Comece a se mexer: nossas vaidades também estão associadas ao nosso tesão

A relação entre as nossas vontades e o quanto de movimento fazemos em nossas vidas estão diretamente ligadas

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Muito se fala em “truques” para uma vida sexual mais acalorada e, de lingeries ao ménage, há um abismo muito pouco povoado que se resume na relação direta entre a nossa autoestima, essa autopercepção catalisadora do bem estar, e o nosso desejo sexual.

A autoestima, que se refere ao valor, à percepção avaliativa e ao julgamento que fazemos de nós mesmos, está relacionada aos aspectos das autopercepções que surgem das interações das pessoas em diversos contextos. Esses entrechos (profissional, acadêmico, social, espiritual, físico etc.) e as interações com eles influenciam nossa autoestima de acordo com a importância que os elencamos.

Alguns mecanismos fazem da vida ativa fisicamente possíveis promotores da autoestima, como o psicofisiológico que melhora o humor e as autoconsiderações positivas; a melhoria da imagem corporal, a satisfação e aceitação corporal por meio da perda de peso ou aumento da tonificação muscular; a melhoria da condição física geral no senso de autonomia e controle pessoal sobre o corpo, sua aparência e funcionalidade.

Exercícios físicos estão associados à autopercepções mais positivas, auxiliam as pessoas a se sentirem melhores com elas próprias, contribuindo para seu bem-estar geral e presumidamente para sua qualidade de vida. Mas com a chegada dos dias frios, queixas como preguiça de manter os exercícios, dificuldades em comer bem e um certo pavor em tirar as roupas para esquentar as coisas embaixo dos lençóis são comuns, e vira um auto engano de que assim que começar a esquentar retomaremos os exercícios, voltaremos às nossas saladinhas e que o sexo deixará de ser um ato tímido embaixo dos inertes edredons.

 A grande verdade é que os atuais dias sedentários, além de inúmeros fatores de risco para doenças, trazem consigo também um ambiente muito, muito broxante. Diversos casais passam do sofá para a cama e o máximo de intimidade que trocam é o abocanhamento do sanduíche alheio.

É muito duro manter o tesão por alguém apático, imobilizado por um estilo de vida “a là comedor de miojo”.

Particularmente, tem dois momentos físicos que nos sentimos muito bem: o sexo, momento em que toda a nata de hormônios se alinham e nos tornam de fato as pessoas mais gostosas do planeta, e durante os exercícios físicos, por meio da sensação quente de orgulho sobre o que estamos fazendo. Nos ver e observar os músculos que se sobressaem, a funcionalidade e biomecânica dos nossos movimentos, o suor que nos faz vestir roupas mais leves, e suas sensações fisiológicas são autopercepções extremamente benéficas, e por que não, narcísicas, afinal academias e motéis estão repletos de espelhos pelo óbvio motivo de nos orgulhamos de nossos feitos físicos.

Deixemos os exames de sangue de lado, vamos repensar nosso estilo sob a ótica do nosso prazer.

Para iniciar, eu penso que deveríamos analisar a quantidade de vezes que recorremos aos deliveries quando estamos a dois; tenho uma teoria, minha e só minha, que a frequência com que um casal pede comida pronta, menos sexo fazem. Numa gama absurda de oportunidades, inúmeros restaurantezinhos novos, inúmeras receitas para se fazer a dois, programas a céu aberto, filmes bons às toneladas, orgias inúmeras, e muita anatomia humana a ser descoberta, a pessoa no auge do que considera um programão escolhe ficar em sua casa (nada contra) ligar e pedir um x-ogrão a dois.

Têm momentos perfeitos para isso, mas esse tem sido o cenário constante do seu tempo a dois? Não duvido do prazer que algumas comidas nos proporcionam, mas não a ponto de fazer você se jogar no chão, certo? Sexo bom faz isso com a gente.

Mudando o cenário

"Um... dois... 
"... três... quatro."

Se matricule em uma academia/treino/grupo de corrida, escolha - hoje -  você está precisando e tem consciência disso, aplaque o frio que está sentindo com atividades físicas, aproveite esse calor e economize água e energia elétrica e tome banho na academia mesmo. Ria de mim à vontade, mas quando ensaboar seu recém malhado corpo sentirá muita diferença. Permita-se ser influenciado por esse autoengano, chegue em casa e pergunte, "amor, fala sério, não estou mais gostoso?".

Com certeza bom humor leva mais pessoas para cama do que tanquinho.

E isso nada tem a ver com "seja sarado e faça mais sexo". É a relação consigo e com o outro que se torna mais ativa e atenciosa.

Aproveite o luxo dos luxos de poder cozinhar em casa, alimentar alguém, escolher os ingredientes e comer comida de verdade. Aprecie ocasionalmente um restaurante daqueles que transformam nossos sentidos, que excita o casal com aqueles sabores, cheios e experiências. É caro? Sempre há tempo para parar de sucumbir aos snacks rançosos de posto de gasolina e economizar para essas ocasiões realmente válidas.

Cuide da pessoa que está ao seu lado.

Conversando com mulheres sobre sexo, tenho duas constatações: os casais estão transando muito pouco e quase todas ressaltam que os seus sentimentos em relação ao seu corpo afetam diretamente o quanto gostam de sexo.

Atentem-se quando mudarem o padrão de suas vaidades, quando algo, que era muito presente e satisfatório perde espaço. As nossas vaidades também estão associadas ao nosso tesão, e muitas dessas mudanças se dão por deixarmos de lado a nossa individualidade quando entramos em um relacionamento. Aquilo que nos era importante quando solteiros ainda o são quando fazemos parte de um casal, exercícios, amizades, e as nossas escolhidas questões estéticas ainda deveriam fazer parte dos nossos dias.

Obviamente questões sobre nosso comportamento sexual vão muito além disso, mas são justamente as pequenezas diárias que transformam nosso estilo de vida, por isso desconfie se entraram no círculo vicioso de apenas noites pacatas, confortos, e muitas guloseimas, da mesma maneira que um casal se fortalece e se protege, é possível que enfatizem juntos suas principais necessidades.

Rotinas, sejam elas saudáveis ou não, são extremamente contagiantes aos nossos parceiros, percebam, com o tempo passamos a ter um vocabulário de vida muito parecido, e quando iniciamos uma mudança, por mais assustadora que possa ser inicialmente ao nosso parceiro, ao verificarem suas consequências positivas discretamente vão entrando nessa em conjunto.

Dessa forma, invista na saúde e na vaidade de vocês, proponha possíveis mudanças, estimule a retomada daquilo que era importante e de atividades físicas, para assim aguardarem assim todas as deliciosas mudanças corporais e psicológicas que os hormônios podem proporcionar.


publicado em 29 de Maio de 2017, 00:00
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Débora Navarro Rocha

Educadora Física, mestre em Exercício Físico e Saúde para Populações Especiais. Atualmente é Docente do Instituto Federal do Paraná.


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