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Como ajudar as vítimas do crime ambiental de Mariana-MG

Locais que agregam postos de coleta de doações, conta bancária da cidade e como acolher alguém desabrigado

No último dia 5, uma barragem de rejeitos de propriedade da Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, rompeu-se e iniciou uma tragédia sem precedentes na região de Mariana e Ouro Preto, em Minas Gerais, cerca de 100km de Belo Horizonte.

A lama gerou, literalmente, uma avalanche que causou um imenso rastro de destruição que, agora, já ultrapassa um raio de 500km. 11 pessoas morreram, centenas de famílias perderam suas casas, milhares de pessoas estão sem água, energia, alimento.

Isso sem contar os danos ambientais irreversíveis e ainda difíceis de serem calculados, resultando, inclusive, na morte e completa inutilização do Rio Doce.

Por enquanto, a empresa já foi multada em R$ 250 milhões pelo IBAMA, teve R$ 300 milhões bloqueados e o Ministério Público de Minas Gerais informou que foi firmado um acordo para o pagamento de uma caução sócio-ambiental no valor de R$ 1 bilhão, para que os danos comecem a ser reparados.

Isso ainda é pouco, as vítimas do crime ambiental seguem desamparadas. As mídias tradicionais estão falhando em retratar o verdadeiro terror humano e ambiental que está instaurado. Há todo tipo de relato e vídeos pipocando pela internet que mostra situações terríveis como efeito do tsunami de lama.

No exterior, já se fala sobre o descaso das autoridades para com esse problema que já é considerado o maior desastre ambiental do país e um dos maiores do mundo

É preciso ajudar, mas da forma correta

Entre tantos problemas e relatos que surgem na timeline, decorrentes dessa tragédia, muitos acabam tento o ímpeto de ajudar. Apesar disso, há bastante desinformação sobre como proceder.

Dei uma fuçada por aí e vi que há várias iniciativas dispersas, algumas mais pessoais, outras atreladas a instituições, algumas mais confiáveis, outras não.

Na ocasião do terremoto de 25 de abril no Nepal, o The Guardian fez um guia sobre como proceder em casos de grandes tragédias como a que estamos vivendo no Brasil agora.

Então, apesar de ser muito bonito ver tantas pessoas tentando ajudar, essa mesma energia, quando feita de forma desorganizada pode acarretar em mais problemas e desperdício de recursos.

Assim, o que se recomenda é:

  • Não sair correndo pros locais atingidos. Claro que eles precisam de ajuda, mas de forma organizada. Não ajuda em nada se você se tornar mais uma pessoa necessitada e/ou em pânico ali.
  • Não enviar mantimentos, cobertores e outras coisas materiais sem se informar sobre o que efetivamente está sendo necessário;
  • Doar dinheiro para organizações reconhecidamente idôneas. Infelizmente, ainda temos pessoas que se aproveitam de momentos como esse para encher os próprios bolsos. É preciso ter cautela.

Então, em quem posso confiar?

Para evitar esses erros e problemas, o que sugiro é o seguinte:

O site riodoce.help está funcionando como um agregador de postos de coletas de doações de água, mantimentos e força de trabalho vindo de pessoas físicas e empresas. Até o momento, me pareceu a iniciativa mais madura nesse sentido. Está repleto de indicações de postos de coleta pelo país inteiro. 

O Uber de Belo Horizonte está com a opção UberÁGUA ativa, que vai coletar água para distribuir gratuitamente aos moradores de Governador Valadares até o dia 18 de novembro. Depois desse prazo sugiro se informar em seguida sobre como levar água até essas pessoas ou utilizar o site riodoce.help.

Para doações em dinheiro, a prefeitura de Mariana disponibilizou uma conta bancária no Banco do Brasil através do CNPJ: 18.295.303/0001-44, Agência: 2279-9, Conta Corrente: 10.000-5.

O Kickante abriu um crowdfunding para arrecadar verbas que serão redirecionadas às organizações e órgãos públicos que estão atuando na área. Pode ser uma boa opção para quem puder ou preferir contribuir com dinheiro.

Ainda em Mariana, quem quiser acolher pessoas desabrigadas, é necessário preencher um cadastro de voluntários que está sendo feito na Arena Mariana, na Avenida do Contorno, no centro da cidade.

O Catraca Livre também indica como ajudar os animais da região, por meio de três ONGs, que estão atuando no resgate dos animais, a AOPA (Associação Ouro Pretana de Proteção Animal), a ALPA (Associação Lafaitense de Proteção Animal) e o IDDA (Instituto de Defesa dos Direitos dos Animais de Ouro Preto). Há demanda para doação de ração para os animais recuperados.

* * *

Provavelmente, essas pessoas ainda vão precisar de ajuda por muito tempo. Novas iniciativas devem surgir, outras devem ficar desatualizadas. Avisem nos comentários que vamos tentar manter esse post atualizado.

Enquanto isso, vamos nos manter com esse espírito de compaixão e empatia em alta. Como vocês bem sabem, os últimos tempos vem pedindo bastante.


publicado em 16 de Novembro de 2015, 22:28
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Luciano Andolini

Cantor, guitarrista, compositor e editor do PapodeHomem nas horas vagas. Você pode ouvir no Spotify. Também escreve no Medium e em seu blog pessoal. Quer ser seu amigo no Facebook e Instagram.


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