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As 12 verdades que ninguém te conta sobre fazer mochilão

Recebemos do comparsa Marcos Bauch um texto com 12 dicas básicas pro mochileiro de primeira viagem. No entanto, já falamos algumas vezes sobre o tema. E resolvemos botar pra foder, mostrando o lado B por trás de cada uma das úteis (e são mesmo) dicas do Marcos.

Me auto-recrutei para a tarefa, tendo como base algumas presepadas envolvendo mochilão em meu currículo. Sou fã da prática.

Começa assim o sonho

Abaixo, as 12 dicas do Marcos e as minhas 12 verdades.

1.

Escolha um lugar para ir. Dizem que o mundo é pequeno pra quem viaja, mas se você
não tem nem idéia pra onde vai, o mundo pode ser bem grande.

1.b. Escolha de última hora, convença um daqueles amigos influenciáveis a ir junto dizendo que vai ser a viagem de suas vidas. E é mais ou menos isso aí o real planejamento.

2.

Arrume uma boa mochila, de preferência que tenha barrigueira. Lembre-se que o peso
da mochila é carregado no quadril (e nas pernas) e não nos seus ombros.

2.b .Sua primeira saga vai ser uma merda porque você resolveu economizar na hora de comprar uma mochila. Em vez de comprar uma decente, como as alemãs Deuter, vai preferir uma paraguaia. Na segunda vez vai tirar o escorpião do bolso e entender porque se paga mais de R$900 em uma mochila.

3.

O peso da mochila deve ser de no máximo 1/3 (um terço) do seu peso corporal. Por isso, preste muita atenção no que vai levar. Leve o mínimo necessário para sua aventura.

3.b. Como você é um sedentário e resolveu fazer o mochilão pra entrar em contato com seu lado aventureiro, vai descobrir o significado de uma dor mortal nas costas. Trouxa. Quem mandou desistir da academia.

4.

Ao invés de levar sabonete, shampoo e sabão em pó, pra lavar roupas, substitua tudo isso por uma pequena barra de sabão de coco de boa qualidade. Serve muito bem pra tomar banho e ter roupas limpas.

4.b. Seu cabelo e sua pele vão ficar como a de um sujeito perdido do deserto há 10 dias. Isso porque você esqueceu a porcaria do shampoo e do sabonete que sua namorada/mãe/cuidadora deixou separado debaixo do seu nariz. Quem não tem cão, usa aquele merda de shampoo 2 em 1 gratuito sem nome que os hostels dão de graça. Acostume-se.

5.

Leve uma corda plástica fina, uma tampa de pia, um prendedor de roupas e um canivete. Nunca se sabe quando você vai precisar amarrar sua mochila, encher uma pia para lavar roupas, pendurar seu nécessaire num banheiro sem gancho ou até mesmo secar roupas dentro da barraca;

5.b. Aceite o fato de que vai precisar usar camisetas, shorts, cuecas e meias sujas e/ou úmidas em certo ponto da viagem. Você não tem dotes domésticos no Brasil, quanto mais fora dele, cercado de festas e gringas gostosas por todo lado.

6.

Kit de primeiros socorros! Se você toma remédios específicos nunca se esqueça deles! Acredite, o Sistema Único de Saúde brasileiro é MUITO bom quando comparado com o de outros países.

6.b. Se você não fizer um seguro de saúde e por acaso quebrar o braço ou necessitar de algum remédio específico, se prepare para ligar para o papai choramingando por mais dinheiro. Sua conta bancária será arrombada. Ah, leve bastante engov, neosaldina, dorflex e remédios pra mal-estar estomacal, são itens básicos de sobrevivência na selva internacional. Spray de propólis também, você vai perder a voz e inflamar a garganta em algum ponto entre a quinta e a décima sétima festa.

7.

Se você for de avião/ônibus compre apenas a passagem de ida e volta (se suas férias têm data certa pra acabar). Outras passagens, deixe para comprar quando chegar lá.

7.b. Mate seu bloqueio contra pegar carona com pessoas esquisitas/fedorentas/bizarras. Você vai necessitar da generosidade delas para se deslocar.

8.

Reserve um hotel/pousada no primeiro destino, pois procurar hospedagem depois de várias horas mal dormidas, é desgastante. Mas reserve apenas a primeira noite, para que você não tenha cronograma e se veja obrigado a procurar outros lugares.

8.b. Sim, você vai reservar um quarto misto. Não, você não vai transar com duas nórdicas deliciosas sedentas por sexo na primeira noite. Nem na última.

9.

Se for de carro, trace um esboço da sua rota ideal, mas não se prenda a ela. Durante a viagem você vai receber varias dicas e ideias de locais pra visitar e você não deve estar engessado com datas e horários. A melhor coisa é nunca ter muito planos. Prepare-se pro pior, espere o melhor e aceite o que vier.

9.b. Compre um mapa local, de papel. Ao contrário do que a cultura Zuckerbergriana prega, eles ainda são úteis pra caralho. A porra da web *nunca* vai funcionar quando você precisa.

10.

Vá a bares, restaurantes e eventos freqüentados pelos ‘nativos’ do local. Fuja dos roteiros turísticos. Converse bastante com o pessoal da região, eles serão seus melhores guias para descobrir picos muito doidos e pouco freqüentados.

10.b. Confie em pessoas desconhecidas que estiverem bebendo com você. Elas sabem das coisas.

PS.: Leve seu canivete no bolso, ele pode ser necessário para escapar do cativeiro.

11.

Se você estiver num lugar muito bacana, se divertindo, fique. Fique um dia, dois, dez, as férias inteiras. Lembre-se que você não tem planos e nem objetivos concretos nessa viagem.

11.b. Se sua grana acabar e estiver em um local espetacular com pessoas incríveis, venda algo. Faça sexo por dinheiro. Mas dê um jeito de ficar mais tempo, são esses os momentos que fazem a vida valer a pena.

12.

Aproveite! Tudo! Todo o processo! Um mochilão não é apenas a estrada e a aventura. Os preparativos são muito prazerosos, a aventura e o frio na barriga durante a trip são incríveis e rever as fotos e contar as historias depois é fascinante. Curta! O mundo
virou o seu quintal!

12.b. Sua maior preocupação deve ser se arrepender do que não fez. É virtualmente impossível voltar com ressaca moral de um mochilão. O que acontece em Vegas/Machu Picchu/Europa ou numa sauna GLS na Bratislava, fica por lá.

* * *

Bon voyage, pequeno gafanhoto.

Compartilhe abaixo seus aprendizados e experiências sobre o que ninguém mais fala sobre mochilões. É sua chance de salvar um zé ruela de entrar na mesma roubada que você.


publicado em 14 de Abril de 2012, 13:00
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Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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