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Até quando fazemos novos amigos?

Estava numa conversa outro dia e no meio do papo surgiu a polêmica de que os únicos amigos de verdade que um homem possui são os que conheceu quando ainda estava crescendo.

Ou seja, os que estudaram juntos, mataram aula, jogaram futebol na rua e tomaram todas nas festas. Mas será mesmo? Começamos a debater até que ponto de nossas vidas seria possível fazer novas amizades, deixando bem claro as distinções entre alhos e bugalhos.

Eu sou seu conhecido ou seu amigo, Timão?

E para esclarecer essas distinções e descobrir o grau de amizade que temos com cada pessoa, desenvolvemos - abastecidos por quantias obscenas de chopp e petiscos - uma nova e infalível metodologia baseada em uma pergunta chave. Acompanhe.

Teste do Nível de Amizade

Você iria ao funeral do Boris Yeltsin?

"P: Você iria no funeral do [insira nome qualquer]?
R: Depende, a irmã era gostosa?

Nível de amizade: conhecido"


"P: Você iria ao funeral do [insira nome qualquer]?
R: Claro. Tivemos uma boa convivência. Preciso apenas confirmar se não tenho nenhuma viagem marcada na mesma data.

Nível de amizade: colega"


"P: Você iria ao funeral do [insira nome qualquer]?
R: Com certeza. Já passamos por poucas e boas juntos. Era um parceiro.

Nível de amizade: amigo"


"P: Você iria ao funeral do [insira nome qualquer]?
R: Desgraçado, ele morreu mesmo? Mas que filho da puta! Vou no enterro nem que precise desmarcar meu próprio casamento.

Nível de amizade: amigo do peito"


A quantidade de pessoas que conhecemos em nossas vidas é enorme. Depende muito de nossa personalidade, de nosso trabalho, de nossos amigos, de nossa família. E arrisco dizer que depende muito de nossa idade.

Quanto mais o tempo passa, mais endurecidos nos tornamos. Passamos a usar muitas máscaras diferentes. Vestimos personagens distintos no trabalho, na hora da farra, entre os conhecidos. São uma espécie de camada protetora. Nos impede de nos aproximar muito de outras pessoas.

E criamos o péssimo hábito de ser excessivamente cordial. Nos tornamos seres polidos e civilizados. Procuramos sempre a melhor alternativa em cada situação e nos preocupamos com que os outros vão pensar que estamos pensando sobre o que eles estão pensando. o_O

A dura realidade é que a maioria vai apenas passar por nós. De cada dez, sete serão conhecidos, dois serão colegas e um, quem sabe, será amigo. No entanto, todos passam.

Mas há um tipo diferente, aquele filho da mãe que te liga no meio da noite e convence você a sair de casa para assistir a final do campeonato e tomar um porre homérico, mesmo sabendo que seu trabalho no dia seguinte começa às seis da manhã. Esse é o tipo de cara que te xinga quando você começa a chorar as pitangas depois de tomar um chute da namorada. E foi ele mesmo quem te levou pro bar.

É o sujeito que nos acompanha nas maiores - e piores - roubadas. Amigo de verdade é o cara que te manda tomar no **.

E quando acontece algo horrível e até a polícia é envolvida, não espere que ele vá pagar a sua fiança. Ele vai estar dentro da cela rindo com você.

E agora, como vamos sair dessa, Willy? Não faço a menor idéia, Paulie...

A maioria das mulheres nem sonha em saber o quão forte é a verdadeira amizade masculina. Esse é um privilégio de nossa raça. Homens não precisam ficar ligando uns pros outros todo dia. Nem contar as novidades. Podemos ficar anos sem rever um grande amigo e nada muda.

Como costuma dizer meu pai, contamos essas amizades nos dedos da mão. São nossos amigos do peito. Esses não passam, ficam pra sempre.


publicado em 25 de Abril de 2007, 15:17
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Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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