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As escolhas da nossa vida quando trava o elevador

Pane. Do elevador ou da nossa mente?

Todos em silêncio. O elevador para. Dez segundos se passam. Nada. Nem ruído. As luzes do elevador se apagam. Estamos presos entre o décimo primeiro e o décimo segundo andar de um edifício comercial. Cada qual das cinco pessoas no elevador tão distintas quanto quaisquer cinco pessoas num elevador de um edifício comercial. As coisas são como as coisas são, e não se fala mais nisso. Aliás, lá dentro, também, ninguém fala nada. O silêncio persevera e começa a se transformar numa espécie de incômodo físico. O suficiente para que no instante seguinte a pessoa a minha direita se mexa, incomodada. Sinto seu cotovelo encostar no meu antebraço.

“Desculpa”, ela murmura.

“Capaz”, respondo.

“Que situação, hein?”, fala um terceiro.

“Eu sou claustrofóbico”, diz o outro.

“Procura te manter calmo, cara”, diz o último.

“Mas como?”

“Não sei, respira fundo, sei lá.”

“Isso, respira fundo”, concorda a pessoa ao meu lado direito.

“E se eu respirar demais não vai acabar o ar pra vocês?”, pergunta o claustrofóbico.

“Puta merda. Aí não, né. Respira devagar, então.”

“Já era. Perdi o controle”, retruca ele, já esbaforido.

“Desmaia ele, tchê!”, alguém me fala sinalizando com cotoveladas de motivação nas costelas.

“Vocês tão tudo louco!”

“Desmaia ele, cara! É ele ou nós!”

“Eu não vou desmaiar ninguém, porra!”

A luz volta. O elevador se mexe. Todos em silêncio.

Obs.: este artigo foi originalmente publicado no Medium do autor.


publicado em 25 de Janeiro de 2018, 00:00
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Sergio Trentini

Cursou psicologia, administração e jornalismo. Não terminou nenhuma das três. A última já passou da metade, e essa, jura que vai acabar. Assim como todas as histórias que começa a escrever. Escreve lá no Medium


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