Como eu vivo há 7 anos sem fogão

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Desde pequeno, tomei decisões contraditórias, não usuais. Entretanto, quando aleguei para família e amigos que estava largando o uso do fogão e ia abandonar todo tipo de alimento de origem animal, aí sim, definitivamente fui visto como "maluco", "radical", "louco”.

Nunca havia imaginado, aos 22 anos, o porque de alguém decidir não comer carne, já que eu nunca nem tinha conhecido pessoalmente um vegetariano.

Como cresci abrindo a geladeira para consumir alguma coisa empacotada, enlatada, engarrafada, processada e industrializada de alguma maneira, também nunca pensei que meus hábitos alimentares poderiam não ser condizentes com a boa saúde e, ainda por cima, capazes de gerar doenças crônicas degenerativas.

Antes de começar a estudar o que é chamado de crudivorismo, ou seja, a prática de se viver de alimentos crus, eu não sabia que a raça humana habitava a terra há 8 milhões de anos, que começamos a cozinhar há 10 mil anos, e comemos da forma moderna ocidentalizada há menos de 100 anos.

Ou seja, toda essa mistura que chamamos de refeição, é algo que só foi praticado por uma parte minúscula da nossa existência. E, menos ainda, sabia eu o que a alimentação moderna poderia causar ao meu organismo.

O que mudou no meu corpo

Devido às condições nas quais nasci – dentro de uma cidade grande, apartamento longe da natureza, pais que não tinham interesse pela área da ciência nutricional ou médica – nunca aprendi o que era correto e o que era errado em termos de alimentação.

Todo tipo de problema de saúde que você possa citar, eu já tive. Cansado, depois de seguir fielmente as recomendações da medicina e nutrição em voga, sofrendo de diabetes, hipertensão, alergias, problemas respiratórios , constipação crônica, fadiga crônica, lombalgia e prestes a fazer cirurgia no nariz e na coluna, decidi buscar por mim mesmo a verdade sobre o porque eu estava sempre doente.

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Em pouco tempo de pesquisa, encontrei o chamado veganismo – o vegetariano estrito que não come nenhum tipo de produto animal (leite, mel, queijo e ovos). Em seguida, encontrei o crudivorismo e o frugivorismo.

Acabei esbarrando no fato de que dois cardiologistas do Bill Clinton são veganos (Dr. Ornish e Dr. Esselstyn) e provam desde a década de 90 que a dieta vegana-hipo-lipídica e integral é uma forma de parar a progressão e de se reverter cardiopatias (doenças do coração) e neoplasias malignas (câncer). Descobri, também, que os jornais médicos científicos da atualidade são repletos de pesquisas indicando que o vegano vive mais e é consideravelmente mais saudável que o onívor0.

Fiquei perplexo como eu nunca tinha ouvido falar sobre isso.

Percebi que era isso que eu provavelmente fazia de errado desde pequeno, para vivenciar tantos sintomas. De repente, troquei minha perspectiva e larguei de vez a comida cozida.

Nunca mais fui o mesmo.

Em questão de dias, as alergias que meu otorrino alegava que iriam me atormentar para o resto da vida sumiram. Sem remédios ou cirurgia. Frutas e vegetais começaram a ter um sabor extremamente mais prazeroso. Minha respiração era mais limpa, eu não tinha aquele cansaço para acordar pela manhã, meu corpo parecia extremamente mais flexível e bem alongado, minha pele brilhava e ficou muito macia. Comecei a me sentir mais leve e enérgico, conseguia me concentrar muito melhor, exercícios físicos, principalmente os aeróbicos, eram executados com mais facilidade.

Até mesmo meu hálito matinal e odores corporais praticamente sumiram!

Sempre sofri de sobrepeso, mas em uma dieta crua, como até 4 quilos de comida ao dia, sem nunca mais ter engordado uma grama.

Minha produtividade aumentou de forma inimaginável. Saí de um garoto com baixo rendimento escolar, para notas excelentes na faculdade. Consigo trabalhar intensamente de 7 da manhã às 10 da noite sem me sentir esgotado.

