Carta aberta ao garçom sem nome (obrigado por tudo)

Um singelo agradecimento ao melhor dos amigos: aquele que nos serve nos botecos da vida

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“O bar deu uma caída, mas Fulano(a) continua ponta firme. Vai lá”. Quem nunca ouviu algo do tipo em relação a um garçom, não sabe o que é ter alguém de confiança do outro lado do balcão ou segurando a bandeja. Para alguns invisíveis, os garçons são, para quem habita a boemia, a alma de botecos e bares.

Tanto faz se fulano é o melhor, o mais simpático, o mais eficiente, te oferece saideira ou é aquele que se destaca em um critério que só você acredita que é importante. O que importa é ser aquela pessoa que te faz indicar o bar sem pestanejar: "Vai lá e procura fulano (a)". Ou ainda: "Não sei o nome de verdade, mas é o bar de Fulano (a), pergunta lá que cê acha".

A história da carta abaixo pode ou não ter acontecido. Mas a verdade é que todo mundo tem uma história para contar ou um garçom amigo a quem deve uma ou gostaria de abraçar.

Assista o vídeo abaixo, que conta um pouco da história e das motivações por trás de três dos profissionais mais queridos de São Paulo, e depois divida conosco nos comentários: quem é seu garçom preferido (ou mais de um, por que não?) e qual a sua história com ele?

Link YouTube

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Carta aberta ao garçom sem nome (obrigado por tudo)

18 de Dezembro de 2015

Meus caros,

Antes de mais nada gostaria de lhes pedir desculpas por essa mensagem tão impessoal, ainda que carinhosa.

Sempre que me sento em um boteco, faço questão de perguntar o nome de quem labuta por ali, aportando de mesa em mesa. Entre meus garçons favoritos já estiveram Quinn, Edmar, Cabral, Ednaldo, Mazé, Baixinho, Cícero, Ailton e Ivanildo, mas a verdade é que não foram só esses os que me fizeram feliz nessa vida boêmia.

Vocês também tem um lugar cativo no meu coração.

Não é por que os nomes não ficaram gravados na memória – nem sempre ela fica intacta noite afora – que eu esqueci de tudo o que vocês já fizeram por mim.

Teve aquela vez da saideira inesperada em um bar desconhecido, a do tira-gosto recomendado e aprovado com louvor, a simpatia acolhedora, o ombro terno em uma noite solitária e a (sempre presente) paciência inesgotável. E as cervejas estupidamente geladas? E as histórias? E as conversas?

Enfim. Decidi escrever esse mea culpa e publicá-lo na internet para que vocês saibam que, enquanto estiverem distribuindo abraços, cervejas e sorrisos por aí, alguém como eu estará eternamente grato pelos seus serviços – ainda que com a língua enrolada demais do outro lado da mesa para lhes dizer isso na hora.

É tanta coisa que mal soube por onde começar a agradecer. Mas sei por onde terminar: obrigado por tudo, e desculpe qualquer coisa.

Um abraço (apertado),

Ismael.

Para ler mais sobre cerveja:

O que é um boteco e o que seu bar favorito significa pra você?

Guia cervejeiro para iniciantes

Qual é a cor da cerveja que você bebe? um guia de coloração

A história da cerveja

Como fazer uma degustação de cerveja

Qual a temperatura ideal para beber cada cerveja

Copos de cerveja para ir além do velho copo americano de boteco

14 cervejas para descobrir como agradar seu paladar

28 curiosidades sobre a cerveja

Mecenas: Adriática

A lendária cerveja puro malte de Ponta Grossa - PR foi relançada, mas apenas em alguns (poucos) bares do Brasil. Feita pelo alemão Henrique Thielen em 1893, a Adriática é uma das primeiras cervejarias do Brasil. 


publicado em 18 de Dezembro de 2015, 15:58
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Ismael dos Anjos

Ismael dos Anjos é mineiro, jornalista e fotógrafo. Acredita que uma boa história, não importa o formato escolhido, tem o poder de fomentar diálogos, humanizar, provocar empatia, educar, inspirar e fazer das pessoas protagonistas de suas próprias narrativas. Siga-o no Instagram.


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