Como trazer as tendências de moda para o estilo e para a realidade do homem brasileiro?

Se tudo o que vejo não parece real, como faço pra me vestir bem?

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Eu era bem novo quando comecei a trabalhar e precisar me vestir um pouco melhor. Como a maioria dos jovens, a ideia de continuar usando camisetas de banda rock, calças muito largas e tênis de skate parecia confortável, era até natural.

Jovens tendem a se vestir para pertencer a um grupo; buscando uma característica que os diferencie dos demais ao mesmo tempo que os une com aqueles que se identificam.

Os anos passam e amadurecemos; a aspiração de ter um estilo que nos diferencia continua existindo, mas agora existem outras preocupações que precisam ser levadas em conta.

Quando essa mudança de mentalidade surge, ficamos sem saber o que fazer. O que nos resta é observar tendências e tentar copiar alguma, mas como podemos aplicar o que vemos internet afora na vida real?

O segredo é saber o básico muito bem.

O que você diz quando se veste

É comum existir uma rejeição inicial em relação à moda. Vestir-se bem ainda é visto por muitos homens como uma preocupação desnecessária, uma mudança que ofusca sua individualidade para agradar o outro. Mas a realidade não é bem assim.

Toda roupa que vestimos transmite uma mensagem, funcionando como uma forma de linguagem não verbal que, mesmo quando não escolhemos usar, fala por conta própria.

Entender como se vestir não é uma questão de mudar quem somos para ser bem visto aos olhos alheios, é uma forma de dominar com maior precisão o tipo de mensagem que passamos todos os dias.

Cauãzinho mostrando que está pronto pra mais um dia de trabalho num dia frio.

A forma como nos vestimos pode passar a mensagem de que somos mais abertos, fechados, profissionais ou organizados. Da mesma forma, nos denuncia quando somos preguiçosos, desleixados, desatentos ou mimados - não é preciso muito treino para entender quando um adulto ainda veste as roupas escolhidas pela mãe.

Até mesmo aqueles que orgulham-se em dizer que não se preocupam com a imagem e vestem a primeira roupa que encontram no guarda roupas, quando olhamos para eles, é exatamente essa mensagem de desleixo que recebemos.

O que não podemos esquecer

Existem alguns padrões que dificilmente mudarão e que devem ser levados em consideração independente do tipo de peça ou da tendência que tentamos aplicar. São princípios muito simples, mas é onde a maioria dos homens acaba errando.

Vestir o tamanho certo parece intuitivo, mas não é. Jovens adultos, aqueles que acabaram de crescer bastante num curto espaço de tempo, costumam manter roupas antigas e que vestem curtas e apertadas. Homens que ganharam peso também costumam esconder o corpo em roupas muito largas - mais do que o tamanho necessário para o seu corpo - usando camisetas caindo nos ombros e calças que acabam sobrando.

Outra preocupação importante, mas que acaba sendo esquecida quando copiamos alguma tendência de fora do país é a estação do ano.

Jonathan Azevedo tá bonito e pronto pro calor sem deixar de ser gente como a gente.

Não é um princípio arbitrário que as combinações mudam de acordo com a época do ano. Além do desconforto que pode ser causado pelo uso de tecidos pesados no calor ou muito leves no frio, estações intermediárias proporcionam mudanças que permitem combinações mais elaboradas, vestindo com conforto para temperaturas mais elevadas do começo do dia, enquanto protegem quando esfria ao fim da tarde.

Em termos visuais, roupas que não encaixam na estação passam uma impressão de deslocamento do ambiente, peso ou desconforto.

Quando pensamos em tendências de moda, logo surge a impressão de que devemos deixar de lado nosso conforto e priorizar visual, mas pelo contrário, fica muito nítido quando estamos desconfortáveis com o que vestimos.

Uma boa composição visual deve priorizar conforto e praticidade enquanto amplifica a mensagem que queremos transmitir em cada ocasião específica.

Como saber o que aplicar?