Me formei em uma faculdade e estou acabando a segunda, de nutrição. Criei minha editora própria e publiquei 3 livros. Me especializei no exterior em crudivorismo, criei uma gastronomia frugal gourmet.

Resumindo, ter largado a invenção que foi em outrora extremamente eficaz para que nossa raça sobrevivesse a última era glacial, foi a melhor coisa que fiz na vida.

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A rotina de quem não cozinha

Vou uma vez a cada duas semanas ao CEASA, compro em torno de 40 quilos de frutas (são duas pessoas aqui em casa e minha mulher come mais bananas que eu ao dia. Sabe como é, melhor ter mais do que faltar).

Vou duas vezes ao hortifruti por semana, pois vegetais como alface, brócolis estragam mais rápido e, ao contrário das frutas, você quer eles jovens, ao invés de maduros.

Eu só faço duas refeições, minha mulher faz de três a quatro. Consumo em torno de 2 quilos de frutas durante o almoço e mais dois quilos de vegetais para a janta, ou seja, uma imensa refeição de frutas ou vitaminas, saladas de frutas, sorvetes.

E para janta como saladas, macarrões, arroz de couve-flor, salpicão de repolho, sopas, CRUzidos etc. Sempre uma tigela bem grande, quase que “imensa”, a qual leva em torno de 20 minutos de mastigação, regada com um molho de tomate, pesto,  hummus, ketchup picante ou outras delícias frugais que vão temperar meus vegetais.

Sou bem ativo fisicamente (jiu-jitsu, corrida, musculação, tênis, etc) e por isso consumo uma grande quantidade. Entretanto, caso você seja pequeno, sedentário, ou tenha poucos músculos, você provavelmente precisará de menos comida do que eu.

Entretanto, devo lembrar que saúde não é só dieta, mas todo um estilo de vida. Na natureza, seríamos bem ativos fisicamente para obter nossos alimentos e, portanto, precisaríamos de mais calorias, o que significa mais nutrientes sendo ingeridos.

Ao obter nossa alimentação riquíssima em frutas e vegetais, os alimentos mais ricos em nutrientes, seríamos banhados em abundância pelos fitonutrientes, antioxidantes, vitaminas e minerais, promovendo o retardamento do processo de senescência.

Como começar e alguns cuidados

É impossível em um pequeno artigo informar detalhadamente como praticar uma dieta frugívora, como adequar questões nutricionais.

Portanto, sugiro fortemente um bom livro do higienismo moderno frugívoro, como o Saúde Frugal – O guia ao crudivorismo ou o livro do Dr. Graham, chamado The 80/10/10 diet, caso você esteja realmente interessado em aprender a prática.

A fórmula para ser bem sucedido em uma dieta crua saudável é compreender que frutas e vegetais são alimentos de baixa densidade calórica. Isso não significa que uma banana não alimenta, como a maioria das pessoas justifica, achando que passariam fome se tentassem viver de frutas e vegetais, mas sim que ela é quase quatro vezes menos calórica que o arroz, por exemplo.

Portanto, você precisa comer quatro vezes mais banana do que precisaria de arroz. Para morangos, a questão é mais ainda, já que morangos são 30 calorias a cada 100 gramas enquanto o arroz é 330 em média. Portanto, 11 vezes mais.

É possível se alimentar de uma forma muito mais fácil, prática, barata e saudável do que praticamos na atualidade.

Para saber um pouco mais:


publicado em 02 de Janeiro de 2014, 16:05
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Eduardo Corassa

Escritor, palestrante e consultor especialista no crudivorismo vegano, dentro do modelo de saúde chamado Higiene Natural. Formado em Letras, especializado em Higienismo pela University of Natural Health, faz Nutrição na Faculdade Veiga de Almeida. Há mais de 7 anos vive em uma dieta exclusivamente crua de frutas e vegetais.


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