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Boa Noite, Mamãe: o filme de terror que você realmente quer ver

O filme austríaco Goodnight Mommy ("Ich seh, Ich seh") traz o terror e suspense europeu pras telas e incomoda demais os desavisados

Se umas crianças cantando música de ninar em alemão austríaco já não for o suficiente pra meter o cagaço em geral, eu não sei mais o que pode amedrontar vocês. Mas pra quem tem colhões para tal, há mais terror e suspense em Boa Noite, Mamãe do que mostra esse bonito trailer.

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A primeira coisa que devemos ter em mente ao assistir o filme é lembrar que se trata de uma película europeia. Então esqueça a trilha feita pra te ajudar a sacar onde tá o susto ou onde vai ficar pesada a parada. Tira das expectativas também a ação, heroísmo, redenção. No velho continente, não é assim que a banda toca e, definitivamente, não é assim que se mete medo em alguém.

Dois garotos se divertem no entorno da casa quando a mãe retorna de uma cirurgia facial. Incomodada e sensível, ela não quer barulho ou luminosidade no casarão. Ganhamos aqui o desconforto do silêncio, dos movimentos lentos, do choque entre as crianças estranhando a nova rotina com a convivência brusca e áspera da mulher. O inconveniente está feito.

A contemplação é inerente. Você é forçado a se posicionar como expectador passivo (sim, você é sempre passivo ao assistir um filme, mas aqui a tarefa ganha uma conotação mais proposital e próxima da obra) e se ver na constante posição de incomodado. Esquece essa coisa de ver suspense gritando e apontando o dedo pra avisar a mocinha que o assassino tá logo ali atrás. Agora você é mais um amarrado e amordaçado, vítima da confusão proposital que o filme te causa. As fotos borradas na parede, o jeito silencioso dos garotos, do clima da casa, todo aquele bucolismo que sufoca pelo contexto de clima pesado. 

O grande mérito de Boa Noite, Mamãe é o de trabalhar seu psicológico com essa atmosfera desagradável até o terror finalmente começar. E aí a brincadeira toda nos remete ao cult Funny Games, também austríaco (refilmado em Hollywood) e dotado de uma violência plástica e gratuita. Uma confusão que vai te levar ao ponto que os diretores, Severin Fiala e Veronika Franz, querem que você esteja e desorientado na medida que eles querem que você esteja. 

E dá bem certo.

A tragédia evidenciada de modo artístico. Sem pressa. vendo beleza naquilo tudo. Como um bom sádico adoraria fazer.


publicado em 22 de Março de 2016, 00:05
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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