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Cruzeiro 4 x 3 Galo

Poucas coisas se comparam com a emoção de estar num estádio lotado em dia de clássico.

Nesse Domingo eu estava lá, no Mineirão, em toda a glória de um legítimo confronto Cruzeiro e Atlético. O Galo lutando contra o rebaixamento. O Cruzeiro na esperança de desbancar o líder absoluto São Paulo.

Fazia um belo tempo desde minha última visita ao estádio. Tempo longo o suficiente inclusive para me fazer esquecer o quão fantástico são esses eventos.

mineirao
Essa belo foto acho que foi batida pelo
Marmota
. Confere?

O tumulto, a concentração antes do jogo no estacionamento - ou no bar - , a entrada espremida pelos portões de acesso. A cerveja derramada no seu pé encharcando sua meia, o cheiro acre de desodorante vencido. Todos esses elementos se juntam na composição de uma atmofesra única.

O mais incrível é o sentimento de união. Se é cruzeirense, é meu amigo. Se é atleticano, é viado, broxa e filho de uma *&%. Pura camaradagem.

Tenho que admitir. Meu retorno ao Mineirão não poderia ter sido melhor. O clássico dos clássicos, o jogo que mobiliza toda Belo Horizonte, que faz Minas Gerais parar. E que jogo foi esse!

Cruzeiro na frente por 2x0 em menos da metade do primeiro tempo. Galo empata antes de encerrar a etapa inicial. Galo *vira* para 3x2 no segundo tempo. A Galoucura faz a Máfia Azul calar a boca, mesmo estando em grande desvantagem numérica. A garota que estava comigo faz charminho, pede beijo, mas não estou com humor pra amassos. Ver o time perdendo é como ver seu filho apanhando. Bom, pelo menos suponho que seja, não tenho filhos.

Dorival Júnior, nosso técnico, mexe no ataque celeste e coloca duas jovens promessas, Kerlon - parece nome do primo pobre do Superman - e Guilherme.

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Foto batida de dentro da torcida, 4x3 pra nós no placar

Meu xará não perdoa e marca 2 gols. Chora cahorrada! Os cantos de vitória mais belos começam a ser entoados por nossa torcida. Provavelmente a maior concentração de palavrões por minuto do ano. Rodo minha camisa no alto e entro no embalo, até praticamente perder a voz. O Galo ainda dá um vexame ao perder o controle diante do já clássico drible da foca de nosso kriptoniano Kerlon.

O que exatamente há de tão bom em xingar o oponente vencido e ver a decepção estampada na torcida adversária? Grilos existenciais, projeção de nossos próprios sonhos e desejos? Ópio do povo? Vai a merda. Futebol é bom pra caralho e dispensa explicações filósicas e demais acompanhentos antropológicos.

Quando o juiz apita o término da partida, todos se abraçam, todos são amigos, - opa, ninguém tira casquinha da minha gatinha! -, todos são irmãos de fé, suados, fedidos, felizes. Uns mais e outros menos bêbados. Interessante notar que agora é proibida a venda de cerveja dentro do Mineirão nos jogos, será que está assim no resto do país também?

mafia-azul
Imaginem o aroma suave de flores do campo debaixo dessa bandeira

Em todo caso, o texto é para homenagear o prazer  de assistir a um jogo no estádio, especialmente um jogaço como esse. A crítica fica para a organização, jogos no Brasil ainda são uma verdadeira volta à Idade Média, com fraturas, tiros e mortos, desse jeito nunca vamos ter estádios lotados no jogos, todo mundo vai preferir ficar na poltrona quetinha, com o Pay-per-View devidamente pago.

E o título do artigo é para gravar na memória essa vitória maravilhosa do Cruzeiro.

"Ão, ão, galoucura na segunda divisão!"

Bônus Track


publicado em 16 de Setembro de 2007, 23:43
File

Guilherme Nascimento Valadares

Editor-chefe do PapodeHomem, co-fundador d'o lugar. Membro do Comitê #ElesporElas, da ONU Mulheres. Professor do programa CEB (Cultivating Emotional Balance). Oferece cursos de equilíbrio emocional e escreve pequenas ficções no Instagram.


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