Aron Ralston | Homens que você deveria conhecer #34

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Talvez não conheça o nome, mas já ouvir falar de Aron Ralston: ele é o alpinista que cortou fora o próprio braço para sobreviver.

O alpinismo é um esporte que proporciona as mais diversas sensações durante sua realização. Caminhadas extensas e de altíssimo nível, trechos praticamente intransponíveis e inúmeros obstáculos podem ser fatores que nos levam a pensar duas vezes antes de embarcar nessa aventura. Entretanto, o intenso contato com a natureza, a sensação de liberdade e o gosto da vitória após ter conseguido chegar ao objetivo final fazem com que milhões de pessoas pratiquem esse esporte ao redor do mundo.

Foi por isso que, em 2003, Aron Ralston, engenheiro mecânico de 28 anos, decidiu passar um final de semana explorando o Cânion Blue John, no estado de Utah, nos EUA. Totalmente confiante de que sua expedição seria um sucesso, não avisou a ninguém aonde iria. “Apenas eu, a música, e a noite: Adoro isso!”, foi o que disse ao começar a viagem.

Capa da autobiografia de Aron Ralston, já revelando o fim da história.

Usava apenas uma camiseta e uma bermuda, possuía um relógio, um boné e uma lanterna que ficava presa em sua cabeça. Carregava consigo uma mochila que continha pouco mais de meio litro de água, um canivete fajuto que havia ganho de brinde, uma câmera de vídeo, uma câmera fotográfica e todo o equipamento necessário para escalada. Gostava de registrar tudo o que encontrava, narrando suas experiências ao gravar vídeos, ou tirando fotos.

Aron sabia qual era o melhor caminho, sabia onde estavam todas as armadilhas, sabia onde deveria pisar ou não. Porém, nem tudo saiu como planejado. Enquanto descia por uma fenda, uma rocha enorme se desprendeu, fazendo com que Aron caísse alguns metros abaixo. O que ele não esperava é que a rocha acabasse prendendo seu braço direito contra a parede de pedra.

Era impossível sair daquele lugar. Ele estava totalmente sozinho no meio do nada.

Como a rocha era muito pesada, Aron não tinha força suficiente para movê-la. Tentava pensar em alguma forma de sair dali, utilizando as ferramentas que possuía. Com seu canivete, tentava raspar a pedra para que pudesse tirar seu braço. Em vão. Com as cordas que auxiliariam uma possível escalada, ele tentava fazer algo parecido com uma alavanca para que pudesse levantar a rocha. Em vão. Nada funcionava.

Passaram-se 24 horas, e Aron resolver gravar um vídeo fazendo um apelo:

Link YouTube | Vídeo original gravado pelo próprio Aron: “Meu nome é Aron Ralston. Meus pais são Donna e Larry Ralston, Englewood, Colorado. Quem encontrar isso, por favor, faça um esforço para entregar isso a eles. Tenha certeza de que eu ficaria muito agradecido.”

Em seu segundo dia de solidão e desespero, Aron possuía cerca de 150 ml de água. Não tinha nenhum alimento. Pensamentos surgiam em sua cabeça em referência ao o que ele poderia ter feito para que alguém viesse salvá-lo. Ele se lembrava de seus pais, que ele havia ignorado. Ele se lembrava de seu colega de trabalho, com o qual conversara antes de sair, mas não tinha dito aonde iria.

À noite, a temperatura ambiente era drasticamente baixa, beirando zero grau. Durante o dia, Aron tomava sol durante poucos minutos. Sua água havia acabado no terceiro dia. A partir disso, sua saída era começar a beber sua própria urina. Aron teve essa horrível experiência em seu quarto dia.

Seu corpo não agia de modo normal, e as suas percepções sobre onde ele estava e se havia alguma chance de sair vivo daquele lugar já eram outras. Ele estava certo de que a morte se aproximava.

Na quinta-feira pela manhã, Aron teve uma alucinação na qual via uma criança. Ele brincava com ela, ensinava como dar os primeiros passos. Ele entendeu isso como sendo seu futuro e, então, ele decidiu que se ele não saísse de lá agora, seu destino seria a morte, já que ele não teria forças suficientes para tentar algo diferente depois, e seu corpo poderia ficar ali por anos, até que alguém encontrasse seus restos mortais.

Reconstituição do local onde Aron ficou preso.
Sua única saída era a amputação. Percebendo que seria impossível cortar os dois ossos do ante-braço preso, já que seu canivete estava totalmente desafiado, a alternativa escolhida por Aron foi utilizar a rocha para quebrá-los. O primeiro osso a ser arrebentado foi o rádio, seguido em poucos minutos pela ulna. Com as cordas que dispunha, fez um torniquete um pouco abaixo do cotovelo, para estancar o sangue que jorraria aos litros após a amputação. Com a faca do canivete, então, começou a rasgar pele, músculos e nervos. Cerca de uma hora depois, Aron estava finalmente livre.

O problema agora era sair do cânion e buscar ajuda. Ele precisava voltar ao seu carro, que havia deixado a quilômetros de distância. Para isso, ele teve que descer cerca de 20 metros utilizando seu equipamento de escalada. Com apenas uma mão, ele fez isso grandiosamente. No caminho de volta, ele teve a sorte de encontrar uma família, que o mais rápido possível pode auxiliá-lo no que ele precisasse e pode chamar alguma autoridade. Aron estava salvo!

Filmaço.
Filmaço.

Atualmente, Aron é palestrante e conta sua incrível história ao redor do mundo. Já participou de vários programas com alta audiência na TV americana, e escreveu uma autobiografia intitulada Between a Rock and a Hard Place. Sua história também já foi o tema do filme 127 Horas, dirigido pelo britânico Danny Boyle, e estrelado por James Franco.

Agora eu pergunto: você beberia sua própria urina a fim de ingerir alguma coisa? Você teria a coragem e determinação de quebrar dois ossos e ficar sem uma parte crucial do nosso corpo, que é a nossa mão? Você teria força suficiente para ficar cinco dias sem dormir direito, sem comer direito e depois descer vinte metros pendurado em uma corda sem uma das mãos?

Assista o trailer do filme.


publicado em 24 de Agosto de 2012, 14:48
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Bruno Santos

Torce para o Paraná Clube, e não vive sem praticar esportes. Almeja conhecer o mundo e sempre busca algo novo para aprender. Decobriu a leitura há não muito tempo, e agora quer se aventurar no munda da escrita.


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