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Código de honra de games de celular (ou 3 formas de foder seu amigo com um smartphone)

Existem alguns códigos de honra bem conhecidos. Coisas que todo mundo sabe (ou deveria saber) e nem todos praticam.

Código de relacionamento, por exemplo, como não pegar a ex (por favor, nem a atual) do melhor amigo. Mãe, então, é coisa sagrada. Mantenha distância.

Código de bar: cada um paga uma rodada, dividir cada cerveja de maneira igual, ir no mesmo bar até virar amigo do garçom. Ok, ninguém precisa ir sempre no mesmo bar, mas ser amigo do garçom é bom e eu recomendo.

Código de balada: chegar em alguém para ajudar o outro, não ir embora sem avisar o amigo, entre outras tantas coisas pré-acordadas entre os homens desde tempos tão antigos que ninguém se lembra mais como começou.

Se é certo, errado ou faz sentido, eu não sei. Só sei que foi assim que me ensinaram e a vida tem seguido desse jeito.

Esses são códigos que todo mundo já conhece. Porém, existe um código tão importante quanto e que ninguém fala. Ninguém comenta. E ele não deve ser esquecido: o código de honra do game de celular.

Sim, um código que vem dos tempos de Game Boy. Por que o Game Boy? Porque o cartuchinho do portátil passava a sensação de uma experiência pessoal. Tudo bem, até existia jeitos de jogar de dois, mas o cartucho de cada jogo era um só. Exceto em alguns casos, você não emprestava-o para o amigo.

Foi assim que essa sensação de ter um jogo só seu, um recorde só seu, teve início.

Foi assim que o Código de Honra de Games de Celular começou.

Não quebrarás o recorde no celular do amigo

No Texas é assim: "Tire a mão do meu iPhone 5, seu desgraçado!"
No Texas é assim: "Tire a mão do meu iPhone 5, seu desgraçado!"

A primeira regra desse código também é a mais importante. Nunca, mas nunca, sério, nunca a viole. É tão sério que até fiz outra frase: nunca quebre um recorde no celular do amigo.

Isso é uma lição pra vida. É algo que não se faz nem para o seu pior inimigo.

Uma vez quebrado o recorde do jogo de celular por outra pessoa, a magia também se quebra. Sim, a magia. De repente, você não joga mais pra se divertir. Não senhor, você joga pra quebrar o recorde desse pseudoamigo filho da puta, só pra poder ligar pra ele às 3 da manhã, depois de ficar 15 horas acordado, jogando a porra de um jogo (que você nem gosta mais, diga-se de passagem) e dizer:

"Tá feliz? Tá feliz? Quebrei seu recorde, maldito!"

Isso acontece porque somos seres competitivos. Quando temos um jogo que é só nosso, ele é só nosso. Você quer jogar o Threes!, Limbo, Dots, Badlands, Ending ou Angry Birds? Legal, mas joga no seu que eu jogo no meu.

Podemos comparar recordes, ser rivais, jogar juntos online, qualquer coisa assim. Mas você não pode quebrar o meu recorde no meu celular, só no seu.

Quando alguém faz isso, a Lei de Talião volta a valer. É olho por olho, dente por dente e recorde por recorde. Eu garanto: no minuto que você sair da sua mesa de trabalho, eu descubro o código do seu celular e quebro o seu recorde.

Quem vai ficar acordado até as 3 da manhã agora?

Não recomendarás jogos ruins

"Esse jogo é muito mainstream, cara"
"Esse jogo é muito mainstream, cara"

Outro código é : você jamais deve recomendar um jogo chato no celular do amigo. Quando fizer isso, dê sempre três opções. Porque nem todo mundo pensa igual. O que é um jogo animal pra você, pra mim pode ser só um bando de passarinhos bravos e suicidas que resolveram aprontar altas confusões destruindo prédios.

Por favor, tente variar essas opções. Não fale só de jogos gratuitos que tem propaganda a cada 10 segundos, nem jogos de 20 dólares que foram feitos em função da usabilidade hipster e você demora 4 dias só pra descobrir como se joga.

Poucas coisas são tão frustrantes quanto esperar aqueles infinitos segundos de loading e atualização para dar de cara com um jogo chato. O foda é que você se percebe de volta no meio da cagada e até começar outro jogo, já terminou o serviço que tinha ido fazer no banheiro.

Sem contar que gasta o 3G e a bateria, o que nos leva ao terceiro código.

Jamais acabarás com a bateria do celular de outra pessoa

"Eu crio pássaros" "Onde?" "No Angry Birds"
"Eu crio pássaros" "Onde?" "No Angry Birds"

O último, mas não menos importante, é apenas jogar no celular do seu amigo quando a bateria estiver acima dos 70%. Ao contrário do que deveria acontecer, a bateria do celular vem durando cada vez menos. (Aqui cabe um parêntese: por que a ciência avança em tudo, menos no que realmente me importa?)

Eu não vou ficar pedindo por cabo de iPhone emprestado pra todo mundo da firma só porque um filha da puta quis ver como tava o novo Plants vs Zombies no meu celular e não no dele.

A tragédia, claro, sempre pode ser pior, em especial se for comigo. Posso precisar responder uma mensagem de alguma garota sobre o encontro da noite, querer usar o Waze pra chegar no restaurante veggie tailandês na Vila Prudente que ela respondeu como opção de encontro. Então, subitamente, antes que qualquer definição seja dada, vejo a bateria do celular morrer na minha frente. E tudo por causa de um jogo.

Pra piorar: um que nem fui eu que joguei.

* * *

Essas são as três principais regras do Código de Honra de Games de Celular. Leia, decore. Leia de novo. Mais importante: pratique.

Seguindo esse código você provavelmente vai ter menos recordes em celular alheios, mas terá mais amigos.

Então, lembre-se sempre desse código de conduta na hora que pegar o smartphone de um colega pra jogar um jogo e não esqueça de se divertir.

Mas depois. E no seu próprio celular.


publicado em 28 de Maio de 2014, 14:47
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Raphael Valenti

Redator na Wieden + Kennedy São Paulo, Raphael é formado pela ESPM em Propaganda e Marketing. Gosta de ler, escrever, ouvir músicas e ver filmes, essas coisas que fica legal colocar em um perfil. Orfão de Breaking Bad, vai ter que achar novos vícios pelo caminho.


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