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Um convite pra falarmos sobre homens e vaidade

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A vaidade masculina tem uma história curiosa.

Alterna entre se assumir e se esconder, dependendo da cultura e da época. Pois sejam quais forem os padrões vigentes, a aparência determina muito da percepção dos outros sobre nós. É expressão de poder, atributo que sempre andou de mãos dadas com a virilidade.

Na Grécia antiga a beleza feminina não tinha importância, se comparada à dos homens. O atletismo era o caminho para a perfeição física e mental, um atalho para a divindade. Não à toa, Adônis até hoje nos serve como designação para corpos perfeitos. Para os gregos o bom cidadão da polis tinha de ser “kalós kai agathós”, dito de outro modo, belo e virtuoso.

No Egito, os nobres do passado se depilavam pra remover as impurezas e assim ficarem mais perto dos deuses. Controlavam o peso por meio de dietas com frutas e verduras, usavam máscaras faciais e óleos para tratar e perfumar a pele. Removiam odores corporais com óleos e cremes de leite, mel e lama. Se maquiavam tal qual as mulheres.

Luis XIV, o Rei Sol, governou de salto alto e corando o rosto com blush. Suas perucas foram moda na corte francesa – e de países vizinhos – por mais de 150 anos. Construiu o Palácio de Versalhes envolto em brocados e joias. Para o Rei Sol e seus contemporâneos, o poder estava ligado à imponência estética. E foi Napoleão, para promover a igualdade, quem proibiu o uso de saltos.

Os índios Mehinako e os Kayapós, aqui mesmo no Brasil, se pintavam antes da guerra e durante danças rituais, para invocar a força de seus deuses.

Depois vieram os dândis, cavalheiros perfeitos e de apurado senso estético, com suas mangas bufantes e golas enormes. Oscar Wilde, Charles Baudelaire e o carioca João do Rio.

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Todos acima nos dizem algo

Quase tudo que hoje poderia ser visto como frescura ou caprichos de "mulherzinha" já foi feito por homens admirados por outros homens. Líderes, sacerdotes, guerreiros, artistas, reis.

Calha que, no século XIX, a vaidade masculina voltou pro armário.

A revolução industrial e o racionalismo colocam os homens como uma figura cartesiana e desprendida da estética. As mulheres permanecem frágeis, passivas, agradáveis cuidadoras e belas a todo momento, destinadas ao deleite de seus consortes.

A austeridade estética se impõe aos homens. Cuidar de si além do mínimo necessário a nada serve. Que se varram as emoções exageradas e sinais de fraqueza para debaixo do tapete. A identidade masculina dessa época se constrói negando tudo aquilo percebido como feminino.

O suposto sexo forte a todo momento precisa dizer que não é mulher, nem fracote, infantil ou manso. É macho, comedor de pregos, capaz de sustentar qualquer parada, sempre pronto. Ser masculino se distancia do contato, da troca, da cumplicidade e do zelo. As bases dos papéis de gênero atuais se consolidam.

Só que ninguém aguenta esse peso sem entortar. Homem é gente. E gente precisa de cuidado.

Após a metade do século XX, referências únicas são esquecidas e outras identidades, ainda que tímidas, sobem no tablado.

Para ostentar virilidade, a preocupação com aparência recebe sinal verde. Ter sucesso profissional, conquistar mulheres, exibir forma física e alardear sua saúde adentram o inconsciente coletivo dos homens como justificativas para se preocupar com o reflexo no espelho.

A vaidade, que jamais deixou o palco, retorna à cena.

Jaqueta Steve McQueen e cara de quem não liga pra nada. Quem sabe óculos aviador e uma camiseta branca James Dean. Frank Sinatra em seu casaco bomber. Michael Caine num terno bem cortado, como o sedutor Alfie. Topetão Tarcisio Meira. Os olhos verdes de Chico Buarque. O performático Ney Matogrosso. As pernas torneadas de Leão, quando era goleiro. Os mullets de Renato Gaúcho. O cavanhaque de Fábio Júnior nas novelas. O peito peludo de Toni Ramos. O charme de José Wilker. A camisa aberta até o umbigo e o bigode de Antônio Fagundes caminhoneiro na década de oitenta.

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Obcecado em ser reconhecido viril, quase todo homem é um narciso em potencial.

Se nega a estética feminina, é para afirmar em seu aspecto rústico o desdém por aquilo que desqualifica sua macheza. Quando assume impulsos de vaidade é para seduzir, conquistar objetivos, jamais por "futilidade".

Essa neurose aprisiona.

Pensar que vaidade se resume a loções caras, maquiagem e a tratamentos que só as mulheres fazem é apenas uma maneira de nos enganar. De fazer acreditar que nossas preocupações estéticas são superiores às das mulheres, pois seriam justificadas e de notória importância.

Cabelo em dia, terno alinhado, sobrancelha domada, hálito de menta, dentes retos e brancos, pele decente, corpo saudável, músculos desenvolvidos, olhar forte, aperto de mão firme, perfume na medida, sapato correto, tênis da moda, calça passada, carro do ano, casa de encher os olhos, esposa atraente, filhos bonitos, cargo de liderança, dinheiro em conta, rosto tenso de quem está no controle da situação.

A vaidade masculina perpassa tudo isso. Seja voltada pra si, para nossas posses ou para aqueles com quem escolhemos nos relacionar.

Que os homens entendam que sempre foram e ainda são vaidosos. Apenas expressam tal traço de outros modos.

Que cada um de nós cultive sua beleza como bem entender. Com uma necessáire cheia ou se virando com água e sabão.

Sem medo de expor nossa relação com a aparência, seja ela qual for. Construir a masculinidade para além de uma caixinha com limites e regras é um convite à liberdade.

Afinal, não se nasce homem. Torna-se homem.

E nenhum creme hidratante vai tirar isso de você.

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