As inspirações para incrementar o visual podem vir de qualquer lugar, desde um personagem que causou identificação num filme, até buscas ativas em blogs de moda ou no Pinterest. As influências são muitas e as ideias variadas, mas é preciso considerar alguns pontos para não deslizar e acabar ficando estranho.

Não é qualquer coisa que encaixa bem para todo mundo, em toda situação ou até mesmo no cotidiano do brasileiro comum.

Importe-se sem medo: entenda que a forma como se veste faz diferença, não só na imagem como no bem estar geral. Não tenha vergonha de pesquisar sobre o assunto para entender quais são as tendências mais atuais e buscar roupas que te fazem mais confiante, seguro e confortável.

Entenda o que veste: cada peça tem uma história e um propósito. Tente saber sempre de onde vem cada tendência e a mensagem que está por trás do visual. Mesmo que não exista um certo ou errado fixo na moda, saber qual o conceito que existe em cada roupa evita um visual desequilibrado e peças que não conversam entre si.

Saiba o seu tamanho: pode soar repetitivo, mas uma das habilidades mais importantes é entender o seu tamanho e como as roupas devem vestir em você. Por causa das comuns diferenças entre biotipos, as mudanças de peso que sofremos nas fases de nossa vida, vestir roupas do tamanho errado é uma armadilha que precisamos olhar com cuidado. Fique atento ao caimento dos ombros, tamanho das mangas, barra da calça e encaixe do quadril.

Consulte pessoas de confiança: tenha pessoas que confia para perguntar com honestidade o que acharam da sua roupa. Como a roupa é uma forma de comunicação visual, nada melhor do que alguém sem medo de dizer que algo ficou fora do lugar, que não está combinando ou não funcionou para estilo.

Vista-se com propósito: as roupas que usamos para trabalhar não são as mesmas que vestimos em festas. Diferentes ocasiões pedem visuais diferentes, o que permite que algo que não ficaria bom para uma situação, seja utilizado em outra ocasião diferente. Quando temos uma reunião de trabalho mais séria, queremos passar uma imagem de confiança e profissionalismo, mas ao sair para tomar uma cerveja com amigos, não queremos parecer travados e desconfortáveis. Tenha o hábito de se perguntar qual o propósito de estar se vestindo.

Invista em boas peças: boas roupas valem seu preço. Roupas de má qualidade costumam vir em modelagens com falhas de proporção - muitas vezes ajustadas para o corpo dos chineses - costuras mal feitas e acabamento ruim. Peças de qualidade tendem a durar por anos, possuem modelagens melhores e que dificilmente deformam.

Quebre algumas regras: quando observamos algumas regras sendo quebradas com consciência, as coisas mudam de figura. Entender exatamente onde estamos mudando o padrão e adicionando um pouco do nosso estilo traz um diferencial interessante. Quando tudo está fora lugar, a desorganização chama atenção, mas escolher uma regra específica para quebrar com consciência pode transmitir iniciativa, força e agressividade necessárias.

Vestir-se bem é uma necessidade verdadeira. Por mais que a rejeição à vaidade, preguiça e  medo da mudança nos afaste da moda, saber o que vestir e como vestir não apenas influencia diretamente em como somos percebidos pelo mundo a nossa volta, mas também exerce enorme força em nosso bem estar interno.

Começar a construir um bom repertório de peças, que combinem bem entre si e sejam funcionais nas mais variadas situações pode gerar certo desconforto no começo, mas é um passo importante para nosso amadurecimento e desenvolvimento.

Se você tem dificuldades para aplicar tendências na vida real ou dicas de como faz para levar mais estilo ao seu cotidiano, compartilhe conosco nos comentários e enriqueça a discussão.

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publicado em 18 de Outubro de 2017, 00:05
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Alberto Brandão

É analista de sistemas, estudante de física e escritor colunista do Papo de Homem. Escreve sobre tudo o que acha interessante no Mnenyie, e também produz uma newsletter semanal, a Caos (Con)textual, com textos exclusivos e curadoria de conteúdo. Ficaria honrado em ser seu amigo no Facebook e conversar com você por email.


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