu cotidiano e para a economia de sua energia (mental e física).

Se, ao terminarmos o expediente, prestes a entrar em um ônibus lotado, nos depararmos com um por do sol fantástico e colorido, o mais provável é que ele não nos desperte grande comoção, ainda mais se tivermos que olhar para cima para poder enxergá-lo.

Se reparar bem, as pessoas que estão em um ponto de  ônibus podem ser divididas em 2 grupos:

O primeiro é o que tenta economizar energia, ficando na posição mais relaxada possível e olhando para baixo (celular) ou para o nada.

O segundo grupo é o que utiliza sua energia para tentar acelerar ao máximo seu percurso de volta, são os que ficam olhando fixamente ou a toda hora para ver qual é o próximo ônibus, afim de agilizarem o término de sua tortura.

Agora pegue este mesmo amontoado de pessoas e o por do sol que elas não deram atenção e os levem para uma praia, durante as férias. Seus olhos estarão socialmente adaptados a situação e perceberão que aquele é o momento em que podem explorar a totalidade do seu poder, então irão permitir-lhe ver realmente aquele por do sol incrível.

Saiba que não foi o céu que ficou mais bonito e memorável, mas apenas sua visão que notou que você estava disposto e entendeu que era o momento dela poder consumir um pouco de sua energia sobressalente, através da contemplação e do esforço para a compreensão pictórica.

Existe ainda outro caso em que é possível realmente enxergar o que nos cerca. São em acontecimentos marcantes de nossa vida.

Quando notamos que estamos em um destes momentos, nossa visão se esforça para captar ao máximo toda a experiência que está sendo vivida. Pense nas cores e nas formas mais lindas e marcantes que viu durante sua vida e provavelmente elas estarão atreladas a momentos tão ou mais marcantes que elas mesmas.

O vermelho vivo que saia do seu joelho depois do primeiro tombo. O formato do seio carinhoso da sua primeira namorada. O violeta do fim de tarde no Pantanal. O degrade do céu da sua primeira balada até de manhã.

Chegamos a conclusão que as mais belas formas e as cores mais pulsantes só existem em pequenos e mágicos intervalos de tempo, em que não estamos somente dispostos a ver, mas também ansiamos a vista.

Pois chegamos onde eu queria.

Para mostrar-lhes estas obras que selecionei, era preciso a compreensão destas duas possibilidades de visão plena.

A proposta que faço é a seguinte: primeiro, se esqueça que está lendo um texto em seu horário vago e de distração. Encare esta conversa como uma chance rara de ser apresentado a alguns dos quadros mais belos que o mundo já produziu, por artistas extraordinários que você sequer conhecia.

Uma compilação única de obras de todo o mundo, que só os tempos de hoje (leia-se: internet) poderiam reunir. É isso que estará diante de você agora.

Já que tenho sua disposição me olhando, é hora de despertar a importância que estas imagens podem ter se você se permitir enxergá-las.

É claro que vocês não serão tocados por todas elas, mas aposto meu reino que pelo menos uma delas te levará para bem longe, e se está imagem mover seus pesados dedos para fora deste post e o fizer procurar uma versão ampliada dela só para poder ficar mais algum tempo a contemplando de perto, minha missão estará cumprida, pois você não estará mais sentado nesta cadeira, não estará mais na frente de um computador.

Você vai estar em uma tempestade no oceano, em um aquário gigante, embrenhado no mato ou no meio de um sonho fantástico, lugares que máquina nenhuma poderá te levar. Onde o sol é tão intenso e caloroso que nenhuma foto é capaz de captar o que se passa.

Deixem que os artistas sejam como óculos, traduzindo a vida embaçada que por vezes levamos, por que, meu amigo, é isto que a Arte pode fazer por você.

1. “At the Old Tuchkov Bridge" - T. Afonina

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2. “Wellpark rescue” - A. Cumming

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3. “Creation of the World" - Ivan Aivazovsky

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4. “Dada is dead” - Adrian Ghenie

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5. “Fiedelnder Tod” - Arnold Boecklin

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6. “Pie fight study 2” - Adrian Ghenie

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7. “Freedom” - Ilya Repin

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8. "sem nome" - Julio Larraz

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9. "sem nome" - Lorenzo Mattotti

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10. "Inner World" - Gao Xingjian

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11. "The snake charmer" - Henri Rousseau

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12. "The Big Fish" - Julio Larraz

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13. "Intimiteiten" - Kenne Gregoire

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14. "Sunset" - Felix Vallotton

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15. "Arrival of Spring in Woldgate" - David Hockney

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16. "Cleaners" - Justin Mortimer

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17. "Moonlit" - Thomas Moran

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18. "Atlantic Storm" - Singer Sargent

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19. "Storm in the mountains" - Albert Bierstadt

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20. "Tiger in a Tropical Storm" - Henri Rousseau

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21. "Feuerwerk vor Neapel" - Oswald Achenbach

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22. "Le Pont- Neuf la nuit" - Albert Marquet

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23. "Isle of the Dead" - Arnold Bocklin

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24. "Ivan The Terrible and his Son Ivan" - Ilya Repin

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25. "The Fog Warning" - Winlow Homer

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26. "Sunset in Mid Ocean" - Thomas Moran

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27. "Adieu" - Alfred Guillou

XMP219600

28. "Twilight in the Wilderness" - Frederic Church

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29. "1962" - Kent Williams

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30. "Winter Timber" - David Hockney

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31. "Evening on the Loire" - Felix Vallotton

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32. "New Ways of Baquereau" - Thomas Hoyne

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33. "Sunset, West Twenty - Third Street" - John Sloan

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34. "Woldgate woods, 26, 27 & 30, july, 2006" - David Hockney

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35. "His Last Dream" - Julio Larraz

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36. "Snow Storm" - Turner

Snow Storm - Steam-Boat off a Harbour's Mouth exhibited 1842 by Joseph Mallord William Turner 1775-1851

37. "Thunderstorm on Narragansett Bay" - Martin Johnson Heade

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38. "Path in the Heathland" - Felix Valloton

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39. "The Shipwreck" - Ivan Aivazovsky

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40 - "Monica Bellucci Drawing" - Hannaasfour

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Porque não existe lista sem Monica.


publicado em 28 de Janeiro de 2014, 22:00
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Bruno Passos

Pintor e dono da Conto Figueira. Ama livros, filmes, sol e bacon. Planeja virar um grande artista assim que tiver um quintal. Dá para fuçar no Instagram dele para mais informações.


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