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Black Hole: Quadrinho ousado para leitores exigentes

Conheça a trama intrincada e cheia de idas e vindas temporais, sonhos e alucinações de Charles Burns

A adolescência é um período da vida muito complicado para a maioria das pessoas e poucos artistas gráficos conseguiram retratar essa fase tão bem quanto o quadrinista Charles Burns.

A HQ Black Hole foi lançada originalmente, nos Estados Unidos, em doze capítulos entre os anos de 1995 e 2005, e, posteriormente, foi compilada em uma única edição, como graphic novel. Aqui no Brasil, saiu em duas partes (Black Hole vol. 1: Introdução à Biologia, 2007, e Black Hole vol. 2: O Fim, 2008), pela editora Conrad.

A demora para completar a história se deve, principalmente, ao esmero de Burns. Além da arte impecável e repleta de detalhes e nuances em todas as páginas, o roteiro é intrincado, cheio de idas e vindas temporais, sonhos e alucinações, o que requer muita atenção do leitor para a compreensão da obra em toda sua magnitude.

A sinopse da história é essa aqui:

“Nos arredores de Seattle, em meados da década de 70, um espectro sem nome ronda os pensamentos dos adolescentes locais. Uma praga insidiosa se dissemina pelo contato sexual e parece não poupar ninguém. Em cada um dos infectados, ela se manifesta de forma diferente - enquanto alguns se safam com simples manchas na pele, outros se transformam em aberrações, criaturas deformadas, vagas lembranças do que foram um dia. Para esses, não resta alternativa a não ser o autoexílio em acampamentos precários, afastados da civilização.

É nesse clima de horror e insanidade que se desenvolve o enredo de Black Hole. Nele, a juventude é a porta de entrada do purgatório; o sexo, o início de um terrível pesadelo; e a vida, uma sinistra roda-viva que transforma tudo o que toca em uma espiral interminável de provações e injustiças.”

A doença sexualmente transmissível retratada por Burns pode (e deve) ser encarada como uma poderosa metáfora sobre as transições da adolescência para a vida adulta, como a da descoberta da sexualidade, da desesperança quanto ao futuro, e as mudanças advindas da explosão hormonal, que podem assustar alguns jovens ao ponto de se considerarem portadores de uma doença digna de reclusão. Mas também pode ser encarado como uma abordagem alternativa para a AIDS… Como toda boa obra de arte, tudo em Black Hole está aberto a interpretações e é isso que torna a história tão diferenciada.

Não é por menos que a HQ foi amplamente laureada com os principais prêmios da indústria norte-americana. Ganhou sete prêmios Harvey (seis como arte-finalista, um por capista). Em sua publicação como volume único, levou outro Harvey e também o prêmio de Melhor Graphic Novel (republicação) do Eisner Awards.

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publicado em 21 de Outubro de 2015, 00:00
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Daniel Lopes

É apresentador e editor do site Pipoca e Nanquim, autor dos três livros da série "Quadrinhos no Cinema", lançados pela editora Generale entre os anos 2011 e 2013. É editor dos títulos da DC Comics e do selo de quadrinhos adultos Vertigo publicados pela Panini.


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