Cara, você tá bêbado! Ass: o cartão do estacionamento

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O jornal Correio Brasiliense publicou uma matéria em fevereiro de 2013 sobre a relação de acidentes de trânsito estarem relacionados com o consumo de álcool. De acordo com a pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde na época, 21% dos acidentes de trânsito no Brasil estão relacionados com o uso de álcool. O levantamento, feito em 71 hospitais do Sistema Único de Saúde de todo o país, apontou que, com a adoção da nova Lei seca, que mostra tolerância zero ao uso de álcool, houve uma redução de 24% de mortes durante o período de carnaval.

“A relação entre o álcool e direção é fatal. Leva não só ao óbito, mas à deficiência também. Nossos dados apontam que o aumento de blitz reduz o número de acidentes no trânsito”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.

Ainda segundo o levantamento, em 40% dos casos de acidentes no trânsito no país estão envolvidos pessoas na faixa etária entre 20 e 39 anos.

Se falta gente para avisar, agora pode não faltar mais
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Acidentes causados ​​por embriaguez ao volante são um grande problema em todo o mundo. Cingapura possui mais de 2.140 casos de embriaguez ao volante relatados nos últimos 12 meses e, como aqui, as autoridades estão tendo problemas para lidar com o a situação de forma eficiente.

Para tentar colaborar com a diminuição de acidentes causados pelo álcool por lá, uma das casas noturnas mais importantes no sudeste da Ásia, a Zouk, criou uma maneira bem interessante de persuadir seus clientes.

A parada é a seguinte: quase todos os motoristas bêbados pensam que estão sóbrios o suficiente para dirigir e fica difícil explicar para esses que eles provavelmente não estão mais aptos para pegar no volante. Como persuadi-los?

Quando eles vão mijar.

A discoteca, em parceria com a agência de marketing DDB Group, criaram um sistema de identificação da quantidade de álcool na urina de seus clientes. Olha só o esquema:

Ao deixar o carro com os manobristas da balada, em vez de receber um bilhete ao entregar as chaves, o cliente fica com um cartão RFID (Radio Frequency Identification Device). Cada mictório dos banheiros está equipado com um gadget que detecta a quantidade de álcool na urina do usuário e, ao memso tempo, se conecta ao cartão RFDI e envia os dados da "coleta" automaticamente. Se o nível de álcool estiver acima do limite legal, o cartão é marcado e uma mensagem é exibida acima do urinol, dizendo ao dono do cartão que ele bebeu muito e acaba aconselhando-os para chamar um táxi ou usar o sistema de drive home do Zouk.

Ao sair do clube e pedir as chaves do carro no estacionamento, o cartão novamente aponta que o usuário bebeu além da cota e os motoristas bêbados foram convidados a usar um táxi ou sistema de drive home da boate. Durante um período de duas semanas, mais de 573 motoristas embriagados foram detectados, dos quais 342 optaram por deixar seus carros no clube e ter alguém para levá-los para casa. 

Link YouTube | Olha só como funciona o lance todo

Com o sucesso do aparelho, a ideia está para ser implantada em todo o país.

O que parece que rola, voltando ao Brasil, é um desleixo velado por parte de todos: do motorista ao estabelecimento, passando pelos amigos e família. Deixar alguém dirigir alcoolizado é algo que deveria ser fortemente combatido, altamente recomendado, somando as forças de todos esses que eu comentei agora. É de um atraso tremendo perceber que uma droga legal pode dar a alguém o direito de virar uma arma gigantesca (homem + álcool + carro). A lei deve coibir, claro, as ainda há a liberdade de ir e vir. Só que há a intensa necessidade de mudar o pensamento também de quem está sóbrio e no círculo próximo de quem bebe e está dirigindo.

Eu, particularmente, não bebo e estou há tempos sem dirigir. Com isso, não faço ideia do que se passa na cabeça de quem bebe e está de carro. É tão difícil assim entender que, tendo bebido, não há mesmo condições de dirigir?

O que acontece? Rola uma tentativa de auto afirmação de capacidade? Uma tentativa de não se mostrar mais frágil com o álcool? Quem bebe, quem dirige, me contem aqui embaixo o que se passa em suas cabeças sobre esse assunto e -- com uma fala verdadeira mesmo -- o que se passa na cabeça de vocês quando bebem e querem dirigir.


publicado em 19 de Julho de 2013, 07:00
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Jader Pires

É escritor e colunista do Papo de Homem. Escreve, a cada quinze dias, a coluna Do Amor. Tem dois livros publicados, o livro Do Amor e o Ela Prefere as Uvas Verdes, além de escrever histórias de verdade no Cartas de Amor, em que ele escreve um conto exclusivo pra você.


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